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Miolo Wild Trebbiano 2023

Segundo a Miolo, esse vinho foi pensando para o público jovem, que valoriza uma bebida leve, frutada e fácil de beber

Foto: Divulgação

Ao iniciar essa matéria, pensei em colocar “de um antigo vinhedo”, mas aí parei e pensei, 1978 é o ano que nasci, e não sou antiga, rs! Mas para um vinhedo, podemos dizer que sim, é antigo.

O mais importante dessa matéria é informar leitor apaixonado pelo mundo do vinho e apreciador do produto nacional que esse é o novo rótulo da Miolo, que se originou de um árduo trabalho da equipe de viticultura e enologia para o resgate dessa variedade de uva, que estava entre algumas “vinhas velhas”. Será o primeiro branco a integrar o time de vinhos vinificados com menos intervenção na adega, fermentação alcóolica com leveduras indígenas e sem adição de sulforoso (SO²).

Segundo a Miolo, esse vinho foi pensando para o público jovem, que valoriza uma bebida leve, frutada e fácil de beber. O Miolo Wild Trebbiano vem do vinhedo plantado em 1978 pela Vinícola Almadén, em Santana do Livramento, na Campanha Central. Foi de lá, deste ‘vinhas velhas’ com 15,83 hectares, que foram colhidas e selecionadas manualmente as uvas que originaram as 12.827 garrafas elaboradas a partir de fermentação espontânea com leveduras selvagens, sem a adição de sulfitos (SO²) e com o Selo The Vegan Society, como 100% vegano.

Apesar do público-alvo ser o “jovem”, eu pessoalmente discordo, porque, infelizmente, no Brasil começa-se a beber vinho com o malbec. Depois de algumas litragens e experiências, o paladar vai se refinando, e chegamos nos vinhos mais leves, frutados, com complexidade aromática, que são os que têm menos intervenção, os mais naturais. Não sei, sinceramente, se um iniciante no mundo do vinho consegue compreender um exemplar mais natural. Penso que esses vinhos são para pessoas com um pouco mais de experiência no mundo do vinho e que não têm medo de arriscar.

Sobre a vinificação

O vinho se diferencia devido ao seu processo de elaboração. A vinificação começa com a seleção e desengace total dos cachos, sem esmagamento. Depois, ocorre a maceração pelicular a frio por 48 horas, em tanques severamente inertizados. A prensagem é rápida e em ambiente inerte, em prensa pneumática. A clarificação estática do mosto flor acontece a frio, e a fermentação alcoólica se dá a 14°C em tanque de inox, com leveduras indígenas. Depois da fermentação malolática de forma espontânea, é feita a filtração e estabilizações tartárica e protéica, sem a adição de sulfitos.

O rótulo traz as cores da bandeira da Itália e a seguinte frase: ‘Trebbiano è una dele prime varietà che gli immigranti italiani hanno portato al brasile’, que significa ‘Trebbiano é uma das primeiras variedades que os imigrantes italianos trouxeram para o Brasil’.

Foto: Divulgação

Chegada da uva Trebbiano ao Brasil

Os primeiros registros da Trebbiano no Brasil são de 1886, trazida pelo imigrante da Toscana, Antonio Pieruccini, para o Campo dos Bugres, hoje Caxias do Sul. Somente 92 anos mais tarde é que a casta ganhou os campos da Campanha Gaúcha, recebendo investimento da Almadén.

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Desde então, o vinhedo sempre foi mantido na propriedade. Com a idade de 45 anos, este ‘vinhas velhas’ já faz parte da história da vitivinicultura brasileira, resgatando um fazer antigo dos grandes brancos de outrora. Para a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), para um vinhedo ser considerado vinhas velhas é preciso ter mais de 35 anos, além de 85% de sua área original.

Foto: Divulgação






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