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Histórias da Bola

O rei fica “80TÃO”

Aos 16, já estava na Seleção Brasileira; aos 17, ficou campeão do mundo e a bola colocou-lhe a coroa que jamais nenhum outro craque lhe tomou

Gustavo Mariani

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Gustavo Mariani
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Hoje é dia do aniversário-80 do Rei do Futebol. O mágico Pelé apaga um montão de velinhas. Nascido sob o signo de escorpião, em Três Corações-MG, ele chegou ao Santos FC, aos 15 de idade e, nos primeiros treinos, lhe deram o apelido de Gasolina, pois assim viram a sua energia – e categoria. Aos 16, já estava na Seleção Brasileira; aos 17, ficou campeão do mundo e a bola colocou-lhe a coroa que jamais nenhum outro craque lhe tomou.

Quando eu era garoto e morava no sertão da Bahia, ficava impressionado com o que ouvia pelo rádio sobre o Pelé. E tinha a vontade de conferir, a olho nu, se era mesmo verdade. Aos 17, tive a chance, eu estudava em Brasília e fui a Belo Horizonte assistir Atlético-MG x Santos, no Mineirão, primeiro jogo do “Rei” após seu milésimo gol. Antes do prélio, lhe prestaram várias homenagens e lhe coroaram. Enquanto tudo ocorria, um alto-falante tocava Oh! Minas Gerais, com a segunda parte dizendo: “Nós mineiros saudamos o Rei/Pelo seu gol de número mil/A mais linda jornada de um craque/Que é o orgulho do nosso Brasil”.

O sol raiava com força em Belô, naquela tarde de domingo (23.11.1969) e o Santos – Agnaldo; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Clodoaldo e Lima; Manoel Maria, Jair Bala (LC Feijão), Pelé e Edu – ajudou o Galo a atrair ao estádio 49.806 pagantes, dos quais um era eu. No entanto, toda a minha expectativa de ver o Camisa 10 rolando a bola de perto, virou decepção. Aos 10 minutos do que se esperava ser um grande jogo da Taça de Prata (Torneio Roberto Gomes Pedrosa), o árbitro Amílcar Ferreira expulsou o Rei da festa, por excesso de reclamações. Realmente, o Pelé reclamou, insistentemente, de uma marcação. E, sem ele, o Peixe foi beliscado (0 x 2) pelo Galo. Quando nada, consegui o autógrafo Dele!

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Em 1970, Pelé voltou ao Mineirão. Jogou pela Seleção Brasileira que treinava para a Copa do Mundo. Com um grande lançamento, para Jairzinho, ajudou o time canarinho a vencer a Seleção Mineira, por 3 x 1. E eu, que estudava na cidade, enfim, o vi brilhar ao vivo. Veio a temporada-1971 e eu o vi jogar, por duas vezes. Contra o Bahia (07.08.1971), pelo já chamado Campeonato Nacional, fez só uma grande arrancada rumo ao gol, mas empatou (0 x 0), ante 66.2020 pagantes, na Fonte Nova, em Salvador – Cejas; Orlando Lelé, Ramos Delgado, Marçal e Turcão; Clodoaldo e Dicá; Jáder (Davi), Mazinho,Pelé e Edu foi o seu time. Pouquinho depois, (05.09), o vi cair, novamente, diante do Atlético-MG (1 x 2), diante de 46.341, no Mineirão – Cejas; Orlando Lelé, Ramo Delgado, Marçal e Rildo; Léo Oliveira e Dicá; David, Mazinho, Pelé e Edu foi o Santos. Em 1972 (16.11), no mesmo Mineirão dos jogos anteriores, vi o Pelé (1 x 0) vencer o Atlético-MG. Perante 34.746 torcedores, não bateu na rede e foi anulado pelo zagueiro atleticano Vantuir – Cláudio; Orlando Lelé, Vicente, Oberdan e Zé Carlos; Clodoaldo e Léo Oliveira; Roberto Carlos, Nenê (Brecha), Pelé e Edu foi a sua patota.

Finalmente (20.03.1974|), no então Estádio Governador Hélio Prates da Silveira (atual Monumental Mané Garrincha), aqui em Brasília, assistiu meu último Pelé ao vivo. E valeu por todos os demais jogos anteriores. Na vitória do Santos (3 x 1) sobre o Ceub, ele marcou o seu último gol de placa. O público oficial foi de 19.511 almas, mas tinha mais de 20 mil na casa ainda não concluída, pois a torcida arrombou portões e pulou o muro, inclusive eu, que havia comprado ingresso, mas não tinha como entrar pra ver Wilson Quiqueto; Hermes, Oberdan, Vicente e Turcão; Léo Oliveira e Nelsi; Mazinho, Nenê (Brecha), Pelé Edu (Euzébio).

Já como jornalista (10.10.1991) fui ao (velho) Mané Garrincha cobrir (0 x 0) Santos x Argentino Júnior, para o Jornal de Brasília. Valia por torneio que reunia campeões da Taça Libertadores e a empresa do Pelé havia comprado os direitos de transmissão. Sem ser esperado, pelo final do primeiro tempo, ele chegou, eu vi e cheguei junto. Então, disse que estava com fome e indagou onde poderia comer algo. Como havia pouquíssimos torcedores no Mané, fui com ele (entrevistando-o enquanto caminhávamos) a uma carrocinha que vendia refrigerantes e cachorro quente, do lado de fora, evidentemente. O vendedor preparava o sanduíche sem tirar os olhos do Pelé (veja foto do Dida Sampaio). Quando não segurou mais de tanta curiosidade, exclamou:

– Rapaz! Você é a cara do Pelé – no que o Pelé respondeu:

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– E o meu apelido é Pelé!




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