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Histórias da Bola

Vermelhos de jogar bola

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Antigamente, até por volta da década-1970, todo time brasileiro tinha jogador com apelido. Era Tostão, Garrincha, Pelé, Bandolim, Escurinho, Sabará, etc. A partir dos 90, com a crescente saída de atletas para a Europa, os apelidos foram sumindo e os nomes ficando sofisticados. Passamos a ouvir os locutores falando sobre Weverson, Klebson, Werley, Patrick, Neylor, Maikon, grafias assim.

No Bangu, chegou-se a ter dois atletas apelidos pelo mesmo apelido de Vermelho. O melhor dos dois foi registrado e batizado por Roberto Rodrigues, fez 118 jogos e 25 gols pelo clube, entre 1959 a 1966. Ganhou o apelido do outro devido a semelhança física com Hélio Fraga de Oliveira, que havia atuado entre 1950 a 1953 pelo Bangu, autor de 19 tentos em 61 jogos alvirrubros.

Buscado no Americano, de Campos-RJ, o primeiro Vermelho, o Hélio, considerado um bom atacante, era figurinha carimbada não só nas páginas dos jornais, mas, também, nos noticiários policiais. Esteve até envolvido no rapto e estupro de uma jovem com problemas mentais.

Por causa do escândalo, o Bangu mandou Vermelho embora, mas o Corinthians resolveu apostar nele em 1953. Preso, em 1954, ao sair da cadeia, em 1955, foi contratado pelo Flamengo, mas voltou a aprontar, após jogar só uma partida: tentou pegar, na marra, a namorada do massagista rubro-negro, e foi mandado embora.

Mesmo com tanta fama de mau, Vermelho ainda encontrou o Vitória da Bahia disposto a aceita-lo. Tempinho depois,d eram um jeito nele, que foi encontrado, em 1957, no fundo de um poço da pernambucana Olinda.

Já o Vermelho do bem, o Roberto começou a ser titular a partir de 1960. Perdeu e recuperou a vaga, mas deslocado para a ponta-esquerda, especializando-se em até a linha de fundo e chutando, de letra, para o gol.

Em 1963, com a volta de Tim ao Bangu, ele caiu fora, pois aquele o preterira em uma excursão ao exterior e deixaram de ser amigos. Foi, então vestir a camisa do Bahia e ficar vice-campeão da antiga Taça Brasil-1964 ?, decidida conta o quase imbatível Santos de Pelé.

Voltou a ser banguense, em 1964, quando Tim já havia saído, foi vice-campeão carioca e voltou ao Bahia, em 1965. Em 1966 e depois foi jogar pelo Aguila, de El Salvador, pelo qual correu atrás da bola até ficar perto de ser um quarentão.

Assim como dois Vermelho, no Bangu tivemos um Quarentinha no Botafogo e um outro no América; um Sabará no Vasco e mais um no Bonsucesso; um Tostão no Cruzeiro e o do Coritiba, sem falar de vários Garrinchinhas e Pelezinhos.

Faz muito tempo que não temos mais os Zezinho, Joãozinho, Paulinho, Antoninho, porque a vaga deles foi ocupada por Leandro Castan, Pires da Mota, Bruno Henrique, Ivo Sodré e Fernando Miguel, só para citar poucos.


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