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Histórias da Bola

Céu estrelado

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8 de dezembro de 1968 – O Fast Club recebia, em Manaus, o fortíssimo Cruzeiro, levando os astros Raul, Zé Carlos, Dirceu Lopes, Natal e Tostão, em um amistoso, no Estádio Gilberto Mestrinho. Inconformado com uma marcação do árbitro José de Assis Aragão, convidado a dirigir a partida, o atacante local Holanda desferiu-lhe um soco no rosto e, evidentemente, foi expulso de campo. Mas, malandro, o treinador amazonense mandou um dos seus reservas, Barrote, entrar em lugar do infrator banido do prélio. Aragão deve ter levado um soco muito forte, pois só 15 minutos depois de mais bola rolando foi perceber que o Fast continuava com 11 jogadores em campo. Quanto ao placar, terminou nos 2 x 2.

11 de maio de 1969 – O goleiro Raul Guilherme Plasmann atingia nove jogos oficiais, de 810 minutos sem sofrer gols, quebrando a marca mundial anterior, em poder do argentino Roma, do Racing, com 781 minutos invicto. No Brasil, o recordista, com 765 minutos, deixara de ser Alberto, do Grêmio Porto-Alegrense. No dia do feito cruzeirense, o time era dirigido por Gérson dos Santos, venceu o Democrata, por 1 x 0, pelo Campeonato Mineiro, no Estádio Duarte de Paiva, em Sete Lagoas, ante 6.700 pagantes, atuando com: Raul; Pedro Paulo, Raul Fernandes, Darci Menezes e Vanderlei; Wilson Piazza e Zé Carlos (autor do gol); Natal, Evaldo, Tostão (Palhinha) e Rodrigues (Hílton Oliveira).

18 de julho de 1969 – O Cruzeiro foi ao Estádio Engenheiro Araripe, em Vitória vencer a capixaba Desportiva, por 1 x 0. Ate aí nada de anormal. O destaque que chamou a atenção da torcida foi dois tios e um sobrinho em campo. Pelo lado cruzeirense, o zagueiro  José de Anchieta Fontana (futuro campeão mundial na Copa do Mundo do México-1970) e o seu irmão Tião Fontana, enquanto no time que a torcida local chama de “Tiva” estava Betinho Fontana. Aos 43 minutos do segundo tempo Betinho aplicou um drible no “xerifão” zagueiro Fontana e a torcida levantou-se esperando pelo gol do empate. Esperou! O tio mandou uma sarrafada no sobrinho, puxou-lhe uma das suas orelhas, passou-lhe aquele pito tradicional – “Me respeite, moleque!” – e ainda o ameaçou: “Vou falar com a sua mãe!”

20 de setembro de 1970 – O Cruzeiro encerraria o Campeonato Mineiro, enfrentando o Atlético-MG,  já campeão, antecipadamente. Para não assistir à festa do maior rival, estreou, irregularmente, o zagueiro Brito, para perder os pontos, propositalmente. Além de reviver uma famosa zaga vascaína, tremendamente temida no futebol carioca, Brito voltou a jogar ao lado de Fontana e tornava-se o quarto tricampeão mundial estrelado – Piazza, Fontana e Tostão eram os outros. O jogo terminou no 1 x 1, mas quem faturou mesmo foi o Cruzeiro. Em vez de levar para o estádio a taça de campeão dos alvinegros, comemorando o primeiro título na “Era Mineirão”, a Federação Mineira de Futebol carregou as do campeão estadual e 1968 e de 1969, que ainda não haviam sido entregues e pertenciam aos estrelados. Para os atleticanos, levou só a Taça Belo Horizonte, um “aperitivo” antecedendo ao Estadual. Enfim, em jogo de Galo e Raposa, rolou o maior “mico”.


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