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O que é ser homem para você?

Por Lu Miranda 01/11/2023 5h21
Arte: Lu Miranda

Controle das emoções, invulnerabilidade, ser o provedor, virilidade exacerbada e performance sexual impecável são ideias tradicionais sobre o que é a masculinidade.

Essas expectativas do campo da sexualidade fazem muitos homens se fecharem ao menor sinal de que algo saiu do seu controle, não buscando ajuda médica e psicológica, pois é um movimento que indica perda de masculinidade. A disfunção erétil é uma condição que afeta cerca de 52% dos homens entre as idades de 40 e 70 anos, e aproximadamente 90% da população masculina vai ter alguma questão com ereção durante a vida.

Por conta da vergonha, a disfunção erétil é um assunto pouco abordado em consultas, mas altamente medicado. Os remédios para ereção estão no top 3 de medicamentos mais falsificados no mundo, indicando que a demanda é alta, mas a abertura para tratar o assunto de forma explícita é mínima, procurando sempre aquela ajuda “por debaixo dos panos”.

Bombas penianas, viagras e medicamentos similares normalmente estão entre as primeiras escolhas para se tratar e lidar com a disfunção erétil, entretanto, se os motivos por trás dos sintomas não forem compreendidos, o remédio provavelmente não terá o efeito desejado, até porque, dependendo do quão a pessoa está ansiosa para realizar o ato sexual, o remédio não fará efeito se não houver em conjunto um exercício de consciência corporal e respiração.

A educação pornográfica também traz um peso muito grande quando o assunto é ereção. O que ela não mostra, no entanto, é que aquela ereção toda que existe nos filmes é causada muitas vezes por remédios injetáveis, afinal, fazer filmes adultos é um trabalho e como qualquer outro, você se adapta aos estímulos ali presentes e precisa, sim, de outras formas de estímulo para manter a excitação e entusiasmo.

Por não termos acesso a algumas informações relevantes em filmes adultos, desenvolvem-se os famosos “achismos”, criando-se uma realidade própria daquilo que foi assistido, o que atrapalha e muito na construção de um clima sexual interessante e real. Na pornografia não existe um contexto pré-sexo, não se mostra o dia cansativo e angustiante das pessoas que viveram suas vidas reais e que têm seus boletos a pagar. A lubrificação feminina é quase um milagre, além de existir uma incoerência gigante entre gemidos e feições.

Ter uma vida sexual satisfatória e prazerosa vai muito além de uma ereção peniana. Ela inclui comunicação, intimidade e inteligência sexual, autoconhecimento, físico, biológico e emocional, desejo de entrega, criatividade, risadas e prazer. E claro, desejo pela parceria. Pode parecer óbvio, mas é muito comum nos meus atendimentos homens se colocarem em situações de “terem que transar” porque a oportunidade existe, mas não há admiração ou desejo e que brocham, simplesmente porque apesar de terem uma oportunidade a vista a pessoa pode não ser interessante o suficiente. E está tudo bem.

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Eu sei que durante anos da sua vida masculina ter uma ereção exigia apenas um pensamento leviano, todavia, os anos se passaram e você e o seu corpo mudaram, sendo assim, é muito importante redescobrir sua resposta sexual, ou seja, redescobrir como funciona sua excitação e desejo, o que o mantem excitado por mais tempo, e ainda como e em quais momentos sua ereção é mais agradável e satisfatória para você.

Brochar faz parte, e não apenas na nossa vida sexual. Sendo assim, é importante lembrar que nossas emoções e sentimentos estão presentes em nós para nos guiar, sendo assim, se você se sente desconfortável em algum momento para ter uma relação sexual, seja porque está cansado, seja porque os boletos não foram pagos, seja porque você simplesmente não quer, aceite esse lugar e se acolha. Aprenda a receber cuidado da parceria, um cafune cheio de amor e acolhimento pode ser bem mais satisfatório do que uma transa meia bomba.

E compartilhe com sua parceria suas dores, dividir o peso com alguém que ama e confia pode ajudar e muito na conexão, e conexão ajuda e muito no sexo.

Ainda não consegue se abrir? Busque ajuda de uma profissional sexóloga que possa te auxiliar nesse momento. Você não precisa sofrer sozinho, viu?!
Fica a dica.

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