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Mulheres e jovens são os mais afetados pelo desemprego na pandemia, diz OIT

De acordo com Roxana Maurizio, responsável pela organização do estudo, existe uma relação desproporcional dos afetados pelo desemprego na pandemia

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Marina Torres
Jornal de Brasília/Agência UniCeub

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em evento realizado nesta semana (30/9), alertou para os efeitos da pandemia no desemprego e no aumento da desigualdade. De acordo com Roxana Maurizio, responsável pela organização do estudo, existe uma relação desproporcional dos afetados pelo desemprego na pandemia. “Quando nós comparamos, dá para observar claramente que a pandemia aumentou os buracos que já existiam. A redução de empregos ocupados por mulheres no período dobrou e para jovens (de até 24 anos) diminuiu de 2 a 3 vezes.”

Para a pesquisadora, isso se dá tanto pela característica dos cargos ocupados por mulheres quanto pela falta de investimentos nos cuidados de saúde e creches. “As mulheres trabalham mais em setores que foram afetados pela pandemia, como hotelaria e restaurantes, onde a participação feminina é elevada. Elas também têm mais dificuldade de conseguir empregos e cuidar da família porque creches e instituições de cuidado foram afetados. As crianças não terem voltado para a escola afetou a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Precisamos focar em políticas que possam ajudar esses grupos.” explica.

No quadro geral dos nove países, que representam 80% da força economicamente ativa, mais de 34 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe perderam seus empregos no período analisado, registrando uma crise sem precedentes na região. No primeiro semestre, a taxa de ocupação chegou a 51,1%, registrando uma queda histórica de 5,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.

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No segundo semestre, a taxa de desocupação foi de 11,5%, 2,2 pontos percentuais acima do primeiro trimestre de 2020, ou seja, cerca de dois milhões de pessoas a mais perderam seus empregos e continuaram procurando emprego. A taxa de participação no trabalho também registrou uma queda sem precedentes, passando de 61,3% para 52,6% entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano: 32 milhões de pessoas deixaram de ser economicamente ativas.

O estudo também indicou uma recuperação a partir do terceiro semestre de 2020. Depois de uma queda comum maior em abril, a tendência mostrada no relatório é a de uma recuperação incipiente do emprego e um retorno da força de trabalho.

Fabio Bertranou, diretor do escritório da OIT no Cone Sul e coordenador da série Panorama Laboral, destaca a importância da supressão dessas lacunas que foram intensificadas pela pandemia: “Precisamos de segurança econômica para as famílias e pessoas da economia informal e também para os desempregados. É preciso trabalhar numa recuperação que fortaleça o trabalho formal.”

Para Vinícius Pinheiro, diretor da OIT para a América Latina e Caribe, a situação vai além de um dilema entre a saúde e a economia: “Ou ganhamos ou perdemos dos dois lados.” Pinheiro também ressalta a necessidade de acordos e planos que apoiem a inserção desses trabalhadores no mercado de forma inclusiva e sustentável. “É necessário o apoio às pequenas empresas e ao ingresso das pessoas no mercado de trabalho. A questão ambiental também não pode ser esquecida. Se existe uma lacuna para a pandemia depois de um período, não há para o meio ambiente,” explica.

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