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Histórias da Bola

Candangos na loteca

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Por ter futebol amador, o Campeonato Candango de 1970 não merecia muita atenção da Loteria Esportiva, que começou sendo uma coqueluche para o torcedor brasileiro. Todos sonhavam em acertar os 13 jogos e ficar milionário.

ara time do Distrito Federal participar do Concurso de Prognósticos Futebolísticos – nome pomposo criado pela Caixa Econômica Federal – era preciso os grandes clubes do Sul-Sudeste estarem fora de circulação, naquele final de semana. Então, a Caixa armava os seus volantes com nomes que, muitas vezes, o torcedor jamais ouvira falar.

Foi assim para o Teste 28, entre 12 e 13 de dezembro daquele 1970, quando o apostador tinha que se virar para saber que time era aquele –  Júlio César, do Pará; Palmeiras, de Cuiabá-MT; Jardim, de Campo Grande-MS; Motorista e Rio Bonito, decidindo o campeonato da cidade deles e que o último adotava, e Farroupilha x Pelotas, do campeonato pelotense, de cidade interiorana gaúcha.

Considerados “teste”, porque a logo apelidado “Loteca” ainda estava em implantação, o 28 teve como seu “Jogo 6” o candango Gráfica x Grêmio Esportivo Brasiliense. Valeu pelo “amadorzão” do DF e foi disputado no inaugurado como Estádio Nacional de Brasilia, que teve nome trocado, após o tri da Seleção Brasileira-70, no México, para Estádio Edson Arantes do Nascimento, ou “Pelezão”, aumentativo da moda, por causa de “Mineirão”, “Batistão”, etc.

Para o apostador, era um inferno marcar uma coluna quando o teste trazia time candango. Até para o brasiliense, que só queria assistir aos grandes jogos, pela TV e, dificilmente, ia ao estádio. Chegou a haver até partida com um só pagante – Marco Aurélio Ribas, servidor de cartório,  afirmava que fora ele, mas o treinador Eurípedes Bueno, do Jaguar, um dos times do prélio, garantia ter sido um sujeito chamado Carlinhos e que não perdia um jogo da sua patota.  O Marco eu localizei e fiz matéria com ele, para o JBr, mas o outro jamais consegui descobrir por onde na dava.

Pois bem! Sem informações sobre os “times de Brasília”, como se falava pelo restante do país, as duas revistas esportivas de circulação nacional – Revista do Esporte e Placar –, bem como jornais, rádios e TV telefonavam à Federação de futebol da terra, pedindo resultados de jogos e previsões de placares. Também surgiram publicações só sobre os testes, usando muito títulos tipo “zebrão, zebrinha, zebrona, por aí”.

Sobre o “Jogo 6” do Teste 28, foi explicado que a Coluna 1 ficava com um time do Departamento de Artes Gráficas do Senado, fora o campeão do primeiro turno candango, apresentando o ataque mais positivo, com 14 tentos e até então perdendo só cinco pontos – na época, não adotava-se pontos ganhos. Da parte do Grêmio, informou-se que terminara o turno vice-campeão, com um ponto perdido a mais (6) do que a Gráfica (5).

Informação importantíssima: no encontro anterior entre ambos, em 25 de outubro, a Gráfica mandara 1 x 0. E seguia o desfile de todos os resultados dos dois até então: GRÁFICA: 27.09.1970 – 1 x 0 Piloto; 04.10 – 0 x 2 Colombo; 18.10 – 4 x 2 Coenge; 25.10 – 1 x 0 Grêmio; 01.11 – 1 x 11 Civilsan. GRÊMIO BRASILIENSE: 04.10 – 2 x 0 Defelê;  11.10 – 2 x 0 Planalto; 18.10 – 2 x 0 Colombo; 25.10 – 0 x 1 Gráfica; 01.11 – 2 x 2 Jaguar.

A Loteria Esportiva foi regulamentada pelo Governo brasileiro em 25 de março de 1970 e o primeiro teste rolou menos de um mês depois, em 19 de abril, com uma rodada do futebol carioca. Colocou-ser à venda 100 volantes, em 48 barracas improvisadas em pontos do Rio de Janeiro. No primeiro jogo candango da Loteria Esportiva rolou coluna 2, Piloto 1 x 2 Planalto, no Teste N 16, de 19 e 20 de setembro de 1970.


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