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A CPI dos Atos Antidemocráticos na CLDF

Depoimento do ex-comandante de operações da PMDF, coronel Jorge Eduardo Naime, me chamou atenção

Por Theófilo Silva 04/05/2023 5h00
Foto: CLDF

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) está fazendo um excelente trabalho de investigação dos lamentáveis e funestos eventos que tentaram destruir a democracia brasileira em 8 de janeiro deste ano. Claro que a CPI não está restrita apenas ao que ocorreu naquela data, mas também à série de fatos anteriores que descambaram nas cenas de violência que destruíram as sedes dos Poderes da República. Aos poucos, os verdadeiros responsáveis estão sendo desmascarados, ao vivo, nos inquéritos ocorridos em plenário.

Após uma reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, em que os parlamentares que compõem a Comissão conseguiram que as investigações não sigilosas em inquéritos conduzidos pelo STF sejam compartilhadas, a CPI ganhou ainda mais força, e novas informações são acrescentadas todos os dias, permitindo uma ampla apuração dos fatos.

Composta por sete membros, a CPI é presidida pelo deputado distrital Chico Vigilante (PT). As sessões ocorrem todas as quintas-feiras e são transmitidas ao vivo pela TV Câmara Distrital. A sociedade tem acompanhado as sessões pelas redes sociais. Um a um, os principais envolvidos nas ações estão sendo chamados para dar explicações sobre a participação na bagunça, sejam como incentivadores, financiadores e participantes. Autoridades, servidores públicos, militares das Forças Armadas, membros das polícias Civil e Federal e integrantes do governo também estão prestando depoimento. A CPI também conseguiu junto à Polícia Federal o compartilhamento dos relatórios com análises dos dados de celulares e quebras de interceptações telefônicas dos envolvidos. Estas medidas são extremamente importantes para a elucidação dos fatos.

Entre os muitos depoimentos prestados por autoridades, um merece destaque. Trata-se da oitiva do ex-comandante de operações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Jorge Eduardo Naime, que se encontra preso por determinação do STF. Segundo ele, o Exército protegeu os vândalos logo após a invasão dos Três Poderes, no dia 08 de janeiro. Para ele, o acampamento na Esplanada era o epicentro de todos os atos golpistas e, naquele dia, o tenente do Exército que comandava a operação impediu que a PMDF prendesse os golpistas, alegando que, aquela área, o gramado, era de uso exclusivo do Exército, portanto, eles não poderiam atuar ali. Eduardo Naime disse anda que o general Dutra não permitiu que eles prendessem ninguém.

Naime disse ainda que participou de várias reuniões com o Exército antes dos atos para a retirada dos acampados no QG, mas as operações sempre eram canceladas em cima da hora. Disse ainda que chegou a colocar 500 policiais à disposição, no final de dezembro de 2022, para desmontar o acampamento, mas, mesmo assim o Exército não permitiu que ninguém fosse retirado. E foi ainda mais longe, afirmando que o acampamento se tornou um antro de prostituição, tráfico de drogas e até estupro. Ou seja, a entrada do QG do exército virou uma “Zona”. E o exército nada fez para impedir isso.

Mas a melhor parte do depoimento do coronel Naime é quando ele diz que os golpistas “viviam num mundo paralelo”, como se pertencessem a “uma seita religiosa”. Um dos membros se apresentou a ele como um extraterrestre (isso mesmo, um ET, acreditem!) e que que seus companheiros desceriam de OVNIs para ajudar o Exército a dar um golpe de estado. Parece mentira, mas é verdade.

Essa divagação confirma a sentença de Shakespeare que eu citei aqui no meu último artigo, Lunáticos e Insanos: “Paixão… Ages de acordo com o irreal, e fazes do nada teu associado”. Foi isso que ocorreu com uma parte desses fanáticos.

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A CPI tem duração de 90 dias, podendo ser prorrogada por mais 60. Como ela começou em 14 de fevereiro, temos ainda mais duas semanas de ação, sem contar a possível prorrogação, já que as investigações estão correndo bem. A Câmara Federal e o Senado também aprovaram a instalação de uma CPI mista que deverá começar brevemente. Aguardemos. E que tudo seja esclarecido e os culpados paguem por seus crimes!






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