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O tribunal das redes sociais ataca novamente

Atriz Klara Castanho relata violência sofrida após exposição criminosa

Por Danilo Strano 29/06/2022 3h39
Klara Castanho. Foto: Reprodução

As redes sociais indiscutivelmente trouxeram diversos benefícios para as relações sociais. A facilidade para se conectar a novos amigos, com uma comunicação imediata e de fácil acesso, sem dúvida revolucionou os círculos de amizades em todo mundo. Em nosso país isso não ocorre de forma diferente, mas algo negativo tem surgido nessas novas relações.

Em nossa vida fora da internet, normalmente nos relacionamos com amigos que nos identificamos, procuramos sempre algo que possa nos unir a novas pessoas. Gosto musical, time para o qual torce e preferências políticas são alguns dos motivos que podem nos aproximar de novas pessoas no cotidiano. Nas redes sociais existe um fenômeno diferente. As pessoas não precisam interagir com tanta profundidade, então qualquer motivo serve para uma conexão. Nesse ensejo surgem os “haters”, usuários que se unem para julgar um grupo, ação ou determinada pessoa. Eles não tem uma identificação prévia de afinidades, são motivados apenas pelo ódio e exposição que ganham neste ato. Quanto mais barulho fizerem, mais reconhecimento.

Na última semana, as redes sociais pararam para discutir a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o direito constitucional que garantia o acesso ao aborto legal no país. Como estamos em ano de eleição, essa pauta logo virou um dos assuntos mais comentados no Twitter no Brasil.

Normalmente, os haters atuam assim: aproveitam o assunto mais comentado para se posicionar contra alguma pessoa. Esse ato é conhecido como o “Tribunal das Redes Sociais”, local onde sem garantia nenhuma, uma pessoa julgada por grupos odiosos e cancelada por algum motivo.

A youtuber Antônia Fontenelle é uma liderança do grupo dos haters, sempre se posiciona contra alguma pessoa e mobiliza ataques digitais. Quando o assunto mais comentado das redes virou o aborto, Antonia agiu novamente, sem responsabilidade nenhuma, contou que uma atriz global não tinha abortado, mas tinha rejeitado um filho recém-nascido e dado ele para adoção. Claro que a youtuber não citou o nome com receio de futuros processos, mas deu todos indícios para seus seguidores saberem que se tratava da atriz de 21 anos, Klara Castanho.

Bastou isso para o Tribunal agir. Milhares de pessoas começaram a atacar a atriz sem saber de fato sobre o ocorrido, sem ouvir o outro lado, apenas destilando ódio e se satisfazendo com isso. Poucas horas depois, Klara se manifestou. Não bastasse a exposição criminosa que sofreu, a história não havia sido contada da forma verdadeira. A atriz foi vítima de um estupro e teve que reviver todo ato novamente para explicar a situação para internet.

A situação é tão absurda e criminosa, que Klara preferiu fechar os comentários em suas redes para parar de receber a violência. A atriz fez um relato comovente sobre todo o ocorrido e surpreendeu quando falou diretamente sobre os haters: “Como mulher, eu fui violentada primeiramente por um homem e, agora, sou reiteradamente violentada por tantas outras pessoas que me julgam”.

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As redes sociais podem ser um lugar para conexões rápidas e novas amizades, mas precisam urgentemente deixar de ser lugar para o ódio. Isso machuca e, não poucas vezes, leva até a morte de pessoas.

Danilo Strano – cientista político especialista em marketing de influência








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