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Histórias da Bola

Bicampeões de superstições

Relembre histórias de superstições dos eternos Nilton Santos, Mário Trigo e Djalma Santos

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Convivi, aqui em Brasília, com três bicampeões mundiais-1958/1962: Djalma Santos, Nílton Santos e Mário Trigo. Estes dois últimos, inclusive, frequentaram a minha cassa e eu a deles. Ouvi muitas histórias interessantes dos craques e cartolas brasileiros.

Djalma Santos, que foi treinador do Clube de Regatas Guará, contou-me que, em 1962, desde o 21 de maio, quando a rapaziada chegou ao Chile, em todas as manhãs, depois do quebra jejum e, invariavelmente, a partir das oito horas, ele caminhava pelo pomar da concentração El Retiro, em Qilpuê, debruçava-se sobre um muro e passava 20 minutos conversando com um velhinho.

“Eu era o primeiro a acordar, às seis e meia da matina, e a chegar primeiro ao refeitório para o café da manhã. Ninguém ousava chegar antes. Era assim que acontecia na Suécia. Em El Retiro, era eu chegar de cá e o velhinho de lá. Era coisa escrita”, imaginava.

Uma outra lembrança de Djalma: “O Gilmar era, sempre, o último a entrar no ônibus que levava a delegação aos jogos. Só o fazia pisando com o pé direito. Aquilo vinha desde a Suécia. De início, os homens da Comissão Técnica andaram reclamando dos atrasos do nosso goleiro, mas quando os associaram às nossas vitórias, a coisa mudou. No Chile, aquilo foi uma obrigação.

Segundo Mário Trigo, que foi o dentista e contador de piadas do escrete canarinho, supersticioso mesmo era o chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho. “Ele vibrou quando o jogo Brasil x  Chile, pelas semifinais, cai no 13 de junho. Dizia que todos os seus grandes contratos empresariais haviam sido assinado naquela data. Se dependesse das suas superstições, o capitão Mauro teria perdido a vaga para Bellini, porque fora inscrito na Copa com o número 13.

Ainda segundo Mário Trigo, o chefe Paulo Machado via até nos adversários coincidências com 1958. Citava que o segundo jogo na Suécia – Brasil 0 x 0 Inglaterra – repetira o segundo no Chile – Brasil 0 x 0 Tcheco-Eslováquia (na época escrevia-se assim e os tchecos e os eslovacos formavam um só país), dois times que usaram camisa branca. E que o mesmo ocorrera no terceiro, quando os dois adversários vestiram-se de vermelho – União Soviética e Espanha, batidos, respectivamente, por 2 x 0 e 2 x 1 – e no quarto quarto, contra equipes do Império Britânico – Brasil 1 x 0 País de Gales e Brasil 3 x 1 Inglaterra.

De suas parte, Nílton Santos – foi professor de futebol do meu filho, na escolinha do antigo DEFER- Departamento de Educação Física, Espotes e Recreação,  atual Secretaria de Esportes -, se disse um  também supersticioso. “Decidi que, do jeito que a minha mala embarcou no Rio de Janeiro ficaria no 
Chile. Só seria aberta depois da conquista da Copa. Eu vivia com um chapéu de feltro, pra lá e pra cá, e usando só o macacão da seleção”, lembrou.

Por falar em macacão, segundo Nílton Santos, dois membros da Comissão Técnica, o assessor José de Almeida e o secretário Adolfo Marques, não desembrulharam os uniformes feitos na Itália, para o Mundial do Chile. Não tocavam e nem olhavam para os pacotes, e nem deixavam os jogadores olharem. De sua parte, estes se recusavam a enverga-los, exigindo os usados na Suécia.

Pra encerrar, uma gracinha contada por Mário Trigo: “Fiquei encarregado de comprar os presentes que os jogadores trariam para os familiares. Quando perguntei ao Garrincha o que ele queria, respondeu-me que comprasse um outro nariz para o Djalma Santos”- valeu?  


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