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Briga na cozinha da CBD

Médico da Seleção Brasileira-1966 acusa treinador de desconsiderá-lo

Por Gustavo Mariani 27/09/2023 11h16

Estava escrito que a Seleção Brasileira não seria tri (mesmo!) na Copa do Mundo-1966, na Inglaterra. A bagunça na Comissão Técnica era inigualável. Além de terem sido formados quatro times para os treinamentos – e nunca definido um -, chegou-se até haver a desentendimentos entre os pacatos treinador Vicente Feola, o Gordo, e o médico Hilton Gosling (foto), que pediu afastamento (irrevogável) à Confederação Brasileira de Desportos, por carta ao presidente João Havelange

Em sua missiva, o Gosling queixou-se ao “chefão” que, em 1963, pouco antes de excursão (vexatória) à Europa, de 28 atletas que examinara, só três tinham condições físicas satisfatórias. Viera a estreia no giro – 0 x 1 Portugal – e recomendações suas (aceitas) de trocas (por quem estivesse melhor, fisicamente) para o segundo jogo – Brasil 1 x 5 Bélgica. “O time foi quase o mesmo”, queixou-se, dizendo-se surpreendido pelas poucas (sugeridas e aceitas) trocas – Gérson, por Mengálvio; Pelé, por Quarentinha, e Pepe, por Zagallo, tendo sido mantidos nas demais posições, Gilmar, Djalma Santos, Mauro Ramos, Cláudio Danni, Altair e Zito.

A segunda queixa do médico foi sobre concentração, em São Paulo, e a qualidade de chuteiras disponibilizadas para os atletas canarinhos usarem durante a Taça da Nações-1964, quando a CBD comemorava 50tão de vida – levou 0 x 3 Argentina, a campeã. “Nada (do seu trabalho preliminar) foi levado em consideração”, chorou. E chorou mais por ter vetado, em 1965, Pelé para amistoso – Brasil 3 x 0 Argélia – em Oran, e o atleta ter jogado (depois, substituído por Bianchini). Mais choro ainda rolou por conta de “desobediências” (da Comissão Técnica) às suas recomendações antes de amistoso contra a então União Soviética (atual Rússia). “Não foi feita (antes do jogo) a habitual revisão médica… as ponderações do Departamento Médico estão sendo esquecidas facilmente…o Departamento Médico parece estar sempre em desacordo com a Comissão Técnica, e vice-versa”.

Ao ler a carta, o treinador Vicente Feola disse só acreditar nas queixas do Gosling porque estava assinada (e reconhecia a assinatura do médico). “Estorou tudo na minha mão”, disse à Revista do Esporte. E devolveu a pancada do colega, afirmando que, na véspera do amistoso com os russos, o médico chegara atrasado para o treino, viu jogadores dispensados por ele no gramado e foi embora “tratar de assuntos particulares”. Ainda segundo o Gordo,o zagueiro Bellini fora o único dispensado a participar do treino, e que Dudu, Djalma Santos e Pelé ficaram atrás de uma das balizas servindo (brincando) de gandulas.

Feola afirmou, ainda, que o Doutor Gosling (como era chamado) fora influenciado pelas mesmas pessoas que marcaram o treinador Flávio Costa, após (2002 dias) a Copa do Mundo-1950, quando o Brasil perdeu a taça, para o Uruguai, dentro do Maracanã, e derrubaram, em 1968. Aymoré Moreira (541 dias) “…assim acontece comigo. Essa gente queima qualquer um”, reclamou. Mas terminou viajando junto com o Gosling para a
Europa, onde os canarinhos disputaram, antes das Copa, amistosos e treinos de conjunto, na Suécia, contras times de Malmoe, Estocolmo e Atividaberg. Por lá, Gosling e Feola tiveram de deixar as suas diferença de lado para trabalharem em amistosos, entre 21 de junho a 6 de julho, véspera da hospedagem no Hotel Lymm, na inglesa Liverpool. Durante a Copa, o Brasil encarou – e foi eliminado – durante a primeira fase, vencendo a Bulgária, por 2 x 0, e caindo, por mesmos 1 x 3, ante Hungria e Portugal.






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