Menu
Três Poderes
Três Poderes

Toda eleição é competitiva e eu respeito muito a decisão do eleitor

Deputado federal Júlio César é o entrevistado da Coluna Três Poderes

Marcelo Chaves

28/09/2026 22h23

Atualizada 29/09/2026 22h38

whatsapp image 2026 09 29 at 21.38.17

Fotos: Arquivo Pessoal

Advogado, pastor e político brasileiro, atualmente exercendo o mandato de deputado federal pelo Distrito Federal, o parlamentar Júlio César conversou com o JBr. Filiado ao partido Republicanos, ele possui uma trajetória política consolidada na região da capital federal.

O Republicanos confirmou aliança com a governadora Celina Leão (PP) e indicou Gustavo Rocha para a vaga de vice. Como essa chapa pretende responder às principais demandas sociais do DF nos próximos anos?

A nossa aliança parte de um compromisso muito claro: dar continuidade ao que avançou no Distrito Federal e enfrentar aquilo que ainda precisa melhorar. A população quer uma saúde mais eficiente, segurança, educação de qualidade, emprego e políticas públicas que cheguem de verdade às regiões administrativas. O Republicanos chega para somar a esse projeto com experiência de gestão e capacidade de diálogo. Tenho defendido ao longo do meu mandato políticas voltadas às famílias, às mulheres, às crianças, às pessoas idosas, ao esporte e à inclusão social. Também temos trabalhado para garantir recursos para o Distrito Federal e transformar esses recursos em serviços na ponta. É essa visão que queremos fortalecer ao lado da governadora Celina Leão e de Gustavo Rocha: um governo presente, que escute as comunidades e tenha capacidade de entregar resultados.

Recentes pesquisas do instituto Igape mostram o partido com forte concorrência interna e externa para a Câmara dos Deputados. Como o senhor avalia o seu espaço de reeleição e o crescimento da bancada do partido frente a esse cenário competitivo?

Toda eleição é competitiva e eu respeito muito a decisão do eleitor. Não trabalho olhando apenas para pesquisa ou para quem está disputando espaço. Meu foco é apresentar aquilo que construímos durante o mandato e o que ainda queremos fazer pelo Distrito Federal. Tenho uma trajetória de trabalho que passa pelo esporte, pela proteção das crianças no ambiente digital, pela defesa das mulheres, das pessoas idosas e das famílias. Temos leis aprovadas e projetos importantes em andamento. O Republicanos tem quadros fortes e acredito que tem condições de ampliar sua representação. Da minha parte, vou continuar fazendo o que sempre fiz: estar nas cidades, conversar com as pessoas, prestar contas do mandato e apresentar propostas. A decisão final sempre será da população.

A sigla declarou apoio à pré-candidatura de Bia Kicis (PL) ao Senado. Como conciliar as diferentes nuances da direita e do centro no DF para manter uma base de apoio sólida?

Estamos apoiando, sim, as candidaturas de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro. Estamos em campanha para elegê-las. Política se constrói com diálogo e com convergência em torno daquilo que é essencial. Existem diferenças naturais entre partidos e lideranças, mas também existem princípios e objetivos que nos aproximam. Temos uma relação de respeito e parceria tanto com a Bia Kicis quanto com a Michelle Bolsonaro, pois entendemos que elas representam pautas importantes para uma parcela expressiva da população do Distrito Federal. Ao mesmo tempo, queremos construir uma base ampla, capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade. O que deve nos unir é o compromisso com Brasília, com as famílias, com a geração de oportunidades, com a segurança e com uma gestão responsável. Não precisamos pensar exatamente igual em tudo para trabalhar juntos naquilo que é importante para a população.

whatsapp image 2026 09 29 at 21.38.17(1)
Fotos: Arquivo Pessoal

Diante do rápido envelhecimento da população brasileira apontado pelos censos demográficos, o senhor defende que o Parlamento trate os direitos dos idosos como prioridade máxima. Quais lacunas no Estatuto do Idoso a sua atuação legislativa busca preencher imediatamente?

