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Histórias da Bola

Tri à vista

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Às 16 horas mexicanas (19h, no Brasil) do 3 de junho de 1970, o escrete canarinho estreava na Copa do Mundo, mandando 4 x 1 Tchecoeslováquia e abrindo o caminho para o tri. Mas levou um susto. Passados 10 minutos do apito inicial do juiz uruguaio Ramón Barreto, Clodoaldo demorou a liberar e perdeu a bola, que foi parar nos pés de Petras, que entrou na área, livre, marcou o gol, ajoelhou-se no gramado, fez o sinal da cruz e agradeceu a Deus pelo feito. Esquisito, vindo de um atleta de país comunista, que desprezava o catolicismo.

O time brasileiro, com defesa bem plantada, foi crescendo de produção. Aos 24′, Rivellino, com chute fortíssimo e cobrando falta, igualou o placar. Pelé fazia piques como em seus tempos de garoto (estava com 29 de idade) e criava situações propícias ao desempate, bem como Rivelli e Tostão. Mas os adversários Petras, Kuna e Adamec, também, perigavam. E por 1 x 1 o primeiro tempo foi para o espaço.  

Veio a segunda parte do espetáculo (melhor jogo, até então, daquele Mundial) e o time do treinador Mário Jorge Lobo Zagallo (bicampeão, como atleta, em 1958/1962) mandava avisar que não demoraria a virar o placar. Quase virara, aos 42′, quando Pelé viu o goleiro Viktor adiantado e tentou surpreendê-lo, chutando a bola do meio do campo e fazendo-o, em lance engraçado, sair correndo atrás da pelota, que terminou saindo à sua esquerda.

Aos 60 minutos (para a Fifa), ou 15 da etapa final (para os brasileiros), não teve jeito. Gérson de Oliveira Nunes fez um passe longo, para Pelé, que matou a bola no peito, a desceu no terreno e acertou a rede: Brasil 2 x 1. Aos 75′, mais uma vez, Gérson fez um passe longo, agora para Jairzinho, que aplicou um balãozinho sobre o goleiro Viktor, matou a maricota no peito e escreveu: Brasil 3 x 1.

Ainda haveria mais um show de Jairzinho. Aos 83′, ele driblou vários adversários, pela direita, bateu para o arco, a bola bateu em uma das traves e entrou: Brasil 4 x 1. Para o treinador tchecoeslovaco, Josef Marko, o “Rei” Pelé esteve imarcável e os seus jogadores não tiveram fôlego, durante a etapa final, para ajudar a defesa. Já os seus cartolas preferiam chorar e acusar o bandeirinha peruano Arturu Yamasaki de não ter marcado impedimento no terceiro tento canarinho.

A vitória, no entanto, trouxera um grande prejuízo para Zagallo: a cabeça mais pensante da equipe, a do Gérson, não iria a campo no domingo, diante da Inglaterra. Desde a primeira etapa ele sentira dores musculares e não aceitara sair sem o time na frente do marcador. Tostão, sentindo dor forte no pé direito, e Clodoaldo, no osso ilíaco, foram outros problemas para o médico Lídio Toledo, mas se recuperaram a tempo de vencerem os ingleses, por 1 x 0, com mais um gol de Jairzinho.

O time da então  Confederação Brasileira de Desportos-CBD, atual CBFutebol, formou com Félix; Carlos Alberto Torres (capitão), Brito, Wilson Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Tostão e Pelé. Do outro lado, estiveram:  Viktor; Dobias, Migas, Horvthe Hagara; Hrdlicka, Kuna e Vesely; Petras, Adamec e Joki.


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