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Brasília

210 Norte: obra de laje desabada ainda vai demorar

Arquivo Geral

06/02/2018 7h00

Atualizada 05/02/2018 22h05

Defesa Civil deu 24 horas para início de trabalho emergencial no prédio, onde terra deslizou e surgiram novas rachaduras na garagem. Foto: Myke Sena

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

“Não temos nenhuma previsão”. Essa é a constatação do engenheiro civil Ronaldo Evangelista, responsável pela execução das obras no bloco em que a laje desabou, na 210 Norte, sobre o laudo técnico que tem que ser emitido para o início da recuperação da laje e da retirada dos carros soterrados. Enquanto isso, a terra está deslizando e novas rachaduras surgem na garagem.

Evangelista explica que, de imediato, estão sendo feitas obras para recuperação dos canos de água e de esgoto e a colocação de tapumes. “O trabalho do laudo técnico é muito minucioso. A gente vai ter que levantar os projetos originais do prédio. Tem etapas a serem seguidas e demoram. Estou responsável pelo isolamento e em colocar as instalações funcionando para o prédio ficar habitável”, resume.

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De acordo com a síndica do Bloco C, Mônica Kremer, ontem mesmo foi feita a contratação do especialista para iniciar as vistorias e a elaboração do laudo. “Só depois a gente vai saber o que será feito daqui para frente. Infelizmente, não temos prazos, data. É um trabalho muito cauteloso”, alega. “Amanhã (hoje) já iniciam as vistorias. Acredito que até a semana que vem teremos respostas mais concretas sobre a entrega do laudo.”

O ressarcimento dos valores dos 23 veículos esmagados será feito pelas seguradoras dos moradores. “Estão sendo solidários e de acordo em todas as decisões. Nós nos unimos muito, viramos uma verdadeira família. Foi um incidente. Todos os carros têm seguro. Então, cada um está acionando a própria seguradora”, afirma a síndica. Porém, para a seguradora cobrir os prejuízos, é preciso o laudo técnico, essencial para a retirada dos carros e a recuperação do prédio.

Segundo o subsecretário da Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra, a documentação deve constar “as causas do desabamento, as técnicas a serem implementadas para a recuperação, se ele vai fazer uma laje com pilares ou laje em balanço, e o cronograma de execução”.

Insegurança

A Defesa Civil deu um prazo de 24 horas para que a síndica do prédio inicie os trabalhos emergenciais, pois a terra deslizou e novas rachaduras surgiram na garagem do prédio. “A terra cedeu um pouco por conta da chuva e a tendência é de que continue cedendo. Então, é preciso contratar pessoal e maquinário para retirar os escombros e a terra, de modo que evite a sensação de insegurança das pessoas”, esclarece o subsecretário, coronel Sérgio Bezerra. Porém, ele pondera que não há risco de a edificação desabar. “As pessoas podem ficar tranquilas, porque vamos fazer monitoramentos diários, nos dois turnos”, afirma.

Solidariedade de vizinhos

Uma moradora, que não quis se identificar, passou a noite em seu imóvel. “Com medo, mas fiquei. Disseram que o prédio não tinha nenhum risco, então decidi ficar”, afirma. A mulher disse que está tomando banho e se alimentando na casa da mãe, mas quem não tem parentes ou amigos próximos é amparado por vizinhos. “A solidariedade tomou de conta. Pessoas dos prédios próximos disponibilizaram banheiro. Aos poucos vamos nos ajeitando”, pressupõe.

Ela disse que estão sem usar banheiro e até beber água. “Não temos água e nem as tubulações do esgoto. A energia está vindo aos poucos: deixaram o elevador ligado e as lâmpadas conseguimos acender. Mas, os aparelhos domésticos estão desligados. A CEB disse que a energia chegaria hoje (ontem)”, aponta.

Ponto de vista

O professor da Universidade de Brasília e engenheiro civil especialista em geotecnia e fundações, Dickran Berberian, explica o rompimento da laje. “Em obras como essas, é preciso construir uma cortina – espécie de muro subterrâneo – para segurar o solo. Ao lado, existe o jardim que se prolonga e fica em cima da laje. A laje estava presa em um pilar, que encheu de terra, o que é normal. Com o peso da terra, que aumenta com a chuva, e mais a força horizontal do empuxo, gera uma ruptura”, explica. Segundo Berberian, esse é o terceiro caso na capital. Foram dois em 1984: na 210 Sul e na 116 Norte. Para evitar o problema, ele diz que é preciso inspecionar constantemente a impermeabilização do solo. “Antes de romper, as construções dão sinais. A trinca é a principal. Ela permite a entrada da água, oxigênio e enferruja os ferros, e pode resultar no desabamento.”

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