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Histórias da Bola

O larápio do campeonápio

Das muitas pendengas que marcaram o futebol brasileiro da década de 1950, uma delas teve um final muito caro – para o Bangu

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Tudo começou no domingo 29 de maio de 1955, quando o alvirrubro carioca foi a Pará de Minas disputar um amistoso com o Atlético Mineiro. Treinado por Tim – Elba de Pádua Lima, atacante e cracaço do Fluminense e da Seleção Brasileira da década-1930 -, o time carioca tinha grandes jogadores, como o goleiro Fernando (mais tarde, titular no Flamengo); Joel Fonseca (lateral-direito campeão carioca-1962, pelo Botafogo; Zózimo (zagueiro campeão mundial pelo time canarinho do Chile-1962); Décio Esteves (campeão da Copa Roca-1960, pelo escrete nacional); Calazans (irmão de Zózimo e campeão carioca-1960, pelo América); Nivio (ótimo ponta-esquerda) e Zizinho, o melhor da Copa do Mundo-1950 e o ídolo de Pelé. Naquele jogo, rolou o inusitado.

 O amistoso era festivo e a torcida não admitia que Zizinho fosse expulso do gramado. Então, os atletas dos dois times expulsaram o árbitro Eunápio de Queiroz, que só não passou por este vexame porque o dirigente banguense Carlos Nascimento (futuro homem forte na comissão técnica Seleção Brasileira da era João Havelange) entrou em campo, alegou que um juiz não poderia ser expulso e tirou Zizinho. Estava armado o rebu entre o meia e o apitador.

Veio, então, o sábado 15 de dezembro de 1956. Se vencesse o Bangu, o Vasco da Gama seria campeão carioca na penúltima rodada. Diante de 54.115 pagantes, o grande time vascaíno – Carlos Alberto Cavalheiro; Paulinho de Almeida, Bellini e Orlando Peçanha; Laerte e Coronel; Sabará, Livinho, Vavá, Válter Marciano e Pinga (só Laerte e Livinho não chegaram à Seleção Brasileira), era o favorito. Só faltou combinar com os banguenses, que abriram o placar, por Wilson Macaco, para Vavá empatar, batendo pênalti.

 Jogo duro e primeiro tempo – 1 x 1 – previa grandes emoções para a etapa final. Quando os atletas voltavam do intervalo, o juiz Eunápio de Queirós chamou Zizinho:

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– Você, venha cá!

– A distância é a mesma. Venha cá, você! – retrucou o meia banguense.

– É verdade que você falou pro Lino (Teixeira, bandeirinha) que eu sou um larápio? Pois você está expulso – avisou Eunápio.

– Você acaba de dar o título ao Vasco. Comigo em campo seria diferente – garantiu Zizinho.

No segundo tempo, Vavá virou o placar, para Vasco 2 x 1, e a torcida banguense saiu do Maracanã dizendo que os vascaínos haviam ganho o “campeonápio”. 

 Eunápio não gostara de ser chamado por larápio que, nos tempos da Roma antiga, era a abreviatura de Lucius Antonius Ranulfus Apio-LARAPIO, sujeito que tinha a preguiça de escrever seu extenso nome, mas não era ladrão.

 Não se sabe porque larápio virou sinônimo de “amigo do alheio”, só que Eunápio foi a forra do rebu nas Minas Gerais, sobrando para o Bangu que, do time da bagunça de 1955, ainda tinha Décio Esteves, Zózimo, Calazans e Nívio (o treinador já era Nílton Anet), além do pivô das confusões, Tomás Soares da Silva, o Mestre Ziza


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