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Imigrantes perdem emprego na pandemia, mas maioria quer ficar no Brasil

Foram obtidas 2.475 respostas válidas, de pessoas de 60 países que vivem em 22 estados brasileiros

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FLÁVIA MANTOVANI
VIÇOSA, MG

A pandemia de Covid-19 teve forte impacto sobre os imigrantes que vivem no Brasil, com muitos perdendo o emprego e chegando à situação de não ter o que comer. Apesar disso, uma minoria tem planos de voltar a seu país de origem ou ir para um terceiro país, mostra um novo estudo.

A pesquisa, realizada pela PUC Minas e pela Unicamp em parceria com outras instituições, foi feita entre maio e julho por meio de um questionário com 56 perguntas em seis idiomas. Foram obtidas 2.475 respostas válidas, de pessoas de 60 países que vivem em 22 estados brasileiros. Os resultados foram publicados em um livro virtual e lançados nesta terça-feira (29).

Boa parte dos entrevistados são pessoas da Venezuela ou do Haiti. Em seguida vêm os senegaleses, colombianos e cubanos. Essas cinco nacionalidades formam 85% da amostra, mas houve também a participação de filipinos, russos, turcos, nigerianos e nicaraguenses, entre outros.

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Quase 70% se declaram negros, 56% são homens e a faixa etária predominante é de 25 a 34 anos. Só 0,5% se declarou em situação irregular: os demais têm visto de residência, status de refugiado ou outro documento migratório.

A maioria dos que trabalhavam antes da pandemia atuava no setor de serviços, como vendedores de lojas ou na área de hotelaria, por exemplo, e 47% tinham carteira assinada –entre os demais, havia autônomos, microempreendedores, estudantes e trabalhadores informais.

Os resultados da pesquisa mostram que um dos efeitos mais fortes da crise foi na situação laboral do grupo: quase metade perdeu o emprego, e a porcentagem dos que estavam trabalhando baixou de 47% para 25%.
Com isso, 57% disseram que seus rendimentos estavam muito abaixo de seus gastos e só 17% responderam que o que ganham é o suficiente para pagar as contas ou gera alguma sobra.

Provavelmente também por causa da crise, assinalam os pesquisadores, a proporção dos que enviam remessas para seus países -prática muito comum, especialmente entre os que vêm de países pobres– foi considerada baixa: 55%. Muitas vezes sem familiares ou rede de apoio no Brasil, os imigrantes acabaram tendo que reduzir suas despesas para se adequar à realidade atual ou pediram ajuda a familiares e amigos em seus países.

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“A situação já não estava boa para os imigrantes e agora piorou. Muitas ONGs fecharam as portas por causa do isolamento social, veio a crise econômica”, diz o professor da PUC Minas Duval Fernandes, um dos coordenadores do estudo. “Eles estão muito vulneráveis neste momento, inclusive com insegurança alimentar, que é o ponto básico de sobrevivência. Dos que buscaram ajuda de instituições, mais de 80% precisaram de cesta básica.

“Segundo ele, mesmo os grupos que estavam em uma situação melhor antes -caso dos venezuelanos, que tinham um nível de empregabilidade maior que a média- “foram pegos pela pandemia do mesmo jeito”.
Em relação à Covid-19, 5% dos entrevistados declararam que eles ou algum familiar tiveram a doença. Destes, 60% procuraram o SUS.

Alguns dos resultados revelados pelos números na pesquisa apareceram também em forma de relatos espontâneos deixados em um espaço para comentários, conta Fernandes.”Foi um efeito não esperado. Deixamos esse espaço aberto no final e recebemos muita coisa. Uma senhora venezuelana disse que estava com duas filhas em casa, sem comida, em Ribeirão das Neves [na região metropolitana de Belo Horizonte]. Outra de Uberaba pediu auxílio para conseguir apoio psicológico. Teve gente pedindo ajuda para conseguir emprego, pagar aluguel”, conta.

Segundo ele, o grupo atendeu a alguns dos pedidos -com cestas básicas ou encaminhamento para serviços de apoio, por exemplo. “Não era o objetivo inicial, mas acabamos abrindo um canal de escuta em um momento em que tudo estava fechado. Foi muito interessante porque as pessoas contaram suas histórias.”

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As informações são da FolhaPress




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