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“Thor: Amor e Trovão” se torna uma aventura infantil sem o comprometimento de contar uma história

O novo longa do universo cinematográfico da Marvel “Thor: Amor e Trovão”, dirigido por Taika Waititi, estreia nesta quinta (7)

Foto|Divulgação|Marvel Studios

Nos últimos anos, os filmes do universo cinematográfico da Marvel lotaram salas de cinema e solidificaram franquias de sucesso, mesmo recebendo críticas excessivas por seus heróis padrão, personagens femininas sem desenvolvimento e vilões que não recebem um propósito claro. 

Neste novo capítulo dos heróis, chega ao cinemas, nesta quinta-feira (7), “Thor: Amor e Trovão”. Vale lembrar que é uma das franquias que mais sofreu por falta de conexão entre seus filmes: o primeiro longa de 2011 “Thor” foi dirigido por Kenneth Branagh; já “Thor: O Mundo Sombrio”, em 2013, ficou por conta de Alan Taylor; foi só no “Thor: Ragnarok”, em 2017, que Taika Waititi assumiu o projeto. Uma das maiores críticas do público é a falta de coesão entre um longa e outro, pois a sensação que fica é que tudo que o personagem aprende é simplesmente esquecido nos filmes seguintes. 

E mesmo com todos esses problemas, chega às telonas o quarto filme da franquia, com direção de Taika Waititi, que mudou o lado sombrio do Deus do Trovão, trazendo uma nova personalidade mais sem compromisso, beirando a zombaria.

Foto: Divulgação/Marvel Studios

Em “Thor: Amor e Trovão”, a história se baseia em um herói tentando encontrar o seu verdadeiro eu. Logo no início, ele participa de uma luta junto com os desajustados Guardiões da Galáxia, precisando interromper sua busca pessoal para deter um assassino galáctico conhecido como Gorr, o Carniceiro dos Deuses (Christian Bale), que anseia pelas extinção dos deuses. Para conter essa nova ameaça, o Deus do Trovão pede ajuda ao Rei Valquíria (Tessa Thompson), ao seu companheiro Korg (Taika Waititi), e também à sua ex-namorada Jane Foster (Natalie Portman) que acaba de se tornar a Poderosa Thor. Juntos, eles participam de uma aventura cósmica para tentar deter o Carniceiro dos Deuses.

Roteiro 

A premissa do novo filme do Thor realmente é muito boa: um Deus que procura o autoconhecimento; o retorno de Jane Foster agora como a Poderosa Thor que recebe superpoderes temporariamente para salvá-la do seu câncer já em estado avançado; e, por fim, um vilão que tem até uma boa história de fundo. O problema aqui é que todos os eventos do longa são lançados de forma muito rápida e se apoiam em piadas bobas. O diretor Taika Waititi preferiu não dar espaço para os personagens, que ficaram meio perdidos, sem um aprofundamento, até mesmo o protagonista. Contudo, a estética chama atenção, e a trilha sonora encanta do começo ao fim.

Foto: Divulgação/Marvel Studios

Consertando erros passados

O universo da Marvel foi consolidado em cima de uma fórmula que funciona basicamente para todos os filmes: o herói arrogante que muda só um pouco; a destruição em massa; a origem dos heróis; o vilão que não ofusca o herói; e os filmes que não devem ser levados muito a sério. Essa fórmula já é conhecida e muito se fala sobre a decadência dos últimos longas, pois sempre é o mesmo do mesmo. 

Em “Thor: Amor e Trovão”, o diretor Waititi tentou mudar um pouco essa fórmula. Na primeira aparição da Poderosa Thor no trailer, deu a entender que ela assumiria como uma protagonista. Isso, no entanto, não acontece aqui. Ela tem, sim, um papel que é maior do que uma coadjuvante, mas ainda assim sua história é mal contada e decepcionante. 

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O destaque feminino sempre foi algo superficial nos filmes da Marvel. Sem amizades, sem relacionamentos fora os já conhecidos. Aqui, vemos uma tentativa de mostrar uma Valquíria mais humana, que demonstra interesse por mulheres, que tem uma certa proximidade com a personagem da Jane Foster e que não fica somente ali do lado como uma personagem sem muito a oferecer. 

Os vilões das franquias da Marvel sempre foram personagens que mostram pouco e sem muitas explicações. Contrariando essa fórmula, entra em cena Gorr, vivido por Christian Bale, que está ótimo e mostra uma atuação trabalhada a ponto de você se identificar com os seus motivos para matar os Deuses.

Foto: Divulgação/Marvel Studios

Estética

Um dos maiores acertos de Waititi é a estética do longa, que surpreende tanto a ponto de quase ofuscar as atuações e a direção. O figurino e o CGI (Imagens de computador) estão realmente muito bons. Um destaque para a cena em que tudo fica sem cor alguma e o filme fica em preto e branco, lembrando muito a estética dos filmes Noir. Algo fora do normal para os filmes da Marvel, que são conhecidos por suas cores em alta qualidade.

Finalmente

“Thor: Amor e Trovão” é um filme para não se levar a sério, onde busca do humor para conseguir mostrar momentos de drama, sofrimento e perda. Também fala sobre busca interior, que pode nos fazer lembrar que mesmo nos momentos mais tristes a alegria e o humor podem fazer a diferença. Uma ótima pedida para as férias. 

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Confira o trailer:

Ficha técnica:

Direção: Taika Waititi;

Roteiro: Taika Waititi e  Jennifer Kaytin Robinson;

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Produção: Kevin Feige e Brad Winderbaum;

Elenco: Chris Hemsworth, Christian Bale, Tessa Thompson, Jaimie Alexander, Taika Waititi, Russell Crowe e Natalie Portman;

Gênero: Ação, fantasia, aventura e comédia;

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Distribuição: Marvel Studios e Walt Disney Studios Motion Pictures;

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Duração: 119 minutos

Classificação Indicativa: 14 anos

Assistiu à pré-estreia a convite da Espaço/Z








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