O Brasil está envelhecendo e nossas leis e serviços públicos precisam acompanhar essa transformação. Não basta garantir direitos no papel. Precisamos assegurar autonomia, inclusão, atendimento digno e proteção contra o abandono e a violência. Neste ano apresentei propostas muito concretas nessa direção. O PL 557/2026 garante apoio humano às pessoas idosas nos serviços públicos digitais, porque a tecnologia não pode se transformar em uma barreira de acesso. O PL 558/2026 assegura condições adequadas às pessoas idosas em concursos, exames e processos de habilitação profissional, ampliando oportunidades para quem deseja permanecer ou retornar ao mercado de trabalho. Essa proposta, inclusive, já teve parecer aprovado na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. Mais recentemente, apresentei o PL 4.827/2026, para fortalecer os Centros-Dia para a Pessoa Idosa, oferecendo atendimento durante o dia, convivência, autonomia e apoio também aos familiares e cuidadores. Minha prioridade é fazer com que envelhecer no Brasil não signifique perder autonomia, oportunidades ou dignidade.

O senhor contabiliza mais de 150 projetos apresentados ao longo da trajetória parlamentar. Quais são as prioridades absolutas na área de assistência social e saúde da família que o senhor tenta sancionar ainda este ano?

Minha prioridade é trabalhar em políticas que alcancem a família antes que o problema se transforme em uma situação ainda mais grave. Isso passa pela proteção das mulheres, das crianças, das pessoas idosas e das pessoas com deficiência, além do fortalecimento da prevenção em saúde. Temos avançado em várias dessas áreas. O Julho Laranja, por exemplo, tornou-se lei nacional e estabelece ações de conscientização, prevenção e diagnóstico precoce de problemas de saúde bucal em crianças. Na proteção às mulheres, temos projetos para endurecer a legislação contra a violência doméstica, fortalecer as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e ampliar os mecanismos de denúncia e proteção. Na assistência social, uma das prioridades recentes é justamente fortalecer os Centros-Dia para as pessoas idosas, ajudando não apenas quem precisa do atendimento, mas também as famílias e os cuidadores. E continuamos destinando recursos para a saúde do Distrito Federal. Esse é um trabalho que une legislação e orçamento: criar políticas públicas e ajudar a garantir os recursos necessários para que elas funcionem.

Sendo um deputado federal eleito pelo Distrito Federal, como tem sido o diálogo com o Governo Federal para garantir que os repasses do Fundo Constitucional do DF não sofram contingenciamentos que afetem a segurança, saúde e educação locais?

O Fundo Constitucional não pode ser tratado como privilégio do Distrito Federal. Ele é uma garantia constitucional e está diretamente ligado à capacidade de Brasília oferecer segurança, saúde e educação à população e cumprir sua responsabilidade como capital da República. Independentemente de quem esteja no Governo Federal, minha posição é defender os interesses do Distrito Federal. Esse diálogo precisa existir no Congresso, com o Executivo e junto à bancada do DF. Sempre que houver qualquer tentativa de reduzir, limitar ou alterar recursos que pertencem a Brasília, precisamos atuar de maneira conjunta. Nesse tema não cabe disputa partidária. Estamos falando do funcionamento da nossa segurança pública, dos hospitais, das escolas e de serviços essenciais para milhões de pessoas. Meu compromisso é continuar trabalhando para preservar integralmente esses recursos e garantir que o DF receba aquilo que lhe é assegurado constitucionalmente.

Como o senhor avalia o equilíbrio entre as suas funções como vice-líder partidário na Câmara dos Deputados e a necessidade de se manter presente fisicamente nas comunidades e regiões administrativas do DF?

Uma função complementa a outra. Estar na Câmara me permite participar das grandes decisões nacionais e defender os interesses do Distrito Federal. Mas nenhum mandato pode ficar restrito aos corredores do Congresso. É nas regiões administrativas que eu escuto quem está esperando uma consulta, quem precisa de uma oportunidade, os profissionais do esporte, os comerciantes, as lideranças comunitárias e as famílias que convivem diariamente com os problemas da cidade. Eu procuro fazer justamente essa ponte: ouvir nas ruas e levar essas demandas para dentro do Parlamento. Para mim, presença não é apenas visitar uma comunidade; é voltar à Câmara sabendo exatamente quais problemas precisam virar projeto, recurso, articulação ou cobrança ao poder público.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado