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Fronteiras digitais mudam viagens internacionais e exigem mais atenção dos brasileiros

Descubra como as autorizações eletrônicas estão transformando a experiência de viajar para o exterior e tornando o planejamento mais estratégico

Redação Jornal de Brasília

19/05/2026 9h43

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Viajar para o exterior deixou de ser apenas uma questão de passaporte válido, passagem comprada e reserva de hotel. Com o avanço das fronteiras digitais, governos passaram a exigir autorizações eletrônicas, cruzamento antecipado de dados e novos controles antes mesmo do embarque.

A mudança acompanha a retomada do turismo internacional. Segundo a IATA, a demanda global por transporte aéreo cresceu 5,3% em 2025, enquanto as viagens internacionais avançaram 7,1% no mesmo período. Já a UN Tourism apontou uma alta de 5% nas chegadas internacionais entre janeiro e setembro de 2025, acima dos níveis pré-pandemia.

Nesse novo cenário, entender sistemas como o eTA do Reino Unido passou a fazer parte do planejamento de quem pretende viajar para destinos que adotam autorizações digitais de entrada, como já ocorre em diferentes formatos nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e no próprio Reino Unido.

A viagem começa antes do aeroporto

As autorizações eletrônicas não são exatamente vistos tradicionais. Em geral, funcionam como uma triagem prévia de passageiros isentos de visto para estadias curtas. O viajante informa dados pessoais, detalhes do passaporte e responde perguntas de segurança antes de receber autorização para embarcar.

No Reino Unido, o governo informa que a ETA é exigida de visitantes que não precisam de visto para estadias de até seis meses. A autorização custa 20 libras e deve ser solicitada antes da viagem, conforme as orientações oficiais do governo britânico.

A lógica é simples: em vez de concentrar toda a análise no balcão de imigração, parte da checagem ocorre de forma digital e antecipada.

Como as companhias aéreas estão se adaptando às fronteiras digitais

As mudanças nos sistemas migratórios também estão transformando a rotina das companhias aéreas e dos aeroportos internacionais.

Hoje, as empresas do setor precisam validar uma quantidade cada vez maior de informações antes mesmo do passageiro embarcar. Em muitos casos, o check-in só é liberado após a confirmação automática das autorizações eletrônicas vinculadas ao passaporte do viajante.

Esse processo ocorre por meio de plataformas integradas entre governos, aeroportos e companhias aéreas. Quando o passageiro informa os dados do passaporte durante a compra da passagem ou no check-in online, os sistemas verificam se há alguma autorização pendente, vencida ou incompatível com o destino da viagem.

A tendência vem sendo impulsionada pelo crescimento do fluxo global de passageiros. Segundo dados do Airports Council International (ACI World), os aeroportos internacionais devem superar os níveis históricos de movimentação nos próximos anos, impulsionados principalmente pelas viagens internacionais de lazer e de negócios.

Ao mesmo tempo, os aeroportos investem em tecnologias de automação para reduzir filas e melhorar a experiência do usuário. Em grandes terminais internacionais, já é comum encontrar:

  • Portões automáticos com leitura biométrica;
  • Reconhecimento facial para embarque;
  • Etiquetas inteligentes de bagagem;
  • Check-in totalmente digital;
  • Controle migratório automatizado.

Em aeroportos britânicos como Heathrow e Gatwick, parte desses sistemas já funciona em larga escala. O objetivo é acelerar processos sem comprometer os padrões de segurança.

Mas especialistas alertam que a tecnologia não elimina a necessidade de atenção do passageiro. Pequenos erros no preenchimento de formulários eletrônicos podem causar problemas durante a viagem, especialmente em conexões internacionais.

Outro ponto importante é que cada país possui regras próprias. Algumas autorizações digitais permitem múltiplas entradas durante um determinado período; outras são válidas apenas para uma viagem específica. Há ainda diferenças relacionadas ao motivo da visita, à duração da estadia e ao tipo de passaporte utilizado.

Por isso, a recomendação é acompanhar as informações oficiais e verificar os requisitos atualizados antes de cada viagem internacional, especialmente em um cenário em que as regras migratórias mudam com frequência.

Europa também terá novo sistema

A União Europeia segue um caminho semelhante ao do ETIAS, autorização eletrônica prevista para viajantes isentos de visto que entrarão em 30 países europeus. Segundo o portal oficial da União Europeia, o sistema deve começar a operar no último trimestre de 2026.

O ETIAS não será um visto, mas sim uma autorização prévia de viagem. A medida afetará milhões de turistas que hoje entram no Espaço Schengen sem necessidade de visto tradicional. Informações oficiais estão disponíveis no site da Comissão Europeia.

Para brasileiros, isso significa que viagens à Europa exigirão mais atenção nos próximos anos, principalmente em roteiros que combinam diferentes países.

Biometria, dados e embarque mais controlado

Além das autorizações eletrônicas, os aeroportos internacionais ampliam o uso de reconhecimento facial, portões automáticos, leitura biométrica e sistemas integrados de segurança. A promessa é reduzir filas e tornar o controle migratório mais eficiente.

Mas a digitalização também transfere parte da responsabilidade para o passageiro. Um erro no número do passaporte, uma autorização vencida ou a falta de aprovação antes do embarque podem resultar em impedimento ainda no check-in.

A IATA recomenda que os passageiros verifiquem os requisitos migratórios antes da viagem, já que as companhias aéreas podem ser responsabilizadas pelo transporte de pessoas sem documentação adequada.

Golpes acompanham a digitalização

Com a popularização dessas autorizações, também crescem os riscos de fraudes. Sites falsos podem imitar páginas oficiais, cobrar taxas abusivas ou coletar dados sensíveis de viajantes.

A recomendação é verificar sempre o domínio do site, evitar links patrocinados suspeitos e desconfiar de promessas de aprovação garantida. Autorizações eletrônicas legítimas não eliminam o controle de imigração na chegada; apenas permitem que o passageiro viaje até o destino.

O que muda no planejamento dos brasileiros

Para quem pretende viajar em 2026, o checklist internacional precisa ser mais abrangente. Além de passaporte, passagem e hospedagem, o viajante deve verificar:

Antes da compra da passagem

Confirme se o país exige visto, autorização eletrônica ou ambos, dependendo do motivo da viagem.

Antes do check-in

Confira se a autorização foi aprovada e se os dados coincidem exatamente com os do passaporte.

Durante conexões

Verifique se o país de trânsito exige autorização mesmo para conexões ou para passagem por controle migratório.

Na chegada

Tenha reservas, comprovantes financeiros, seguro viagem e passagem de retorno acessíveis.

Tendência sem volta

A digitalização das fronteiras reflete um mundo com maior fluxo de passageiros e maior pressão por segurança. Para os governos, o modelo permite a análise antecipada. Para companhias aéreas, reduz os riscos operacionais. Para turistas, exige organização.

O dado mais importante é que viajar ficou mais digital, mas não necessariamente mais simples. O passageiro bem informado tende a evitar atrasos, recusas de embarque e gastos inesperados.

Em um cenário de turismo internacional aquecido, quem pretende sair do Brasil nos próximos meses deve tratar a documentação digital como parte essencial da viagem, tão importante quanto escolher o destino ou comprar a passagem.

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