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Livros à mão cheia

São os livros que vão abastecer o intelecto da nossa nação e nos livrar dos tempos sombrios em que vivemos

Por Theófilo Silva 30/06/2022 12h26
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Nesse último domingo, estive na Feira do Livro de Brasília. Fui assistir ao lançamento do livro de um amigo e ver as novidades literárias. Confesso que o evento me surpreendeu. Nunca vi tanta gente presente, tanta gente comprando livros, assistindo palestras, debates, lançamentos de livros… e mais: famílias, pais e mães com crianças adquirindo livros infantis, participando de oficinas de entretenimento literário e outras atividades. Tudo aconteceu dentro de enormes galpões semiabertos, com circulação de ar, garantindo maior tranquilidade para as pessoas. Diria que a Feira do Livro, que durou dez dias, foi uma festa só, um feito que precisava acontecer, já que o evento, tradicional na cidade, esteve suspenso nos dois últimos anos por causa da pandemia.

Falei da Feira para falar de livros. É a minha paixão e paixão de todos aqueles que almejam um mundo melhor, que ousam mergulhar no universo das palavras que dizem muito sobre nós, sobre a vida, tornando nossa existência mais rica e mais profunda, que a razão de ser da literatura. Vivemos tempos obscuros, sombrios, difíceis. Estamos cercados pela incerteza e por uma praga que teima em nos por de joelhos, rompendo com nosso dia a dia, costumeiro e secular. Não que a humanidade já não tivesse enfrentado momentos difíceis como esse. Mas é que achávamos que a ciência tivesse nos livrado dessas pragas e epidemias que de tempos em tempos flagelam nossas vidas. E dessa vez a praga representa um momento de virada. Sim, a vida vai mudar muito daqui pra frente.

Estamos enfrentando uma onda de desumanização embalada pelo egoísmo, proporcionada pela tecnologia digital que permitiu que os perversos e os medíocres apoiados pela juventude individualista tivessem vez e voz como nunca tiveram antes. Sim, a humanidade sempre enfrentou ondas assim, desde a antiguidade, mas de flagelo em flagelo, de guerra em guerra, o homem foi avançando e criando um mundo melhor de se viver. Achávamos que continuaríamos avançando, que caminhávamos para uma era de calmaria, em que a paz reinaria. Ledo engano. O que estamos enfrentando agora enterra muitas das conquistas que tivemos nos últimos sessenta anos. A democracia parece estar se esvaindo, o poder do povo pelo povo e para o povo está sofrendo uma debacle (ruína), e os perversos estão tomando o poder em todo o mundo, em particular no ocidente.

Hoje temos um ignorante cercado de ignorantes corruptos governando o Brasil, ou pior, desgovernando a nação, encaminhando-a para o precipício. Portanto, na hora em que vejo famílias, pais e mães levando seus filhos para uma feira literária, isso me deixa esperançoso. Vejo que ainda há saída. Pois somente a educação, a leitura, a cultura são capazes de nos dar um Brasil melhor, um mundo melhor. Assim, nem tudo está perdido. Esse momento de desespero será enfrentado por aqueles que leem e se preocupam e trabalham em prol de um Brasil mais justo, mais letrado, sem fome e menos corrupto.

Pertencem a um dos nossos maiores poetas, Antônio Frederico de Castro Alves, esses versos que nos ensinam a acreditar na leitura, no conhecimento: “Oh! Bendito o que semeia livros à mão cheia e manda o povo pensar. O livro caindo n’alma é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar”. É isso que devemos fazer para mudar o mundo: ler. Pois só o conhecimento pode nos fazer seres humanos melhores, e não um daqueles indivíduos, como diz William Shakespeare, “que não tem o cérebro abastecido, já que nunca comeu papel nem bebeu tinta”, como nosso atual presidente da República. Portanto, viva à leitura! Viva o conhecimento!








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