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Brasília

A cada quatro dias, um técnico pede demissão da UnB. Salários são os piores do governo

Arquivo Geral

23/09/2010 8h02

É, a vida não anda nada fácil lá pelos rumos da Universidade de Brasília, a UnB. Ainda sofrendo os efeitos da greve dos técnicos-administrativos que durou quase infindáveis seis meses – e que acabou paralisando muitos dos serviços considerados essenciais na instituição, como o serviço de biblioteca, restaurante universitário e até atrasou a produção das notas dos estudantes, entre outros –, chega a notícia de mais um concurso para a contratação de funcionários para a universidade.

 

Até aí, tudo bem, mais servidores sempre são bem-vindos. A questão é que o que se promete pagar é até risível perto de outros certames do gênero, o que acaba causando uma verdadeira diáspora no seio da instituição. A cada quatro dias, um servidor troca a UnB por outro local de trabalho. De 1º de janeiro a 20 de setembro deste ano, 125 técnico-administrativos deixaram o campus, 34 deles para assumir cargos em outros órgãos da administração pública e 36 por concluírem que o trabalho não valia mais a pena.

 

Um exemplo? Segundo o edital do concurso da UnB, estatísticos de nível superior que aceitem trabalhar oito horas por dia vão ganhar R$ 2.989,33 por mês. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contrata estatísticos com a mesma formação para trabalhar o mesmo número de horas e ganhar quase quatro vezes mais: R$ 10.216,12.

 

Publicado nesta semana, o edital da UnB para a contratação de 82 técnicos de nível superior e 64 de nível médio revela as contradições e assimetrias da administração pública. Os servidores que tornam possível as atividades que envolvem o ensino de graduação, a produção de pesquisas científicas e a administração das universidades federais estão entre os mais mal remunerados do serviço público. O piso salarial das carreiras é definido pelo Ministério do Planejamento.

 

Motivação

Com a ameaça de corte da URP, a situação se agravou. A parcela foi garantida por decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, no último dia 16 e colocou fim à mais longa greve de técnicos da história da UnB, com 187 dias.

 

“Não conseguimos reter o conhecimento na universidade. Tão logo o servidor começa a acumular os saberes do dia a dia acadêmico, ele decide ir embora porque passou em um concurso melhor ou simplesmente porque não encontrou mais motivação para ficar aqui. E aí temos de começar tudo de novo”, afirma a secretária de Recursos Humanos da UnB, Gilca Starling. “O prejuízo é enorme para a formação de quadros na universidade”.

 

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