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Brasil: Um quintal de aberrações

Seria Bolsonaro “Vilão por necessidade ou louco por compulsão celeste”? Isso para usar essa pergunta feita pelo bardo, em Rei Lear

Por Theófilo Silva 09/03/2021 11h54
Brasil: Um quintal de aberrações

As pessoas têm me perguntado, já que Shakespeare imita a vida e tem palavras para tudo, qual de seus personagens pareceria com o nosso atual presidente, tal o nível de insanidade, sadismo, crueldade e covardia ostentada por ele. Seria Bolsonaro “Vilão por necessidade ou louco por compulsão celeste”? Isso para usar essa pergunta feita pelo bardo, em Rei Lear.

O Mal precisa ser combatido, venha ele de onde vier. Todos nós, homens de bem, temos a obrigação moral de enfrentar os perversos. E nesse momento dificílimo que estamos enfrentando, o perverso que nos cerca chama-se Jair Bolsonaro, o Presidente que transformou o Brasil num pária mundial, um “Quintal de aberrações”, pois está matando deliberadamente o povo brasileiro, aproveitando o surto de peste que acometeu a humanidade. Sem contar a roubalheira generalizada que tomou conta do país. Claro que esse trabalho horroroso não é somente dele, embora ele o lidere. Conta com a participação de seus filhos, dos generais que tomaram conta do poder executivo, e uma colaboração efetiva do poder legislativo e dos tribunais superiores. Como somos um povinho frouxo e complacente, incapaz de reagir, estamos morrendo nas ruas, já que não temos mais hospitais que nos acolham.

Respondendo a pergunta dos meus amigos, diria que Jair Bolsonaro é uma figura tão medíocre, tão desprovido de talentos, que fica até difícil arranjar um personagem que possa ser comparado a ele. Os personagens de Shakespeare são dotados de imenso brilho individual, mesmo os coadjuvantes. E Bolsonaro não tem personalidade. Mas, como o que implica aqui é o quesito perversidade, sadismo, depravação da alma, fica mais fácil definir com quem esse Capitão Cloroquina, que semeia ódio e discórdia, oriundo da esgotosfera das redes sociais, se parece.

Diria que Ricardo III e Rei João seriam as personagens que mais se assemelham a esse monstro das trevas. Tanto Ricardo III quanto King John, o Rei João, são incapazes de sentir compaixão. Aliás, não sentem nada, apenas se comprazem com o poder e o usam para praticar o mal e aniquilar tudo ao seu redor. Eram psicopatas, na verdade. Ricardo III resume essa maldade, quando diz para si mesmo, em seu monólogo inicial: “Resolvi portar-me como vilão e odiar os frívolos prazeres destes tempos. Urdi conspirações, induções perigosas, vali-me de absurdas profecias, libelos e sonhos para criar ódio mortal… E se o rei Eduardo for tão leal e justo quanto eu sutil, falso e traiçoeiro…”. Ricardo leva seu irmão à morte e manda degolar os dois jovens príncipes adolescentes, herdeiros do trono. Já o Rei João sem Terra é considerado o pior rei da história da Inglaterra.

Luxurioso, irresponsável, cruel jogou a Inglaterra no caos em guerras internas, e era um covarde que se escondia por trás de uma penca de aduladores. Seu desastrado governo serviu para que os senhores do castelo, os barões, o obrigassem a assinar a Magna Carta, o primeiro simulacro de constituição, em 1216.

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Sei que, nesse momento, muitos de nós pensamos como Hamlet: “Oh, se esta sólida, completamente sólida carne pudesse se derreter, se evaporar e transformar-se em orvalho… Ó Deus! Ó Deus! Como me parecem sem graça, antiquados e vãos todos os usos deste mundo! Que mundo é este? É um jardim que não foi limpo, onde tudo cresce à vontade; um quintal de aberrações…”. O sofrimento é tão grande para aqueles que perderam seus empregos, seu negócio, cônjuges, seus pais, avós, filhos, irmãos, amigos, vizinhos, enfim, que tiveram suas vidas devastadas, que só lhes resta, em seus pensamentos, sumir, evaporar-se. Pedir a Deus para levá-los sem sofrimento, como faz o jovem Hamlet, na Dinamarca corrompida, governada pelo assassino Claudius, seu tio perverso.

Mas, em vez disso, podemos também lutar contra os agressores, nos armarmos de coragem, e enfrentar o tirano, como fez Malcolm, em Macbeth, dizendo: “Dai palavras à dor, a desgraça quando não fala sussurra no fundo do coração, que não aguenta mais até que o parte”. Portanto, “Vamos enfrentar esse sanguinário homicida”. Fora Bolsonaro!

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