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Histórias da Bola

O craque-fantasma

História contada ao colunista por Fio Maravilha, que foi jogador do Ceub

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Antes de um Fla-Flu da década-1960, o repórter Deni Menezes perguntou ao goleiro tricolor Márcio, se ele temia o ataque rubro-negro. Resposta: “Medo só tenho da cara do Fio. É coisa de capa de revista de terror”.

 Sem Deni conseguir segurar o riso, o seu microfone fez sorrir todo o Maracanã ligado na Rádio Globo, pelos titulares “radinhos de pilha”, como eram chamados.   

Realmente, Fio Maravilha era um jogador engraçado – na aparência física e jeito de jogar futebol. Fazia jogadas de Pelé e, depois, de Fio. O que ele jamais fizera e pensara, no entanto, fora ser um atacante fantasma.

Aconteceu em 31 de agosto de 1968, quando o Flamengo foi a Casablanca, no Marrocos, disputar o Troféu Mohammed IV.

Rolava a bola e, aos 15 minutos, o meia Liminha abriu o placar. Aos 34, o time marroquino empatou. E, no 1 x 1,  terminou a etapa inicial.   

Corria o segundo tempo quando houve um arremesso lateral favorável ao Flamengo. Ao sair de campo, a bola  foi parar diante de Fio,  que  que estava no banco dos reservas, mas sem poder jogar. Imediatamente, ele a entregou ao lateral-esquerdo Paulo Henrique, que fez a cobrança, rápida, para o camisa 10 Silva, o então maior ídolo da torcida flamenguista.

Bola dominada, o  paulista Váler Machado Silva, que fora ídolo, também, da torcida do Corinthians, fez três passadas largas e chutou, de fora da área, marcando gol. Para surpresa de sua turma, o juiz anulou o tento, atendendo aceno do Rei Hassan II, que estava na tribuna de honra do estádio Marcel Cerdan.

 Sem entender aquela atitude, pois nada de ilegal havia ocorrido no lance, os jogadores do Flamengo foram cobrar do árbitro a reconsideração de sua atitude. Ele, porém, alegou que a pugna não poderia ter prosseguido, porque a bola devolvido ao gramado por aquele jogador (e apontou para Fio) era de fabricação brasileira.

Fazer o quê? Marcar um outro gol, seria o jeito. E Silva o fez, aos 80 minutos, finalizando o placar em Fla 2 x 1.

Vencer um time do norte da Árica era uma obrigação de visitantes “brazucas”, ganhadores (até então) de duas Copas do Mundo. Só o que o seu treinador não poderia era escalar atleta danificado. Caso de Fio Maravilha, colocado na ficha técnica de vários jornais cariocas que cobriam a excursão da rapaziada. Ele não jogara aquela partida, porque havia sofrido uma fissura no dedo mínimo do pé esquerdo, que estava imobilizado.

Quem pesquisar o que saiu nos jornais brasileiros lerá que o Flamengo jogou contra o Far Rabat, formando com: Marco Aurélio; Murilo, Onça, Guilherme e Paulo Henrique; Carlinhos e Liminha; Nevínton, Fio Maravilha, Silva e Rodrigues Neto.

 Desde o 22 daquele agosto, quando atuou em Flamengo 4 x 5 Barcelona, no Camp Nou, em Barcelona, pelo Torneio Juan Gamper, que Fio  não entrava em campo. Voltou no 8 de setembro, em Flamengo 0 x 0 Botafogo, no Maracanã, pela Taça Guanabara – quando deixou de ser um craque fantasma. 


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