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Inadimplência bate recorde no Brasil: 9,2 milhões de empresas acumulam R$ 238,6 bilhões em dívidas

Micro e pequenas empresas concentram R$ 206 bilhões em débitos, enquanto tecnologia surge como alternativa para melhorar a recuperação de pagamentos.

Redação Jornal de Brasília

20/10/2026 10h24

A inadimplência empresarial atingiu um novo recorde no Brasil em 2026. Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, divulgado em setembro, 9,2 milhões de CNPJs estavam negativados em julho, acumulando R$ 238,6 bilhões em dívidas. É o maior nível da série histórica do indicador.

O levantamento mostra que o problema vai além de contas isoladas. Ao todo, foram contabilizadas 67,2 milhões de dívidas negativadas, com média de 7,3 pendências por empresa. O valor médio devido chegou a R$ 25.983,88 por CNPJ.

As micro e pequenas empresas são as mais afetadas. Dos 9,2 milhões de negócios inadimplentes, 8,7 milhões pertencem a esse grupo, que concentra R$ 206 bilhões em dívidas e aproximadamente 60,5 milhões de pendências financeiras.

O cenário preocupa porque a dificuldade de pagamento não se limita aos empréstimos bancários. Segundo a Serasa Experian, 75,7% das dívidas negativadas estavam fora das instituições financeiras, envolvendo compromissos com fornecedores, serviços e outras despesas operacionais.

Comércio e serviços concentram a maior parte das empresas inadimplentes

Os dados mostram que o setor de serviços reúne 55,8% das empresas negativadas, seguido pelo comércio, com 32,1%, e pela indústria, com 8%.

Entre os estados, São Paulo lidera em números absolutos, com mais de 3,1 milhões de empresas inadimplentes. Minas Gerais aparece na sequência, com 915,4 mil, seguido pelo Rio de Janeiro, com 870,1 mil.

O avanço também pode ser observado na evolução recente do valor total das dívidas.

Período de 2026Dívidas negativadas
MaioR$ 229,9 bilhões
JunhoR$ 232,9 bilhões
JulhoR$ 238,6 bilhões

Em apenas dois meses, o volume de dívidas cresceu R$ 8,7 bilhões, aproximadamente 3,8%.

Para os pequenos empreendedores, o acúmulo de pagamentos pendentes pode comprometer a compra de mercadorias, o pagamento de funcionários e a manutenção das atividades.

Além dos juros elevados e das dificuldades de acesso ao crédito, a falta de acompanhamento das cobranças pode agravar a situação de empresas que dependem de pagamentos recorrentes.

Tecnologia pode ajudar empresas a identificar riscos antes que as dívidas se acumulem

Diante do aumento da inadimplência, especialistas em cobrança defendem que as empresas precisam ir além da negociação de dívidas já vencidas. Identificar atrasos recorrentes, acompanhar o comportamento dos clientes e agir preventivamente são medidas que podem reduzir a pressão sobre o caixa.

Para Laura Camargo, CEO e Co-fundadora da Neofin, a tecnologia tem um papel importante nesse processo, ao permitir que as empresas acompanhem suas cobranças e identifiquem situações de risco com maior agilidade.

A empresa desenvolveu um Diagnóstico de Inadimplência gratuito, que permite avaliar o risco financeiro de uma carteira de clientes por meio de 12 perguntas respondidas em aproximadamente três minutos.

A ferramenta analisa informações como percentual de pagamentos atrasados, tempo de atraso, concentração das dívidas e práticas de cobrança. Ao final, apresenta uma classificação de risco — baixo, moderado, alto ou crítico —, uma estimativa do dinheiro que pode estar parado em cobranças pendentes e recomendações para melhorar os resultados.

Por exemplo, uma empresa que realiza R$ 100 mil mensais em vendas a prazo e possui 10% desse valor em aberto pode ter R$ 10 mil de recebimentos pendentes naquele período. O montante não representa necessariamente uma perda definitiva, mas recursos que ainda não estão disponíveis para pagar despesas ou financiar as operações.

O diagnóstico ajuda a identificar esse tipo de situação, embora suas estimativas não substituam uma análise financeira detalhada.

Como reduzir a inadimplência nas empresas?

Além de avaliar os riscos, algumas medidas podem ajudar os negócios a evitar o acúmulo de dívidas:

  • Enviar lembretes antes do vencimento: a comunicação antecipada pode evitar atrasos por esquecimento.
  • Oferecer diferentes formas de pagamento: Pix, boleto e cartão facilitam a regularização.
  • Acompanhar os atrasos por período: identificar dívidas recentes e antigas ajuda a definir prioridades.
  • Automatizar as cobranças: sistemas podem enviar mensagens e acompanhar pagamentos sem depender de controles manuais.
  • Facilitar a renegociação: oferecer condições compatíveis com a capacidade de pagamento aumenta as possibilidades de acordo.

Com 9,2 milhões de empresas inadimplentes e R$ 238,6 bilhões em dívidas negativadas, os dados da Serasa Experian mostram a dimensão do desafio enfrentado pelo setor empresarial brasileiro.

Embora a tecnologia não resolva problemas como juros elevados ou queda nas vendas, ela pode ajudar os negócios a identificar riscos, reduzir falhas nas cobranças e agir antes que os atrasos se transformem em dívidas maiores.

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