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A Doação de Constantino e as Fake News

Atualmente, um dos perigos que enfrentamos chama-se Fake News (notícia falsa), uma praga que sempre assolou a humanidade

Por Theófilo Silva 29/06/2023 5h03
Foto: Reprodução

A maior Fake News da história foi a chamada Doação de Constantino, um documento forjado, que dizia que o Imperador de Roma, Constantino, teria dado ao Papa Silvestre, no ano de 315, partes da Itália, e territórios fora dela, para a Igreja Católica. “Doação” que muito contribuiu para o enorme poder e influência que a igreja de Roma teve durante toda a Idade Média. Essa mentira durou mais de mil e cem anos, até que Lourenço Valla, em 1440, provou que o documento era falsificado, causando um pandemônio na Igreja. 

Atualmente, um dos perigos que enfrentamos chama-se Fake News (notícia falsa), uma praga que sempre assolou a humanidade, mas que agora é mais frequente, por conta da tecnologia que tornou tudo muito rápido e imediato. Trata-se de uma bomba de potencial devastador, que, em questão de horas, graças às redes sociais, pode destruir vidas, lesar nações e empresas, e cometer outras desgraças. O não combate a essa praga é viver sobre o império do mal. Estamos falando da calúnia publicada, dos criminosos que infestam a imprensa e a internet contando mentiras. Estamos falando de um tipo cruel e covarde, o caluniador: o fabricante de mentiras, de notícias falsas!

E vamos buscar na Bíblia, o livro dos livros, a condenação a essa desgraça em praticamente todos os seus tomos, salmos e profetas. Escolhi apenas uma citação, por ela ser direta, contundente: “Não espalharás notícias falsas, nem dará a mão aos ímpios para seres testemunha de injustiça” – Êxodo – 23.1! Depois do livro de Deus, vamos citar a Bíblia dos Homens: Shakespeare. Diz Hamlet, em uma discussão com Ofélia, sua namorada: “Mesmo que sejas tão pura quanto o gelo, e casta como a neve, não escaparás dos golpes da calúnia”.

Estamos cercados de caluniadores, de canalhas pagos, de desocupados, escondidos em redações, dentro de casa, no trabalho – a pequena Macedônia, da ex-Iugoslávia, é o maior centro de Fake News do mundo –, com um computador na mão produzindo material, textos, vídeos inventando estórias com vistas a destruir reputações, para ganhar dinheiro. Se fôssemos nomear a quantidade de guerras e conflitos que foram provocados por boatos, mentiras e notícias falsas, precisaríamos de mil páginas para fazê-lo. Vou citar três casos. Na Roma antiga, durante a batalha naval de Actium, em 31 A.C, houve uma guerra de informações, em que Otávio, o futuro imperador Augusto, espalhou que Marco Antônio, então amante de Cleópatra, a rainha do Egito, que estava em guerra com Roma, iria mudar a capital do Império para o Egito; inventaram também que Cleópatra tinha se suicidado. Isso fez com que Marco Antônio também se matasse. Foi nessa batalha que o conceito de ocidente e oriente se firmou.

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), durante a invasão da Bélgica, os alemães espalharam um boato de que mulheres franco-atiradoras, matavam os militares alemães, escondidas em cima de árvores. A partir daí os alemães passaram a massacrar a população civil belga. Hoje quem for a Bélgica, vai encontrar o país crivado de cruzes, com a seguinte inscrição “Aqui em 1915,1918 os alemães massacraram 1, 2, 300, 500 pessoas”. Na Segunda Guerra Mundial, Joseph Goebels, ministro da propaganda nazista, o maior criador de Fake News da história, inventou que os poloneses tinham matado os guardas da fronteira alemã. Na verdade, os alemães mataram presidiários e os vestiram com roupas alemãs. Esse Fake deu início à Segunda Guerra.

A humanidade está em guerra contra as Fake News. O grupo Meta, que administra o Facebook e Instagram, é o maior catalisador de Fake News do planeta e enfrentou uma CPI no Senado americano, e Mark Zuckerberg teve que se retratar, e mudar sua política. Resultado, o Facebook minguou, diminuiu de tamanho. Mas, aqui no Brasil, eles conseguiram derrubar a tramitação do PL 2630, o PL das Fakes News, chegando ao ponto de ameaçar os parlamentares de tirar seus conteúdos das Redes. Assustador!

Mas a mais perigosa fonte de Fake News continua sendo o endiabrado WhatsApp, que embora seja extremamente útil e ágil, não deixa mais ninguém dormir, tornando a humanidade ainda mais neurótica e agoniada. Essa rede vai ser muito difícil de controlar! E não vou falar da assustadora Inteligência artificial. Fica para outro momento.

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“Ninguém escapa aos golpes de uma língua caluniadora” diz Shakespeare. Ele mesmo, três séculos depois, tornou-se vítima de Fake News! Invejosos espalharam que ele não escreveu sua obra, e sim um aristocrata: um conde, uma rainha, um duque… Portanto, gente de bem, precisamos nos precaver contra esses perversos. 






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