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Histórias da Bola

Jair Bola x Jair Presi

Para o presidente da república empossado ontem, Jair Bolsonaro, do PSL–Partido Social Liberal, ser registrado (civilmente) e batizado (catolicamente) por Jair, foi preciso a torcida do Flamengo invocar com o meia Jair Rosa Pinto e acusa-lo de não ter suado a camisa no jogo em que os rubro-negros perderam, por 2 x 5, de virada, ante o maior rival, o Vasco da Gama.

Rolou no 21 de agosto de 1949, quando o dono da casa – o jogo foi em São Januário, pelo Campeonato Carioca – apagava, também, 51 velinhas. Estar vencendo dentro do terreiro inimigo, por dois gols de frente, e passar por tal vexame, não foi engolido pelos rubro-negros. Depois do prélio, surgiu a lenda de que a camisa do craque fora queimada, o que ele sempre negou.

Entre 1949 e 1955, quando Jair Bolsonaro não era nem nascido – chegou ao planeta no 21 de março de 1955, mas foi registrado em 1 de fevereiro de 1956 -, Seu Percy Geraldo Bolsonaro encantava-se com o futebol do “Jajá” – disputou 241 jogos e marcou 71 gols pelo Palmeiras. Então, reservou o nome do craque para o também filho da sua parceira Olindina Bonturi.

As trajetórias de Jair Rosa Pinto e de Jair Messias Bolsonaro guardam algumas semelhanças. O primeiro foi expulso do Flamengo e o outro expulsou-se do Exército, quando soube estar sendo investigado sob a suspeita de preparar atentado terrorista para forçar aumento salarial.

Nascido na paulista Glicério, mas registrado, dez meses depois, em Campas, a vida do menino Jair não foi tão fácil. Seus pais mudaram muito de cidade, em busca de vida melhor para os seis filhos. À época da ditadura, o Seu Geraldo chegou a ser fichado pelo DOPS- Departamento de Ordem Pública e Social, a barra mais pesada do regime, como falso médico, dentista e farmacêutico – ganhava a dura vida como protético.

No Palmeiras, Jair Rosa Pinto, estrela de primeira grandeza, por várias temporadas, saiu do clube por mais uma acusação pesada: de pressionar o treinador a escalar os jogadores que ele queria do seu lado. O “Verdão”, para castiga-lo, tentou emprestá-lo a um clube de segunda divisão. Mas o emprestou ao Santos, que ficou com a sua diretoria dividida pela sua contratação.

Jair Bolsonaro começou a vida política – reformado, como capitão – entre 1989 a 1999, pelo Partido Democrático Cristão-PDC, no Rio de Janeiro, tendo apresentado sete projetos de lei com foco em causas militares. Jair Rosa Pinto partiu para a glória, também, partindo da mesma cidade, defendendo o Madureira, entre 1938 a 1943, quando marcou 41 gols.

Além do PDC, Bolsonaro passou por mais sete partidos políticos – PPR (1993-95); PPB (1995-2003); PTB (2003-2005); PFL(2005); PP (2005-2016); PSC (2016-2017) e PSL (2018). O “Jajá” foi, também, de rodar muito. Vestiu oito camisas – a primeira foi a do Barra Mansa, de sua terra, e as últimas as dos paulistas São Paulo e da |Ponte Preta -, igualando o número de passeios do xará. Se a jaqueta da Seleção Brasileira contar, nesse caso, conta, também, a faixa de presidente da república. E os dois continuam empatados.

Com a camisa santista, Jair Rosa Pinto vingou-se do Palmeiras, batendo-o, por 4 x 1, da primeira vez que o enfrentou – 28.19.1957, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Paulista, atuando ao lado das feras Zito, Pelé e Pepe. Jair Bolsonaro vingou-se das “fake news” pelas redes sociais, atribuída a simpatizantes da candidatura do adversário Fernando Hadad, do Partido dos Trabalhadores-PT, vencendo, em segundo turno, por 55,13% dos votos, contra 44.87$% do petista.

Jair Rosa Pinto passou 25 temporadas correndo atrás da bola; Jair Bolsonaro, 26 legislando na Câmara dos Deputados. Após a posse presidencial, vamos saber quem ficará na história como mais craque, ele na política, ou o ‘Jajá’ nos gramados. Neste quesito, o cara de Barra Mansa ganha, disparado, pois o Bolsonaro foi, quando rapaz, um goleiro muito complicado, apelidado por “Invertido”, devido ao seu jeito de defender as bolas – o Jair “Jajá” jamais o perdoaria. O faria de frequentador das redes – com certeza!

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