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A maquiagem não pega mais”: o sinal no espelho que leva cada vez mais mulheres à blefaroplastia

Sombra que some na dobra, delineado que borra, olhar cansado na foto: cirurgiã oculoplástica Dra. Lara El Andere explica por que a cirurgia das pálpebras cresce

Redação Jornal de Brasília

22/07/2026 14h53

Ela começa o dia como sempre fez: espelho, pincel, sombra, delineado. Mas há algum tempo o resultado não é mais o mesmo. A sombra desaparece dentro da dobra da pálpebra minutos depois de aplicada. O delineado borra porque a pele de cima encosta na de baixo. O rímel mancha a pálpebra. E quando a maquiagem finalmente fica pronta, a foto mostra outra coisa: um olhar pesado, caído, com ar de cansaço que não corresponde à energia que ela sente.

Essa cena, repetida diariamente em frente a espelhos de todo o país, é hoje uma das portas de entrada mais comuns para a blefaroplastia — a cirurgia que remove o excesso de pele e trata as bolsas das pálpebras. O procedimento vem crescendo de forma consistente no Brasil, um dos líderes mundiais em cirurgia plástica, e tem um perfil de paciente muito característico: mulheres a partir dos 40 anos que nunca operaram nada na vida.

O teste que quase toda paciente faz em casa

Antes mesmo de procurar um consultório, a maioria das pacientes já fez, intuitivamente, o próprio “exame”. É o gesto de ficar em frente ao espelho e puxar delicadamente a pele da pálpebra para cima com a ponta do dedo — e reencontrar, por alguns segundos, o olhar de dez ou quinze anos atrás.

“Esse gesto é quase universal no consultório. A paciente senta, levanta a pele da pálpebra com o dedo e diz: ‘eu queria isso aqui’. Ela não quer mudar o rosto, não quer outro olho, não quer parecer outra pessoa. Ela quer o olhar dela de volta”, conta a Dra. Lara El Andere (CRM-SP 162.034 | RQE 77.465), cirurgiã oculoplástica que atua em São Paulo e tem a blefaroplastia como principal procedimento de sua rotina cirúrgica.

Segundo a especialista, essa é uma diferença importante em relação a outras cirurgias estéticas. “Na pálpebra, o desejo quase nunca é de transformação. É de recuperação. Por isso o resultado natural não é só uma preferência — é o próprio objetivo da cirurgia.”

Por que a maquiagem ‘para de funcionar’

Com o passar dos anos, a pele das pálpebras — a mais fina do corpo humano — perde colágeno e elasticidade. Aos poucos, o excesso de pele se acumula e avança sobre a pálpebra móvel, aquela faixa onde a sombra é aplicada. Ou seja, a “tela” da maquiagem simplesmente desaparece sob a pele que desceu.

Além disso, o contato constante entre a pele em excesso e a base dos cílios faz o delineado borrar e a sombra migrar. Não é a maquiagem que piorou, nem a técnica: é a anatomia da região que mudou. Cremes, sérums e procedimentos com tecnologias podem melhorar a qualidade da pele, mas nenhum deles remove pele. Quando há excesso estabelecido, o tratamento definitivo é cirúrgico.

“Recebo muitas pacientes que investiram anos em cosméticos e procedimentos na região dos olhos e chegam frustradas. Eu explico que não é que nada funcionou — é que cada recurso tem um limite. Quando existe sobra real de pele, só a blefaroplastia resolve”, afirma a Dra. Lara.

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Crédito da imagem: foto da dra Lara

A primeira cirurgia da vida

Um dado chama a atenção no perfil de quem procura o procedimento: para a grande maioria, a blefaroplastia é a primeira cirurgia estética — e muitas vezes a primeira cirurgia da vida. Isso traz para a consulta um conjunto muito particular de dúvidas e receios.

O medo de anestesia geral é um dos mais frequentes, e costuma se desfazer logo na avaliação: na maioria dos casos, a blefaroplastia é realizada com anestesia local e sedação leve, em ambiente hospitalar, com alta no mesmo dia. O paciente dorme tranquilo durante o procedimento, que dura em média de uma a duas horas, e vai para casa sem internação.

O segundo grande receio é o resultado artificial. “A pergunta que mais escuto é: ‘vou ficar com cara de operada?’. E a resposta é que uma blefaroplastia bem indicada e bem executada não muda o formato do olho nem a expressão. As pessoas ao redor notam que a paciente está com um ar mais descansado, mais bonita . Esse é o melhor elogio que uma cirurgia de pálpebra pode receber”, explica a cirurgiã.

Como é a recuperação

O pós-operatório da blefaroplastia costuma surpreender positivamente quem esperava algo sofrido. Nos primeiros dias há inchaço e roxos ao redor dos olhos, controlados com compressas frias e repouso relativo. A dor é leve e bem manejada com analgésicos simples.

Os pontos, quando presentes, são retirados por volta do sétimo dia. Em uma a duas semanas, a maioria dos pacientes já retoma a rotina social e o trabalho, muitas vezes disfarçando os últimos vestígios de roxo com óculos ou maquiagem leve — já liberada nessa fase, agora com uma pálpebra que, finalmente, volta a “segurar” a sombra. O resultado se refina ao longo das semanas seguintes, conforme o inchaço residual desaparece por completo.

A escolha do especialista

A pálpebra é uma estrutura delicada, fina e em movimento constante — pisca-se cerca de quinze a vinte mil vezes por dia. Por isso, a avaliação para a blefaroplastia vai além da pele em excesso: envolve analisar a posição das sobrancelhas, a simetria entre os dois lados, a lubrificação ocular e as características individuais de cada rosto.

Esse é o campo da oculoplástica, subespecialidade dedicada exclusivamente à cirurgia plástica da região dos olhos. A Dra. Lara El Andere é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) e atende em duas unidades na capital paulista, no Tatuapé e nos Ibirapuera, com rotina dedicada às cirurgias palpebrais e ao rejuvenescimento da região periocular.

“Meu conselho para quem está pensando no assunto é simples: vá a uma consulta sem compromisso de operar. A avaliação existe justamente para entender o caso, tirar dúvidas e alinhar expectativas. Muitas pacientes saem da consulta aliviadas só de descobrir que aquilo que as incomoda há anos tem solução — e que a solução é mais tranquila do que imaginavam”, conclui a Dra. Lara.

Para quem já se pegou puxando a pele da pálpebra em frente ao espelho, talvez seja esse o próximo passo natural: transformar o gesto do dedo em um olhar descansado que aparece todos os dias — na foto, na maquiagem e no espelho.

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