Moradores das quadras 800 e 1000 de Samambaia fazem um desabafo: não aguentam mais as promessas não cumpridas pelo governo. Desde que a chamada expansão de Samambaia foi criada, os problemas não param de surgir na região. Os principais, enumera a população, são o esgoto a céu aberto, o transporte público ineficiente e a falta de investimento no local na área da saúde.
Como se já não bastassem tantos problemas, a previsão das lideranças comunitárias é de que este cenário piore quando for construído o aterro sanitário, obra que substituirá o Lixão da Estrutural. E por falar em lixo, a sujeira nas ruas e fossas abertas são parte das reclamações.

Prefeito comunitário da QR 1.029, Delso Pereira reclama da negligência do governo e dos problemas do local. “Aqui, nós vivemos ao deus-dará, é como se não existíssemos. Já informamos as autoridades e nos reunimos com o governo, mas ninguém pensa na gente. Nos jogaram aqui e nos deixaram abandonados, sem saúde, sem transporte… Somos tratados pior do que animais”, desabafa.
Ônibus
O transporte é uma das principais reivindicações da população. São cerca de dez mil moradores nestas quadras, e quem depende dos ônibus não está nada satisfeito. O governo chegou a prometer a eles que o terminal rodoviário de Samambaia passaria a ser na região, mas nenhuma providência foi tomada até o momento.
Os moradores relatam que poucas linhas atendem a região. Na maioria das vezes, é preciso andar mais de três quilômetros para conseguir pegar um ônibus. É o que diz a atendente de padaria Laís Oliveira, 18 anos, que também denuncia a demora. “É muito ruim para a gente. Às vezes eu tenho que ficar esperando quase duas horas pra conseguir ir ao trabalho”, disse.
Moradora da expansão de Samambaia há três anos, Ísis Lins, 20 anos, diz que outro problema constante é a criminalidade. “A segurança aqui praticamente não existe. Sempre acontecem roubos e nunca se vê sequer uma viatura da polícia, ao menos fazendo a ronda. Ficamos totalmente inseguros”, afirma.
FALTA DE ATENÇÃO
A cabeleireira Silvana Batista, 42 anos, mora na região desde sua criação. Ela diz que sempre ouviu reclamações dos clientes, e lamenta a falta de atenção do governo com a comunidade. “Tudo aqui deixa muito a desejar. O transporte quase não existe, raramente passa ônibus. Mas o que mais me deixa indignada é o aterro sanitário. Se faz mal para o pessoal da Estrutural, vai fazer mal para a gente. Por que o governo quer isso? Será que não somos importantes? Às vezes é o que parece mesmo, pois nunca somos ouvidos”, diz.
A Administração Regional de Samambaia e o GDF foram procurados pela reportagem, mas não se pronunciaram.