O Japão levou vinho à ProWine São Paulo. Em uma feira na qual França, Itália, Portugal e os vizinhos sul-americanos são presenças habituais, encontrar garrafas japonesas foi uma oportunidade de conhecer uma produção ainda pouco difundida no Brasil. A participação do país, que também incluiu saquês e licores, esteve entre as descobertas da edição realizada de 6 a 8 de outubro no Expo Center Norte.
A sétima ProWine recebeu mais de 25 mil visitantes e reuniu cerca de 2 mil produtores de 43 países, segundo a organização. Pela primeira vez, a feira ocupou os pavilhões Branco e Azul. A expansão abriu espaço para novas participações e para produtores que chegaram a São Paulo ainda à procura de quem importasse seus vinhos. Para os compradores, foi uma ocasião de encontrar rótulos que dificilmente apareceriam em uma seleção convencional.
No caso japonês, a apresentação aos profissionais brasileiros faz parte de um trabalho comercial recente. Em relato publicado às vésperas da feira, o empresário André Nakandakari contou que havia trazido aproximadamente 6 mil garrafas do Japão. Enquanto a carga aguardava o desembaraço aduaneiro, a participação seria feita com amostras transportadas separadamente, em parceria com uma importadora especializada. O episódio dá uma ideia do caminho entre descobrir uma nova origem e encontrar seus vinhos à venda.

Mesmo nas regiões mais conhecidas, havia produtores e vinhos pouco familiares ao mercado brasileiro. Foi o caso da Liébart-Régnier, maison de Champagne que escolheu a feira para sua primeira incursão comercial na América do Sul. Marion e Laurent Liébart apresentaram uma cuvée com as sete castas históricas da região, incluindo variedades raras como Arbane, Petit Meslier e Pinot Blanc.
A casa mantém essas uvas em seus vinhedos ao lado das mais difundidas Chardonnay, Pinot Noir e Meunier. A maison levou também o Les Sols Bruns Brut, seu primeiro rótulo orgânico, apresentado oficialmente em São Paulo. A novidade tinha, portanto, nome e procedência: uma pequena produtora familiar, sem presença anterior no mercado sul-americano, em busca de importadores para vinhos que mostram uma face menos conhecida de Champagne.

O interesse pelas castas menos usuais levou a outra descoberta, desta vez no estande da Monte Dictis. A importadora apresentou o Commandaria, do Chipre, em uma degustação que incluiu vinhos doces gregos de Patras e de Santorini. Elaborado com Xynisteri e Mavro, o Commandaria utiliza uvas secas ao sol antes da vinificação, o que concentra seus açúcares.
O exemplar apresentado, da vinícola KEO, foi acompanhado de uma explicação sobre o método de amadurecimento Mana, no qual as barricas conservam parte do vinho mais antigo ao receberem vinho mais jovem. A presença do embaixador do Chipre no Brasil, Vasilios Philippou, deu destaque à apresentação. Trata-se de um vinho de tradição antiga, mas ainda uma descoberta para muitos compradores brasileiros.
A produção nacional também trouxe combinações capazes de despertar curiosidade. Entre os lançamentos estava o Rosso Autorale, da Cave Antiga, vinícola de Farroupilha. O corte reúne 70% de Tannat de Santana do Livramento, na Campanha Gaúcha, e 30% de Schönburger de Cotiporã, na Serra. A união de uma uva tinta de estrutura marcante com uma variedade branca aromática pouco conhecida no país foi uma das propostas menos convencionais apresentadas nesta edição.
A Schönburger acrescenta ao vinho uma contribuição que dificilmente se presumiria apenas pela cor da bebida. É o tipo de lançamento que justifica uma conversa com o produtor: interessa saber por que as variedades foram combinadas, o que cada uma oferece e como o corte foi elaborado. Aqui, a novidade está na escolha enológica, ainda que se trate de um vinho produzido em uma região já consolidada.
Essas descobertas não chegarão ao consumidor ao mesmo tempo. Algumas já integram catálogos de importadoras; outras dependem de acordos iniciados na feira. Para quem procura conhecer vinhos diferentes, ficam nomes para acompanhar: os vinhos japoneses, o champagne de sete castas da Liébart-Régnier, o Commandaria cipriota e o encontro entre Tannat e Schönburger da Cave Antiga. São garrafas concretas para procurar depois da ProWine.