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Bolsonaro é o nosso Macbeth

Bolsonaro já teve seu perfil traçado por Shakespeare, em Macbeth

Por Theófilo Silva 23/06/2022 1h31

Para que o Brasil não caminhe para a catástrofe, Bolsonaro precisa ser derrotado. Todas as forças políticas que querem o melhor para o país precisam se conscientizar disso. Uma trégua se faz necessária para combater um mal maior. A chapa Lula/Alckmin, mesmo com contradições, conta com o apoio de cerca de metade do eleitorado segundo todas as pesquisas de intenção de voto e é o que há de melhor para o país.

Não temos hoje um presidente da República nos governando, mas um sabotador da República, um homem que vem desconstruindo quase tudo que foi feito nestes mais de quinhentos anos de história. Apesar de todos os problemas, reveses, roubalheira, judiciário corrupto, compadrio, fome, nós sempre avançamos aos tropeços, sempre tentando melhorar. Agora, nesse desgoverno, estamos caminhando celeremente para trás. Todos os dias uma desgraça é acrescentada a outra. Se não pararmos isso nestas eleições, vencendo Bolsonaro nas urnas, podemos nos preparar para o pior.

O elenco de sabotagens é enorme. Todas as instituições nacionais estão sob ataque por parte do chefe do Poder Executivo e de sua tropa. O alvo mais visível tem sido o Estado de Direito, o STF e o TSE, na figura de alguns de seus juízes, como Edson Fachin, José Roberto Barroso e em especial Alexandre de Morais. Exatamente aqueles juízes que mais defendem a democracia e enfrentam os criminosos que a atacam o tempo todo sob as ordens de Bolsonaro. O caso de Daniel Silveira, o deputado miliciano do Rio de Janeiro, é o caso mais notório.

Não bastasse tudo isso, Bolsonaro sabotou o combate à pandemia de Covid negando a vacina, indicando medicamentos desnecessários, destruindo o Sistema Único de Saúde (SUS) e tomando medidas que só aumentaram a taxa de mortalidade. Uma irresponsabilidade completa, criminosa mesmo. As universidades federais estão sem verbas até mesmo para pagar a conta de água e luz. Bolsonaro enxerga as universidades como um “ninho de comunistas”. A Lei Rouanet de apoio à cultura não recebe mais verbas e a política defesa do meio ambiente vive um retrocesso assustador. A roubalheira por intermédio de emendas secretas (ou ‘emenda Pix’) no Poder Legislativo virou regra. O preço dos combustíveis é o mais alto da história, a taxa de desemprego é enorme, o salário mínimo vale cada vez menos. E por aí vai. A nação vive uma calamidade.

Portanto, somente a união daqueles que têm espírito público, preocupação com a sociedade e compromisso com a democracia podem salvar o país da bancarrota, da catástrofe. Lembro que quando a Alemanha de Hitler atacou a União Soviética, durante a Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill, primeiro-ministro da Inglaterra, visitou a Rússia e fez uma aliança com Stálin. Criticado por isso, por ser anticomunista ferrenho, respondeu, que se Hitler atacasse o inferno ele faria uma aliança com o demônio. Ou seja, Churchill estava dizendo que era necessário enfrentar um Mal maior. É isso que devemos fazer no Brasil nestas eleições.

Bolsonaro já teve seu perfil traçado por Shakespeare, em Macbeth. Vejam que primor de descrição: “As virtudes que tanto esplendor dão aos reis: a justiça, a verdade, a temperança, a constância, a bondade, a perseverança, a misericórdia, a clemência, a piedade, a paciência, o valor, a fortaleza, em mim, não existem o menor traço… Sim, se eu tivesse o poder derramaria no inferno o doce leite da concórdia, perturbaria a paz universal e confundiria toda a harmonia da terra”. Sim, Bolsonaro é essa figura aí!

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