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Presidenciáveis se adaptam às redes sociais

Fórmula de influenciadores vira referência. Veja análise de como Bolsonaro, Ciro e Lula estão se comportando na web

Por Danilo Strano 29/06/2022 3h53
Fotos: Divulgação

Em 2008, com a ascensão das redes sociais, em especial do Twitter, a campanha do então candidato à presidência dos Estados Unidos Barack Obama identificou a possibilidade de utilização desse meio para se comunicar com os eleitores. Método pouco utilizado até o momento, logo se transformou em realidade para campanhas políticas de todo mundo.

Em nosso país, a realidade não é diferente. A campanha de 2018 evidenciou a importância das redes sociais como meio de comunicação para os políticos nacionais. Óbvio que lembramos da campanha bem sucedida do presidente Bolsonaro, que em detrimento de outros meios tradicionais, optou por uma comunicação quase que completa via redes sociais. Porém, muitos outros candidatos a cargos em disputa naquele pleito também priorizaram as redes sociais e obtiveram resultados positivos. Não foram poucos os deputados, senadores e até governadores que também priorizaram esse meio.

Pesquisa realizada pelo DataSenado constatou que as redes sociais influenciam o voto de 45% da população brasileira. Com a aproximação das eleições deste ano, as campanhas eleitorais dos presidenciáveis estão cada vez mais apostando na comunicação via redes. Entretanto, nesse pleito a fórmula de se comunicar sofreu uma significativa modificação. Os três candidatos com mais intenções de voto segundo as principais pesquisas, Lula, Bolsonaro e Ciro, estão utilizando os mesmos mecanismos dos influenciadores digitais para alcançar engajamento e autoridade em seus canais digitais.

Comecemos olhando para a campanha de Ciro Gomes. Dos três candidatos, Ciro é talvez quem teve uma transformação mais significativa em suas redes. O candidato, conhecido pelos densos discursos e com referências acadêmicas, adaptou-se totalmente. No momento, ele tem priorizado duas vertentes: os influenciadores gamer e o podcaster. Na primeira, a estética do cenário foi copiada do universo geek; na segunda, tem levado convidados para entrevistas diárias em suas redes.

A campanha de Bolsonaro, com histórico de saber utilizar as redes a seu favor, tem sofrido algumas quedas de alcance e engajamento, fenômeno natural para quem deixou de ter o discurso tão inflamado nos últimos tempos. O candidato faz a linha do influenciador vlogueiro, sempre com vídeos com comentários ácidos sobre os assuntos mais relevantes no dia.

Lula, outro que está com dificuldades em acertar o discurso de suas redes, tem aparecido cada vez mais no mundo digital. Esse candidato faz a linha do influenciador historiador, sempre explicando o histórico dos assuntos pautados e comparando o momento atual com outros momentos.

Se preparem, caros eleitores, para cada vez mais se depararem com conteúdos dos influenciadores/presidenciáveis nas redes sociais. Com o aproximar das eleições, esse método será certamente utilizado demasiadamente pelas campanhas.

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Danilo Strano é cientista político especialista em marketing de influência








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