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Histórias da Bola

MESTRE AJUDANTE DO ALMIRANTE

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O Vasco da Gama caminhava para conquistar o título de campeão carioca da temporada-1956. O treinador Martim Francisco definira um time-base constante durante o primeiro turno e chegara ao returno com a rapaziada bem entrosada. Da patota, sete atletas – Paulinho de Almeida, Bellini, Orlando Peçanha, Coronel, Sabará, Válter Marciano e Pinga – tinham a Seleção Brasileira no currículo. Não precisaria, mesmo, de ajuda de juiz para colocar faixa no peito.

No entanto, a turma do Martim carregou o caneco faltando uma rodada para o final da disputa, contando com a ajuda do “Mestre Ziza”, o meia banguense Zizinho, considerado o maior jogador da Copa do Mundo-1950.

Aconteceu durante a tarde do sábado – 15 de dezembro de 1956 –, quando o céu do Rio de Janeiro mostrava-se grisalho e chovia um chuvisco teimoso. No lamacento gramado do Maracanã, rolava bolha molhada, pesada e escorregadia. Sem sol, a temperatura estava boa para correr em campo. Mas esquentou muito, depois.

O Bangu marcou um gol, aos cinco minutos, anulado pelo árbitro Eunápio de Queiroz, acusando impedimento de três alvirrubros. Aos, aos 21, teve um tento validado e virou de etapa em vantagem. Foi por ali que Zizinho ajudou o “Almirante”. Quando saía de campo, inconformado pela anulação do gol banguense, ele disse para o bandeirinha Lino Teixeira que Eunápio havia recebido grana para favorecer aos vascaínos, mas não poderia anular todos os gols que prometia o Bangu marcar.

Durante o intervalo da partida, no vestiário, Teixeira relatou a acusação de Zizinho ao árbitro, que voltou ao gramado decidido a tirar satisfações com o meia banguense. E gritou:

– Você aí, venha cá.

– A distância é a mesma – respondeu Zizinho.

– É! Então, você está expulso. Pode ir para o chuveiro – sentenciou Eunápio.

– Muito obrigado! Assim, o Vasco ganha. Comigo (em campo), ia perder – garantiu Zizinho.

Sem um jogador extraordinário como Zizinho, o Vasco, que fora mais coeso e melhor articulado durante o primeiro tempo, empatou, aos oito minutos (ou aos 53), em cobrança de pênalti, por Vavá. No lance, Pinga chutou, da esquerda, para o gol, quase da linha de fundo. Laerte cabeceou a bola, para baixo e esta já entrava quando um banguense a deteve, com uma de suas mãos.

Aos 42, Vavá voltou a marcar, garantindo o “caneco”, novamente contando com centrada de pelota por Pinga e presente do goleiro banguense, que não segurou o couro, que ofereceu-se aos seus pés imperdoáveis: 2 x 1, com indiscutíveis superioridades vascaínas em volume de jogo e domínio territorial, como conta a “Manchete Esportiva – N 57, de 22.12.196.

A vitória naquele dia foi, também, uma devolução, por Martim Francisco, do revés imposto ao Vasco da Gama (2 x 3), pelo Bangu, durante o primeiro turno, no mesmo “Maraca”- Carlos Alberto Cavalheiro, Paulino e Bellini e Coronel; Laerte e, Orlando; Lierte, Livinho, Vavá, Válter Marciano e Pinga foram os vingadores,faltando nessa formação o ponta-direita Sabará, que era o titular e não atuou no dia.

O “Almirante” venceu 16 dos 20 prélios jogados durante a campanha, empatou quatro, escorregou em dois, marcou 58 gols,sofreu 17 e sobrou um saldo de 41. Depois da bagunça do “Mestre Ziza”, a rapaziada fechou a história daquele título com 1 x 1 Olaria, pelas vésperas do Natal, em 23 de dezembro do glorioso 1956.


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