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Histórias da Bola

Histórias do Pelé

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1 – Imaginada pelo general Júlio Argentino Roca, que governou a Argentina entre 1880 a 1886, e de 1898 a 1904, a Copa Roca vinha sendo disputada por Brasil e os “hemanos” desde 1914, ano em que ficou por aqui – e, depois, em 1922 e em 1945.

Considerado por uns como pai do moderno estado argentino, e por outros um caudilho sanguinários, que teria promovido um genocídio de índios mapuche, para atingir os seus objetivos políticos, o general Roca foi o primeiro a perceber a força do futebol no cone sul. E tratou de remetê-lo aos dividendos eleitorais, muito buscados pelos ditadores dos dois países durante a década de 1970.

Bola no lugar de política, é preciso passar, antes, pelo Torneio Morumbi, para “generalar” o que este texto pretende. Pois bem! Vasco da Gama e Santos se uniram em um combinado para disputar a competição que incluía, ainda, Flamengo, São Paulo, Sporting, de Portugal, e Dínamo, de Zagreb, da antiga Iugoslávia. Então, um garoto, de 16 anos, que começava a surgir no time santista, foi incluído na equipe. Ele já havia jogado em duas ocasiões, no Maracanã, contra o Flamengo e o América, mas a imprensa carioca nem sabia direito do seu nome, isto é, apelido: Pelé ou Pelê? Os ouvidos estavam mais acostumados a ouvir Telê, nome de jogador do Fluminense. Enfim, rolou a bola pelo torneio internacional e o garoto de apelido confuso encantou o treinador da Seleção Brasileira, Sílvio Pirillo. Chegado o momento de convocar o time canarinho para enfrentar os vizinhos, em mais uma edição da Copa Roca, a torcida brasileira foi surpreendida, com a inclusão daquele menino de 16 anos. Poucos o conheciam.

2 – O ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos, João Havelange, diz que foi ele quem mandou Pirillo convocar Pelé. Mas o certo é que o treinador esteve no Maracanã vendo o garoto jogar, gostou e apostou. Em 7 de julho de 1957, estava o menino Pelé no banco dos reservas da Seleção Brasileira. No Maracanã, 60 mil pagantes assistiam aos argentinos cozinharem todo o primeiro tempo, com um gol marcado por Labruna aos 14 minutos. Para mudar a situação, Pirillo chamou o garoto Pelé, para entrar no segundo tempo. Ele ocupou a vaga de Del Vecchio, que era seu colega no Santos, e empatou a partida, aos 77 minutos. Pena que, um minuto depois, Juárez tenha desempatado para os argentinos, que venceram, por 2 x 1. Em sua estreia de Pelé como canarinho, o juiz foi o austríaco Erwin Hieger. A Seleção Brasileira teve: Gilmar (Santos), Paulinho de Almeida (Vasco) e Bellini (Vasco/capitão); Jadir (Flamengo), Oreco (Corinthians) e Zito (Santos)/Urubatão (Santos); Maurinho (São Paulo), Luisinho (Corintians), Mazzola (Palmeiras)/Moacir (Flamengo), Del Vecchio (Santos)/Pelé (Santos) e Tite (Santos). Os argentinos foram escalados pelo técnico Guilermo Stáile com Carrizo; Pizarro, Vairo, Gianserra, Néstor Rossi (Guidi), Urriolabeitia, Corbatta, Herrera (Antonio), Juárez (Blanco), Labruna e Moyano.

3 – Santos 8 x 6 Karskshurer, da Alemanha, em 26 de junho de 1961, foi o jogo do “Rei Pelé” com maior número de bolas nas redes. Aconteceu, amistosamente, durante uma excursão santista à Europa. Os 14 gols ultrapassaram os 13 de Santos 7 x 6 Palmeiras, em 6 de março de 1957, quando ele marcou só um tento. Mas diante dos germânicos foram três. Em um outro jogo com 13 bolas balançando o barbante, 9 x 4, contra o paraenseClube do Remo, Pelé tirou cinco sarros no goleiro. A data 26 de junho, por sinal,é pródiga em jogos com placares elevados e de bolas no filó em jogos do “Camisa 10”. Vejamos: 26.06.1959 – Santos 7 X 1 Internazionale- ITA (4); 26.06.1961 – Santos 8 x 6 Karskshrurer-ALE (3); 26.06.1963 – Santos 3 x 5 Juventus-ITA (1); 26.06.1968 -Santos 6 x 2 Napoli-ITA (2); 26.06.1977 – Cosmos 5 x 2 Los Angeles Aztecs-EUA (3). Neste último compromisso, saiu o “gol 10” dessa relação.

Confira os “10 primeiros sacos de maldades do “Rei” : 1) –26.06. 1961 – Santos 8 x 6 Karskshurer-ALE (14); 2) – 06.03.1957 – Santos 7 x 6 Palmeiras (13); 3) – 24.09.1965 – Santos 9 x 4 Remo-PA (13); 4) – 10.01.1961 –Santos 10 x 2 Guarani de Campinas-SP (12); 5) – 16.05.1965 – Santos 11 x 1 Grêmio Esportivo Maringá–PR (12); 6)); 7) – 13.10.1966 – Santos 7 x 5 Comercial de Ribeirão Preto-SP (12); 8) – 27.07.1960 – Santos 8 x 3 Jabaquara-SP (11); 9) – 03.02.1962– Santos 8 x 3 Racing-ARG (11); 10) – 30.01.1963 – Santos 8 x 3 Municipal-PER (11).

4 – Os católicos consideram o número 7 sagrado. Filho de uma família católica, que o obrigava a ir à missa em todas as manhãs dos domingos, quando era garoto, Pelé marcou o seu “gol 7 internacional” em 23 “do mês 7” da “temporada 7” da década de 1950. Aconteceu durante a vitória sobre o português Benfica, quando contribuiu com uma das três bolas (3 x 2) mandadas pelo Santos às redes lusitanas, amistosamente. Em sua 39ª apresentação, aquele foi o seu 28 (2 + 8 = 10) tento pelo time A do Peixe. Coincidentemente, em “11 do 10” – olhe o 10 de novo – de 1962, no Estádio da Luz, em Lisboa, Pelé sagrou-se bicampeão mundial interclubes, marcando três gols, um deles o segundo mais importante de sua carreira, no que considera ter sido a maior partida de sua vida, diante do mesmo Benfica. Contra este adversário, Pelé jogou 7 vezes e saiu invicto nas 7, com seis triunfos e um empate, com a sua galera marcando 28 (2 + 8 = 10) gols. De sua parte, ele fez nove nesses sete jogos (9 + 7+ 16: 1 + 6 = 7). Um artilheiro sagrado!

5 – Fazer comerciais usando a imagem de Pelé sempre foi “bola na rede”. Um bom exemplo é foi um para a Phllilps, com o “Rei do Futebol”, o gênio que iluminou o futebol. Cheio de felicidade, por ver a sua casa iluminada, na mineirinha Três Corações de 1940, Dondinho homenageou o gênio da lâmpada, com o nome de Edson, em seu primeiro filho. E o guri cresceu aceso. Só apagou adversários no placar.


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