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Histórias da Bola

Tabelinha Pelé – Coutinho

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Coutinho andava em baixa com a torcida santista, por causa de algumas atuações apagadas. Mesmo sendo muito jovem – 16 de idade nos costados -, a galera não o perdoava. Principalmente, porque a imprensa fizera tremendo estardalhaço sobre a sua bola, vendendo-a por igual ou superior a de Pelé – companheiro de pensão, em Santos, juntamente com o coringa Lima.

Já que o garoto – batizado e registrado por Antônio Honório – andava devendo talento, o treinador Luís Alonso Peres, o Lula, tirou-o do time, para ele treinar mais e se adequar melhor ao estilo de jogar dos profissionais, pois vinha de um time amador, de Piracicaba, onde era apelidado por Curtinho, que evoluiu para Coutinho.

Foi por ali que surgiu a tabelinha com Pelé. Os dois eram muito amigos e chegavam a trocar confidências de garotões. Preocupado com a recuperação do companheiro, o “Rei do Futebol” tramar umas manhas batendo bola contra uma parede. Deu certo em treinamentos contra o time dos aspirantes, vencendo os becões na maior classe.

– Não era nenhuma novidade, mas prosseguimos com os treinamentos das tabelinhas – contou Coutinho à Revista do Esporte, acrescentando que a sequência permitiu-lhes tabelar sem precisr um olhar para o outro. Sabiam para onde devolver a bola.

No entanto, a tabelinha, até ser aperfeiçoada, demorou algumas temporadas, segundo o antes Curtinho, apelido decorrente de sua pequena estatura durante a sua fase amadorística em sua terra. Segundo ele, quando a dupla conduzia a pelota em direção ao gol, muitas vezes, não dava tempo para as defesas armarem esquemas que evitassem o balanço da rede.

– Eram toques rápidos, de frente para a bola, fazendo o passe nas cosas dos zagueiros – contou à mesma ‘Revista do Esporte’.

As tabelinhas Pelé Coutinho tinham desvantagens, também.

– Levávamos muita pancada dos adversários desleais, além de eu não conseguir respirar quando enfrentava zagueiros que faziam marcação cerrada – revelou Coutinho, pela mesma semanária.

Era comum muitos atletas não conseguiram atuar bem formando dupla atacante com Pelé. Coutinho tinha uma explicação: primeiramente, como disse à revista, o colega estava muito acima (tecnicamente) dos demais. Depois, seria preciso uma convivência maior com o cara, dentro e fora dos gramados, para poder entendê-lo melhor.

Coutinho tabelava legal com Pelé dentro das quatro linhas. Mas tinha um grande adversário: a balança. A imprensa estava sempre chamando-o por gordinho. Ele jurava que a aparência era o seu físico normal, desde os tempos das peladas piracicabanas – o certo, porém, foi que o peso dele não deixou as tabelinhas irem mais longe.


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