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Histórias da Bola

Gamão vintão

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O começo da tarde do 20 de dezembro de 1998 surpreendia o brasiliense bacana, ligado no poder e desligado do futebol. Não dava para entender tanto movimento no Eixo Monumental, em um domingo tranquilo, sem nenhum grande evento na cidade. Menos para o povão que descia da cidade satélite do Gama, para assistir a finalíssima do Campeonato Brasileiro da Série B, entre Gama x Londrina-PR, no velho e demolido Estádio Mané Garrincha.

Era a primeira vez em que um time candango decidia algo importante, e mais de 40 mil torcedores lotaram a casa, reconstruída para as Olimpíadas-2016 e a Copa do Mundo-2018, por cerca de exagerados dois bilhões de reais, conforme a imprensa tem sempre cobrado. O povão que estava lá dentro era saído do curral eleitoral do ex-governador Agnelo Queiroz, que já esteve preso, acusado por conduta nada recomendável a um torcedor gamense.

Na verdade, chegar àquela decisão não era algo muito esperado pelo torcedor candango. Porque o Gama começara a “Segundona” com um empate e três escorregadas, sendo obrigado a convidar o treinador Orlando “Lelé” – ex-lateral-direito do Santos de Pelé, do Vasco da Gama e da Seleção Brasileira – a retirar-se da cidade.

Com a substituição de comando técnico – entrou Vagner Benazzi, famoso por subir times bregas para divisões mais altas de campeonatos regionais -, o astral gamense mudou e a rapaziada deixou de ser inimiga das vitórias – ver placares adiante – e, quando nada, nos seis jogos restantes da primeira fase, ficou em cima do muro nas paradas de sucesso – três pra la e três pra cá.

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Cozinha arrumada, o Gama botou o paraense Remo pra dançar um carimbó, pela segunda fase, e foi avante, com sabor tacacá no cardápio de dois jogos. Tempero mais do que aprumado para ir à terceira etapa, não mais como bicão, penetra, o que parecia ser , de início, mas,a gora, convidado para um banquete com lugares (e história) marcados. Dos seis cardápios colocados à mesa, o “Gamão do Povão”, como o apelidara o locutor Marcelo Ramos, da Rádio Capital-DF, deglutiu três e engasgou nos demais, para não esquecer que, um dia, já fizera parte do time dos “em cima do muro”.

Sem problemas! Comprado ingresso para o quadrangular final da “Segundona”, o “Periquitão”, como também foi chamado, pela década-1980, em mais seis refregas, o Gama triturou duas e administrou as demais, fora de casa, onde nunca é mau passear pelas bordas “cimais” do muro. E veio, então, a tarde domingueira em que sapecou 3 x 0 Londrina, sob apitagem do carioca Jorge Rabelo.

A farra nas redes começou aos sete minutos, debaixo de sol inclemente, pela furduncenta cabeça de Renato Martins. Passados mais 20, William aumentou a bagunça nas arquibancadas do Mané, enquanto Nei Bala, aos 33 minutos do segundo “half time”, como diriam os “speakers” de antigamente, tempo, matou a juriti: Gama 3 x 0, comprovando que Benazzi era, realmente, o “Rei do Brega”.

Marcelo Cruz; Paulo Henrique, Gérson ‘Fera’ (Adriano ‘Evangélico’), Jairo e Rochinha; Deda ‘Carecão”, Kabila ‘Piauí’, William e Rodrigo ‘Beckham’; Nei Bala (Robertinho Pitbull’ e Renato Martins (Romualdo) foi o time campeão brasileiro da Série B-1998.

Confira o cartel da rapaziada: Gama 1 x 1 Tuna Luso-PA; 1 x 2 Bahia; 1 x 2 XV de Piracicaba-SP; 1 x 2 Ceará; 3 x 0 Americano-RJ; 2 x 1 Americano; 0 x 1 Ceará; 3 x 1 XV de Piracicaba; 1 x 0 Bahia; 0 x 2 Tuna Luso; 1 x 0 Remo-PA; 4 x 1 Remo; 1 x 0 Desportiva-ES; 0 x 1 XV de Piracicaba; 2 x 1 Criciúma-SC; 1 x 1 Criciúma; 1 x 0 XV de Piracicaba; 0 x 2 Desportiva; 0 x 0 Londrina-PR; 2 x 2 Desportiva; 2 x 1 Botafogo de Ribeirão Preto-SP; 1 x 1 Botafogo-RP; 2 x 2 Desportiva; 3 x 0 Londrina.


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