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Histórias da Bola

Bola ao cesto – 1965

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A Federação Carioca de Basquetebol-FCB anunciava, em 1965, a maior de suas temporadas, no âmbito masculino, devido a comemoração do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro e a igualdade de forças entre os quatro principais favoritos: Flamengo, campeão-1954; Vasco da Gama, vice; Botafogo, terceiro colocado, e Fluminense, o quinto.

Realmente, os quatro haviam se armado bem para ganhar o título da temporada mais do que histórica. Os rubro-negros, por exemplo, tiraram o paulista Tozi, do XV de Piracicaba, mas perderam vários atletas para os rivais, casos de Oto, Gabiru e César, para os vascaínos, bem como Marcelo e Coqueiro, para os tricolores, que “ré-buscaram” seus ex-jogadores Lupércio e Paulo Góis, que andavam pelo time da AABB. Além dos flamenguistas, o Vasco foi buscar, ainda, Moacir Gato, na mesma AABB. De sua parte, os botafoguense mantiveram a base da temporada anterior, grupo jovem, homogêneo e muito perigoso. Correndo por fora, o Tijuca prometia valorizar a sua participação.

Pelo lado flamenguista, o treinador Kanela (Togo Renan Soares) mandava avisar aos adversários: seria bi, “para desgosto dos nossos inimigos”. Ele, porém, discordava da FCB, acreditando que 1965 não teria o maior dos campeonatos, lembrando que os melhores jogos não seriam no Maracanãzinho. Nesse ponto, criticava o ginásio do Clube Municipal, por não comportar grande assistência e nem oferecer comodidade ao público.

Kanela tinha um belo grupo para tentar o bi: Valdir, Chocolate, Montenegro, Piraí, Guilherme, Coelho, Pedrinho, o norte-americano Bill, o campeã sul-americano Válter, Tozi, e o mito Algodão.

No Vasco da Gama, fora mantido o treinador José Pereira, que tivera experiência, também, com o time feminino. Ele prometia grande campanha, em caso de apoio da sua diretoria, e considerava o time do Flamengo uma “incógnita”, por ter se renovado bastante. A sua base constava de nove jogadores – Douglas, Oto, Paulista, Barone, Leonardo, Gato, Carneirinho Julico e César -, ficando Válter, Virgílio, Nílton e Gabiru para as eventualidades.

Diferente de Kanela, o treinador vascaíno acreditava em participar de uma grandiosa temporada, mas desde que a imprensa colaborasse, incentivando o público a comparecer aos jogos. Nesse ponto, desejava, pela “Revista do Esporte N 319, de 17.04.1965: “…espero que a numerosa torcida vascaína colabore com o seu incentivo”.

Assim como Kanela e Pereira, quem botava fé, também, em sua rapaziada era o treinador botafoguense Tude Sobrinho, eleito, pelo Comitê dos Cronistas de Basquetebol-RJ, o melhor da temporada masculina-1964. Ele só temia a falta de maior experiência da maioria absoluta de jovens em sua equipe e a falta de um líder para a garotada. “Uma espécie, assim, de cabeça pensante e controladora, como necessita um quadro jovem”, explicava.

Tude esperava o Flamengo ser o seu grande adversário, sobretudo pela tradição e o comando de Kanela, mas apontava, time por time, o do Vasco da Gama sendo o melhor. Ao Fluminense, dava maios heterogeneidade. Seus jogadores seriam: Sérgio, Ilha, Franklin, Aurélio, Edinho, Fernandão, Raimundo, Generoso, Renê, Cláudius e Conde.

De sua parte, Renato Brito Cunha, o treinador tricolor, colocava o Tijuca em pé de igualdade com os quatro considerados favoritos. E seguia o vascaíno Pereira na espera do melhor campeonato carioca de basquete dos últimos tempos. Receito, ele só tinha um: …“as arbitragens, que…constituem um sério problema”.

Brito Cunha estivera com treinador do time olímpico brasileiro e contava, par ser campeão, com esta rapaziada: Marcelo, Coqueiro, Osmar, Gritz, Isnard, Atiê, Tentativa, Arnaldo, Hiram, Lupércio, Paulo Góis e Renato Tovar, que voltara dos Estados Unidos, onde passara duas temporadas estagiando.

Rola a bola e, no 11 de julho, o Vasco ficou campeão do IV Centenário do Rio de Janeiro, categoria masculino adulto, vencendo o Botafogo, por 85 x 71. Pela crônica da “Revista do Esporte” – Nº 335, de 07.08.1965 -, os alvinegros foram grandes adversários durante o primeiro tempo, quando o placar virou em Vasco 35 x 34. Na etapa final, os cruzmaltinos os dominaram, amplamente, contando com: Oto (25 pontos), Douglas (20), Paulista (15 pontos), Barone (15), Leonardo (8) e Carneirinho”.

A final, apitada por João Nogueira Macedo e Célio Pádua Guedes, era, ainda, o terceiro título cruzmaltino na bola ao cesto.

A campanha da rapaziada na temporada do IV Centenário-1965: turno – 88 x 43 Vila Isabel; 96 x 46 América; 98 x 38 Florença; 69 x 61 Fluminense; 83 x 67 Botafogo; 77 x 33 São Cristóvão; 90 x 38 Municipal; 80 x 45 Grajau; 74 x 48 Mackenzie; 71 x 51 Tijuca; 92 x 75 Flamengo. returno – 99 x 41 Municipal; 116 x 62 Florença; 104 x 49 Vila Isabel; 104 x 42 América; 95 x 38 Grajaú; 91 x 51 Mackenzie; 87 x 52 São Cristóvão; 69 x 51 Flamengo; 82 x 52 Tijuca; 65 x 58 Fluminense; 85 x 71 Botafogo.

OBS: foram estes os placares da temporada-1963: Zona Suburbana – 59 x 50 e 71 x 39 Sampaio; 69 x 33 e 57 x 34 São Cristóvão; 96 x 50 e 56 x 54 Riachuelo; 94 x 80 e 60 x 51 Mackenzie; 132 x 20 e 120 x 36 Valim. Turnos finais – 65 x 58 e 65 x 46 Fluminense; 76 x 60 e 69 x 57 Botafogo; 51 x 37 e 87x 63 Mackenzie; 62 x 60 e 83 x 61 AABB; 86 x 67 e 68 x 44 Florença; 80 x 43 e 74 x 27 América; 90 x 52 e 74 x 33 Bangu; 62 x 55 e 67 x 44 Tijuca; 68 x 66 e 62 x 78 Flamengo. Melhor-de-três – 79 x 70 e 73 x 60 Flamengo.


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