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Histórias da Bola

Primeiro e último

Muito provavelmente, você nunca ouviu falar de Mario Eppingaus; Mas, de Romário de Sousa Farias, seguramente, sim. Pois bem! O primeiro marcou o primeiro gol oficial do futebol brasileiro e o segundo o último do Século 20.

Tudo indica que foi em Petrópolis-RJ onde se jogou a primeira partida de futebol no Brasil. E na América Latina. Segundo pesquisas do extinto jornal carioca Correio da Noite, que existiu até 1953, o introdutor teria sido o Professor Alexander, em 1882. Contratado, por José Ferreira da Paixão, para ensinar o inglês, no Colégio Paixão, à Rua do Palatinato, o tal do Mister Alexander teria aproveitado de que os alunos haviam criado, em 14 de maio de 1881, o Foot Rink Clube, e o usado para tornar o Brasil o terceiro país a experimentar a novidade desportiva, regulamentada pelos ingleses e adotada copiada pelos Estados Unidos.

Há relatos de que, em 1886, os alunos do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo-RJ, também praticavam a modalidade. Em 1896, entraria na história um novo colégio petropolitano, o São Vicente de Paula, para o qual o Padre Manuel Gonzales teria trazido, da Europa, as regras da novidade e confeccionado a primeira bola fabricada no país. Depois, a coisa teria rolado por escolas católicas e laicas, de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Mas a história é mais antiga.

Há outros relatos dando conta de marinheiros ingleses já haviam rolado a bola pela praia da Glória, no Rio de Janeiro, em 1874, e que a brincadeira, muitas vezes incluindo convidados brasileiros, fora vista, também, nas beira-mares pernambucanas e de Santos-SP.

Em 1894, quem entra na história é o cara que ficou com a glória de ser chamado de “pai do futebol brasileiro”, Charles Miller, um filho de imigrantes ingleses. Ele estudara durante 10 temporadas na terra dos pais, fora craque por lá e voltou trazendo bolas, regras e uniformes para os times. Na verdade, o que ele fizera fora organizar a coisa. Por aquele ano, já se jogava futebol no subúrbio de Bangu, no Rio de Janeiro, em campo com tamanho oficial e com times uniformizados. Só que não se cumpria bem as regras.

Publicamente, o primeiro jogo de futebol no Brasil ocorreu em 4 de abril de 1894, organizado por Charles Miller, que, de quebra, marcou dois gols em São Paulo Railway 4 x 2 Gás Company, no bairro do Brás, na várzea do Carmo, em frente ao gasômetro da capital paulista. Por aquela época, engenheiros ingleses e comerciantes “brasucas” já haviam criado o clube – em 13 de maio de 1888 – que seria a primeira entidade social-desportiva da capital paulista, o São Paulo Athletic Club, dedicado ao críquete e, depois, o futebol entre 1894 e 1912. Vieram outros tantos, pelo país a fora, dos quais o mais antigo em atividade é o Sport Club Rio Grande, de Rio Grande-RS, nascido em 19 de julho de 1900. O próximo passo seriam os campeonatos estaduais, dos quais os primeiros foram o Paulista, em 1902, o Baiano e o Carioca, em 1906.

ESCRITO NAS ESTRELAS – O primeiro jogo oficial de futebol no Brasil começou às 15h do dia 3 de maio de 1902, no campo do Parque Antarctica Paulista, promovido pela Liga Paulista de Foot-Ball, que iniciava o primeiro campeonato estadual do País. Os adversários eram o Sport Club Germânia e a Associação Athlética do Colégio Mackenzie, que perdeu, por 2 x 1, mas marcou o primeiro gol, contou o jornal “A Província do Estado”:

“No primeiro ‘half-time’, o senhor Mario Eppingaus fez um gol para o Mackenzie”. Sobre o empate, relatou: “Pouco minutos antes do ‘half-time’, o senhor Kirschner, ‘centerforward’ do Germânia, conseguiu fazer um ‘scap’ e dahi marcar o primeiro gol do SC Germânia”– no segundo tempo, Alício de Carvalho desempatou.

O futebol foi considerado centenário em 1994. Nesse período, houve a noite de 20 de dezembro de 2000, com bola rolando a partir das 21h45, com Palmeiras x Vasco decidindo o título da Copa Mercosul – atual Copa Sul-Americana – no mesmo Parque Antarctica.

Durante o primeiro tempo, o ‘Verdão’ fez 3 x 0. No segundo, o Vasco virou, para 4 x 3, aos 48 minutos. Fora o último gol do Século 20, o 11º marcado na competição, pelo camisa 11 Romário, a 11 dias do início do terceiro milênio, 11 meses após sua volta a São Januário, de onde saíra 11 anos antes, para ser dirigido naquela partida pelo técnico Joel Santana, cujo nome tem 11 letras. Confira abaixo a ficha técnica das duas partidas:

Mackenzie College 1 x 2 Germânia. Data: 03.05.1902. Local: Parque Antarctica-SP. Juiz: Antônio Casimiro da Costa. Gols: Eppingaus, Kirschner e Alicio. Mackenzie: Redher, Belfort Duarte e Warner; Sampaio, Alícioo e Lourenço; Yelrd, Eppingaus, Pedro Bicudo, Armando Paixão e Lopes. Germânia: Brasche, Riether e Nobiling; Kawall, Baumann e Muss; Linz, Russo, Kirscher, Nicolau Gordo e Engherhardt.

Palmeiras 3 x 4 Vasco – Data: 20.12.2000. Local: Parque Antarctica-SP. Juiz: Márcio Rezende de Feitas-MG. Público: 29.993 pagantes. Gols: Arce, aos 36; Magrão, aos 37, e Tuta, aos 45 min do 1º tempo; Romário, aos 14; Romário, aos 23; Juninho Paulista, aos 40, e Romário, aos 48 min do 2º tempo. Palmeiras: Sérgio; Arce, Gilmar, Galleano e Thiago Silva; Fernando, Magrão, Taddei e Flávio; Juninho e Tuta. Técnico: Marco Aurélio. Vasco: Hélton; Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa, Jorginho Amorim, Juninho Pernambucano e Juninho Paulista; Euller e Romário. Técnico: Joel Santana.

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