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Quinto Ato

Loucos uns contra os outros

Por Theófilo Silva 15/06/2021 3h59
Loucos uns contra os outros

Tem um ditado popular muito bonito, estimulante que encontramos emoldurado em alguns ambientes de trabalho, que nos alegra e inspira, tal sua força de expressão. É aparentemente banal, mas diz muito sobre aquele espaço e as pessoas que ali trabalham, e a filosofia que impera, ou seja, que a harmonia entre as pessoas predomina. A mensagem diz o seguinte: “Aqui somos todos loucos uns pelos outros”. Sempre achei essa mensagem muito otimista, descontraída e oportuna.

Digo isso porque nem sempre somos bem recebidos nos ambientes em que frequentamos. Há sempre gente carrancuda, antipática, antissocial que não sabe receber bem as pessoas. E uma mensagem de boas vindas, mesmo silenciosa, exposta para todos verem, provoca um sentimento de empatia, é como um convite para que nos sintamos confortáveis, à vontade para dar início às ações pelas quais chegamos àquele lugar.

Eu falo desse ditado, para usá-lo em seu sentido oposto, nesse momento tenebroso que estamos enfrentando. Pois vejo que o contrário desse comportamento, de pessoas apaixonadas umas pelas outras, que vivem em harmonia, quase não existe mais na sociedade atual, nem mesmo de forma disfarçada. As pessoas estão agindo como loucas umas contra as outras. Olhemos à nossa volta! É como se a sentença fortíssima de Donalbain, em Macbeth, estivesse vigorando entre nós. Vou relembrá-la aqui. Diz Donalbain para seu irmão, em meio a pessoas suspeitas que os rodeavam, logo após o assassinato de seu pai, o Rei Duncam: “Onde estamos, há adagas nos sorrisos”. Sim, hoje os brasileiros carregam facas nos olhares.

Está certo que hoje não está dando mais para ver direito os olhos dos perversos, por conta das máscaras, ou ainda mais, porque a maioria das maldades ocorre no mundo virtual das redes sociais, um espaço que eu prefiro chamar de esgotosfera. Um ambiente em que os perversos se sentem à vontade para caluniar, roubar, e até mesmo matar pessoas com suas mentiras. O mundo virtual tornou-se o ambiente ideal, sombrio, em tempos de epidemia, para que os perversos cometam os mais hediondos crimes. Trata-se de uma mistura de loucos virtuais com Youtubers, disseminando notícias falsas sobre tratamento precoce de Covid e outras aberrações assassinas. Assusta que um senhor de 80 anos, um jornalista veterano, Alexandre Garcia, seja o campeão de notícias falsas, e que venha ganhando dinheiro para fazer isso. Todo esse mundo é provido pelos chamados Hackers, esses novos monstros, ladrões e assassinos travestidos de “gênios da informática”. É inaceitável que esses assassinos não sejam punidos com penas graves. E aqui, no Brasil, esses depravados encontraram no perverso que ocupa a presidência da República o seu maior incentivador.

Tudo o que foi construído pela sociedade brasileira, mesmo com todos os erros e injustiças existentes, está se desvanecendo “No seio do ar impalpável”. A trapaça, a sabotagem, a calúnia, a mentira e por que não dizer, os sete pecados capitais estão sendo praticados como nunca antes no Brasil. O povo já não aguenta mais tanta irresponsabilidade, tanta loucura, tanta maldade. A vida em sociedade está sendo destruída por um divisionismo cruel: os que são contra e os que são a favor da vida. E isso por pessoas que conviviam conosco até meses atrás, que achávamos que eram nossas amigas. Por mais louco que isso possa parecer. Alguém pode ser contra a vida? Por que ser contra a vacina é atentar contra sua própria vida?

Por tudo isso, continuo lutando bravamente contra os perversos, e me consolo repetindo a sentença de Shakespeare, em Rei Lear: “Se os céus não enviarem imediatamente seus anjos em forma visível para reprimirem tão vis atrocidades, isso significa que a humanidade devorará a si mesma, como os monstros das profundezas”.

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