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DECISÃO NO TAPETÃO

Manobra de cartolas fez Campeonato Brasiliense-200 ter decisão em campo

Por Gustavo Mariani 25/11/2023 9h53

A decisão do Campeonato Brasiliense de Futebol 2000, entre Gama e Bandeirante, foi a mais conturbada da história da bola candanga. No primeiro jogo – 25 de junho -, rolou 1 x 1, diante de 6.104 torcedores que pagaram R$ 8.5365,00 nas bilheterias do velho e demolido estádio Mané Garrincha. Para os gamenses – Fernando; Paulo Henrique, Gerson, Nen e Mika; Deda, Washington (Kabila), Lindomar e Romualdo (Rodrigão); Abimael e Marcelo França (Mário Zan), dirigidos por Walter Ferreira -, marcou Abimael, aos 21, enquanto o auxiliar de pedreiro Alessandro ‘Bocaõ” (foto acima) fez o do Bandeirante – André, Viana (Toni), Junior, Flávio e Rômulo (Roberto); Bira, Evilásio (Duílio), Marquinhos Brazlândia e Júlio César; Jackson e Alessandro Bocão, comandados por Eurípedes Bueno -, em prélio apitado por Jamir Carlos Garcez

O segundo jogo estava marcado para o 29  de junho, no Bezerrão, mas antes disso, por manobra da Confederação Brasileira de Futebol, para rebaixar o Gama e preservar o Botafogo na Séria A do Brasileirão, a FIFA suspendeu o time gamense, por ter usado um “laranja’” paar recorrer à justiça comum contra o seu rebaixamento. Com aquilo, qualquer clube filiado à CBF estava proibido de encarar o Gama, até setembro, quando haveria nova reunião para definir a pena que caberia ao “Periquitão”.

Rola a bola! O juiz Jansen Fialho de Almeida, da Vara Cível de Planaltina-DF, acatou ação do Partido Trabalhista Brasileiro-PTB e liminar tornou ineficaz a ação da FIFA contra o Gama. E determinou à então Federação Metropolitana de Futebol-FMF (atual Federação Brasiliense de Futebol) manter os jogos finais do Candangão. O Bandeirante, porém, não compareceu ao gramado, para o primeiro jogo, em 2 de julho, alegando obediência à FIFA e desconhecimento da decisão da Justiça do DF. O Gama fez a sua parte: esperou-o em campo, pelos 30 minutos regulamentares, e ficou à espera de vitória no Tribunal de Justiça Desportiva – evidentemente, o Bandeirante recorreria.

No 9 de julho, data marcada para o segundo confronto, o Bandeirante repetiu a sua postura, levando o Gama a querer o título de campeão candango-2000, mesmo com a Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva da FMF tendo anulado o primeiro WO. Pouco depois, o presidente da FMF, Weber Magalhães, propôs mudança no regulamento da disputa, reduzindo-se a melhor de três decisiva para dois jogos. Se não houvesse gols nas duas pugnas e nem em uma eventual prorrogação, o Gama levaria o caneco, por melhor campanha geral.

Era, então, 27 de julho, quando Gama x Bandeirante foram ao Bezerrão para o fim de papo naquela pendenga. Aos 14 minutos, Evilásio abriu a conta para o visitante. Aos 22, o zagueiro gamense Gerson (foto) empatou. No segundo tempo, Kabila, aos 15 minutos, em chute de fora das área, fez o Gama passar à frente do placar. Dez minutos depois, Duílio reempatou o prélio, provocando prorrogação, que não teve placar movimentado e valeu título aos alviverdes gamenses, pela melhor campanha.

Gama 2 x 2 Bandeirante foi apitado por  Paulo Renato Viana Coelho, teve1 6.203 pagantes e renda de R$ 16.503,00. O Gama, treinado por Vagner Benazzi, alinhou: Fernando; Paulo Henrique, Gerson, Nen e Rodriguinho; Deda, Kabila, Lindomar e Mário Zan (Ésio); Abimael (Marcelo França) e Romualdo. O Bandeirante, do treinador Eurípides Bueno teve: Alexandre, Viana (Duílio), Junior, Flávio e Ricardo (Roberto); Bira (foi expulso de campo), Evilásio, Marquinhos Brazlândia e Júlio César; Jackson e Toni (Washington).

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O rolo da decisão dos profissionais chegou, também, ao campeonato júnior.  O Clube de Regatas Guará não compareceu ao Bezerrão para disputar do segundo jogo das finais, levando o árbitro José Caldas a esperar pela passagem dos 30 minutos regulamentares para considerar o “fim de papo”.  Como os gamenses haviam vencido o primeiro pega, por 3 x 2, saíram de campo comemorado o W x O que lhes dava um tri, com troféu entregue pelo dirigente Paulo César Araújo, da FMF. Mesmo sabendo que o “Lobo da Colina” não compareceria ao gramado, como havia divulgado, 824 torcedores gamenses pagaram R$ 1 real pelo ingresso. De sua parte, os batalhões de Polícia Militar-Gama, com 100 homens, e de Polícia Especial, com mais 40, não tiveram trabalho, a não ser ficar escutando os torcedores chingando a CBF, por “vergonh nacional”.






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