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Histórias da Bola

Jair Rosa Pinto

Cidadão Barra Mansa-RJ foi o primeiro camisa 10 da Seleção Brasileira

Por Gustavo Mariani 29/07/2021 1h01

É muito muito manjada aquela história do jogador que vai de contrapeso para tal clube e, enquanto o que seria o “cara” não acontece, de repente, ele torna-se o ídolo. Aconteceu com um dos maiores cobras e de carreia mais longeva no futebol brasileiro, o meia Jair Rosa Pinto.

Tudo começa em 1938, quando ele jogava por times amadores de sua terra, Barra Mansa-RJ. Um dia, ele foi visto por um representante do Madureira, que queria levar o ponta- esquerda Anatólio, que exigiu ir junto com o amigo Jair, com quem fazia ala. Ao ver aquele molequinho magrinho, de canelas canudinho, o presidente do Madura, Aniceto Moscoso, riu e o indagou: “Com este tamaninho você quer jogar no meu time?”. Atrevido, o garoto respondeu: “Sem problemas. Já que o senhor não me quer por aqui, vou ver se consigo treinar no Vasco (da Gama). Meu irmão, o Orlando (Rosa Pinto), joga (por) lá.”

Aniceto coçou o queixo e, ao saber que o garoto era irmão de quem dizia, o autorizar a treinar. Só 30 minutos rolando a bola foram suficiente para o cartola mandar o treinador tirá-lo de campo pra ele acertar a sua contratação. Jair tinha 17 de idade e, uma temporada depois, já estava na Seleção Brasileira.

Em 1943, o presidente Getúlio Vargas pressionou o bicheiro Aniceto Moscoso a negociar o o Jair, com Vasco da Gama, clube lhe emprestava o seu estádio para as suas grandes armações políticas. Por aqueles inícios de carreira, o garoto Jair ficava deslumbrado vendo Tim e outros cobras do escrete nacional jogando cartas, quando estavam concentrados. Nem pensava em tornar-se tão ídolo quanto eles, principalmente, porque era magrinho e tinha pernas finas. Mesmo assim, desenvolveu chute fortíssimo. Durante o Campeonato Sul-Americano-1949, quando sagrou-se campeão, mandou para o hospital um zagueiro paraguaio que formava em uma barreira. Batendo faltas, era um terror para os goleiros.

Campeão carioca, pelo Vasco, em 1945, foi negociado, com o Flamengo, em 1947 e deste saiu por conta de uma das maiores lendas do futebol brasileiro. Os rubro-negros enfrentavam os vascaínos, abriram dois gols de frente e levaram virada, para 2 x 5. Um radialista apaixonado pelo Fla inventou ter a torcida rubro-negra queimado a camisa do Jair, acusando-o de ter sido responsável pelo vexame, por não ter se empenhado. Lenda, lenda! Jair voltou para o vestiário uniformizado, mas nunca mais vestiu a ca,isa do Urubu. Foi se aninhar no Palmeiras.

Em 1956, ele já estava no Santos, jogando ao lado de um garoto que chegou por lá em agosto e que a turma o chamava apelidou por Gasolina, por vê-lo voando em campo. Jair jogou, até 1961, ao lado de Pelé, que se consagro com a camisa 10, a que ele usara durante a Copa do Mundo-1958, na Suécia. Jair foi o primeiro 10 do escrete nacional.

Veteraníssimo, com 24 temporadas na cancha, Jair Rosa Pinto, em 1962, ainda foi contratado pelo São Paulo. Depois, encarou a gangorra dos treinadores, sem fazer tanto sucesso. Viveu entre 21 de março de 1921 a 28 de julho de 2005. Deve ser o cobrador oficial de faltas do Time do Céu.

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