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A Caixa preta de Mark Zuckerberg

Por Theófilo Silva 20/10/2021 1h55
Donald Trump e Mark Zuckerberg. Foto: Casa Branca/Facebook Donald Trump e Mark Zuckerberg. Foto: Casa Branca/Facebook

Mark Zuckerberg está na berlinda. O geniozinho de origem judaica, filho de um dentista de classe média, criador do facebook, a rede social mais popular do mundo, que ficou bilionário aos 27 anos de idade – hoje ele tem 37 anos e é o quinto homem mais rico do planeta, com uma fortuna em torno de 700 bilhões de reais – foi desmascarado.

Sua ambição desmesurada por dinheiro e poder gritam nas redes, depois que a ex-funcionária Frances Haugen, enojada com o comportamento criminoso da empresa, resolveu denunciar os abusos cometidos pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, as três gigantes de propriedade do monstrinho com cara de bom moço. Mark foi depor numa CPI do Congresso americano três anos atrás, quando negou todas as acusações que pesavam sobre sua empresa que manipula nossas vidas minuto a minuto. Mas era tudo verdade. Agora, a possibilidade de Zuckerberg se afastar ou ser afastado do comando da empresa já é uma realidade.

O fato do Facebook, Instagram e WhatsApp terem saído do ar por mais de seis horas na semana passada, chamaram ainda mais a atenção para a nossa dependência das empresas de Zuckerberg. Ele já é apontando como líder da engenharia do caos, da arquitetura da destruição que semeia ódio em suas plataformas digitais. Ficou claro que objetivo único da empresa é obter engajamento, engajamento e engajamento… E como o ser humano é movido pelas paixões, o ódio é o maior movimentador desse comportamento. As fake news, notícias falsas, são o pilar no qual está assentado o facebook. O escândalo da Cambridge Analytica, que usou indevidamente dados de 87 milhões de usuários do facebook, nos EUA, para influenciar as eleições presidenciais foram feitas com o apoio de Zuckerberg! Foi ele quem elegeu o fanfarrão fascista Donald Trump, o primeiro presidente americano que tentou dar um golpe de estado em quase duzentos e cinquenta anos de democracia na América.

Hoje, boa parte dos malucos incompetentes e perversos que estão no poder no mundo são fruto do trabalho das mídias sociais controladas por Zuckerberg. Mark Zuckerberg vem se juntar a Jeff Bezos, da Amazon, considerado um péssimo patrão e Elon Musk, da Tesla, um psicopata negacionista, como bilionários que relembram os “Robber Barons”, os “barões ladrões” do início do século XX, Jay Gould, John D. Rockfeller, John J. Astor que fizeram fortuna formando monopólios, trustes, fazendo negócios sujos, explorando trabalhadores e outras práticas criminosas envolvendo petróleo e ferrovias. Até que enfrentaram a fúria do presidente Teddy Roosevelt, que trabalhou incansavelmente para quebrar os monopólios e diminuir o poder destrutivo desses monstros podres de ricos.

Não esqueço que o Facebook proibiu uma postagem minha com a célebre pintura “A criação de Adão”, de Michellangelo, existente no teto da Capela Sistina, dentro da Catedral de São Pedro, no Vaticano, porque ela “viola a política de segurança do facebook”. Dá pra acreditar? O fato de Adão estar nu, em uma das pinturas mais famosas do mundo, agrediu a rede social. Mesmo que eu tenha apelado, eles não liberaram a postagem! No entanto, o Facebook aceita milhões de postagens de fascistas atacando minorias e propagando mentiras, as mais perversas, o tempo todo, empoderando psicopatas mundo afora, simplesmente porque isso gera mais usuários.

O Instagram está fazendo misérias com a juventude, afetando sua saúde mental, se tornando um vício tão destruidor quanto drogas ilícitas, atacando oito em cada dez jovens. Nas mulheres o índice chega a quase 90%. Manipulação do vício, é isso que as redes sociais, assustadoramente, estão fazendo. A caixa preta de Zuckerberg precisa ser aberta!

O mundo está discutindo o poder gigantesco das redes sociais e sua capacidade destrutiva. A União europeia tem aplicado multas pesadíssimas a esse monopólio devasso e cruel. Não dá mais para ficarmos calados. Diante de tanta de malignidade só posso lembrar o desabafo do personagem de Shakespeare, Tímon de Atenas, o milionário falido que virou misantropo, sobre o poder avassalador do dinheiro que move Zuckerberg: “Poeira maldita, prostituta comum de todo gênero humano que semeia a discórdia entre as nações…”. Pois é isso que as redes sociais de Zuckerberg estão fazendo: semeando ódio entre os homens!

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