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Sem Firula

Até Moscou…

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A seleção brasileira, enfim, está matematicamente classificada para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Faço questão de ressaltar o matematicamente porque, vamos falar a verdade, na bola já havíamos garantido nosso lugar há tempo. A vitória sobre o Paraguai, na noite de quarta-feira, no Itaquerão, apenas confirmou o que percebemos desde que Tite assumiu o comando da equipe: voltamos a jogar com alegria. E não há nada melhor do que trabalhar com o que se gosta, da forma como se gosta, com quem se gosta.

Uma verdade deve ser dita: o Paraguai foi o adversário mais difícil que enfrentamos na Era Tite. Jogou bem, armadinho, marcando duro – umas poucas vezes apelou para a violência, vamos falar a verdade, principalmente em cima de Neymar.

Aliás, antes de prosseguir, Neymar merece um tratamento diferenciado. Como, por sinal, tem sido suas atuações. Desde os Jogos Olímpicos já podemos perceber um Neymar diferente na seleção brasileira. Mais solidário, menos “reclamão”, menos “cai-cai” e muito, mas muito mais importante para o time como um todo. E contra o Paraguai tudo isso aconteceu. Não fosse o pênalti batido com alguma displicência (se bem que dizem que pênalti mal marcado não entra…), seria uma atuação digna de nota 10. Neymar apanhou, muito, mas soube manter a calma. Nem mesmo suas habituais ironias (quem nunca o viu ficar rindo debochadamente de um marcador?) foram vistas. E ele acabou com o jogo.

Dito isto…

A seleção brasileira, contando com o apoio irrestrito da galera, não se desesperou nem mesmo quando o gol demorou a sair. Como o Paraguai marcava bem, repito, estava realmente difícil penetrar na defesa guarani – e pudemos perceber como, efetivamente, Gabriel Jesus faz falta à equipe. Fagner, apesar dos chapéus aplicados nos adversários, demonstrava timidez no apoio ao ataque. Marcelo parecia não estar recuperado das críticas à má atuação diante do Uruguai. Mesmo assim, seguíamos. Cientes de que a vitória colocaria o “matematicamente” juntinho à palavra “classificado”, o Brasil não se desesperava.

Tivemos de esperar o fim do jogo entre Peru e Uruguai para começar a pensar nas passagens e hotel na Rússia. A comissão técnica já avisou que vai buscar concentração em uma grande cidade. Ponto positivo. Por ser um país totalmente diferente dos que estamos acostumados (não dá para comparar o estilo de vida russo com o alemão, italiano ou francês, por exemplo), não vale a pena buscar isolamento. Ou melhor, explicando para que não fiquem dúvidas: a seleção precisará de concentração total (como vem acontecendo até agora), mas isso não significa que deverá isolar-se do mundo durante o Mundial. Vejam o que fez, por exemplo, a Alemanha quando esteve aqui em 2014.

Será muito importante, por exemplo, que Tite e mais um ou dois auxiliares estejam presentes na Copa das Confederações. Importante para ver “o clima” da torcida, importante para observar os donos da casa, importante para ver Portugal e Chile… A seriedade do trabalho realizado até aqui não pode ser deixada de lado em momento algum. Para os mais esquecidos devo dizer que “o Brasil de Tite”, que venceu os oito jogos que realizou somando, portanto, 24 pontos, seria líder das eliminatórias ao lado da Colômbia que precisou de 14 jogos para alcançar este total.

Por isso, pela seriedade como o trabalho vem sendo desenvolvido, não gostei das declarações de Tite quando soube da classificação assegurada. O treinador promete aproveitar os jogos que faltam (Equador, Colômbia, Bolívia e Chile, nesta ordem) para realizar alguns testes na equipe. Não, não é momento para isso.

Seria importante manter o ritmo e o desejo de vencer – não estou falando que os eventuais substitutos não entrariam em campo com os mesmos objetivos –, além de aprimorar ainda mais o sistema de jogo utilizado. Talvez fosse interessante, isso sim, pensar em alternativas táticas, prevenindo-se de alguma partida “mais encardida” contra adversários que se fechem melhor ou possuam talentos individuais mais presentes do que os nossos adversários continentais.

Sem contar que várias outras seleções dependem dos resultados combinados até o término das eliminatórias para definirem se irão ou não para a Rússia. Hoje, a Argentina está encarando uma repescagem. E sua situação pode piorar ainda mais porque o próximo jogo será contra o Uruguai, que vem de duas derrotas (Brasil e Peru), em Montevidéu. Se o Brasil perder para o Equador (adversário da estreia de Tite…), os argentinos poderão cair para sexto lugar, complicando de vez sua vida, ainda mais com a possível ausência de Messi – cito possível porque já disseram que irão recorrer da punição.


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