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Asha Sharma pode ser o que irá colocar a Xbox nos eixos? As mudanças já começaram

A nova CEO promete virada, mas a comunidade ainda espera por provas

Karol Scott Lucena

12/05/2026 11h46

asha sharma vgvx

Foto: Divulgação

Depois de um ano ouvindo reclamações, a Xbox finalmente admitiu o óbvio: o Game Pass ficou caro demais. A novidade, anunciada pela nova CEO Asha Sharma, representa uma das raras ocasiões em que uma grande corporação dá marcha ré numa decisão de preço, e vale a pena entender por que isso está acontecendo agora.

Em outubro do ano passado, a Xbox promoveu um dos aumentos mais agressivos da história dos serviços de assinatura de games. O Game Pass Ultimate saltou de 19,99 para 29,99 dólares mensais, um reajuste de 50%. O PC Game Pass não ficou para trás, indo de 11,99 para 16,49 dólares, alta de quase 38%. No Brasil, a situação foi ainda mais brutal: os preços simplesmente dobraram.

A justificativa oficial era a de que o serviço estava “evoluindo para oferecer mais flexibilidade e valor”, com novos benefícios como o Fortnite Crew, clássicos da Ubisoft e streaming em nuvem para todos os planos. Bonito no papel. Só que, na prática, jogar os lançamentos day one no Game Pass passou a custar 360 dólares por ano, e a resposta da comunidade foi imediata e devastadora.

E aqui está o erro clássico de marcas que se tornam grandes demais: achar que podem brincar com o bolso do consumidor sem consequências. O Game Pass, que há alguns anos chegou a exigir até 20 minutos de espera para abrir um jogo, tamanha era a demanda pelos seus servidores, hoje não demora nem 1 minuto, por experiência própria. O número diz tudo sobre o tamanho da queda no acesso.

Há outro ponto que precisa ser dito com todas as letras: incluir o Call of Duty no Game Pass nunca foi realmente vantajoso para o jogador médio. Pense bem, alguém que assinasse o serviço exclusivamente para jogar o CoD no lançamento, após alguns meses de assinatura, já teria gasto mais do que o valor cheio do jogo. Ao comprar o título, ele ficaria na biblioteca para sempre. Na assinatura, some assim que você cancelar.

A conta simplesmente não fechava, nem para o fã mais dedicado de Call of Duty do mundo. E convenhamos que nem todo mundo se importa com o Call of Duty.

Os novos preços anunciados colocam o Ultimate em 22,99 dólares e o PC Game Pass em 13,99 dólares, valores ainda acima do que eram antes do aumento, mas muito mais razoáveis. A contrapartida? O Call of Duty deixa de chegar ao serviço no dia do lançamento. Os novos títulos da franquia só entrarão no Game Pass um ano depois, durante o período de festas.

Segundo reportagem de Jason Schreier, da Bloomberg, os bastidores explicam a equação: incluir o Call of Duty day one teria custado à Xbox aproximadamente 300 milhões de dólares para compensar a receita perdida com vendas diretas. Com o desempenho abaixo do esperado do Black Ops 7 em 2025, que caiu do primeiro para o quinto jogo mais vendido do ano nos EUA, manter esse acordo simplesmente deixou de fazer sentido financeiro.

Dois golpes financeiros ao mesmo tempo: um serviço mais caro que afastou assinantes e um Call of Duty que decepcionou nas vendas. Para qualquer empresa, isso seria insustentável.

Asha Sharma chegou falando exatamente o que todos queriam ouvir e, justamente por isso, deixou muita gente com o pé atrás. Afinal, ela vinha do setor de inteligência artificial, não do universo dos games. A desconfiança era compreensível.

Mas ela tem mostrado serviço. Um memorando interno vazado ao The Verge já sinalizava a mudança antes do anúncio oficial, com Sharma reconhecendo abertamente que o Game Pass havia se tornado caro demais. Além da questão de preços, ela encerrou uma campanha de marketing amplamente criticada e parece genuinamente empenhada em arrumar a casa que recebeu.

Há também sinais de que a própria Microsoft aliviou a pressão sobre a divisão de games, que operava sob exigência de margens de lucro de até 30%. Com mais autonomia, a Xbox pode começar a tomar decisões pensando no consumidor, não apenas no balanço trimestral.

Se essa direção se mantiver, é possível vislumbrar uma Xbox que volte a se comunicar de forma clara sobre seu interesse em agradar quem joga, e que retome a competição de igual para igual com PlayStation e Nintendo.

Ação concreta merece reconhecimento, e essa foi uma boa ação. Mas conversa é barata, e uma sequência de boas decisões não apaga anos de desgaste com a comunidade. A Xbox comprou tempo e claramente jogou bem o jogo das relações públicas, isso é inegável.

A questão agora é simples: vão continuar assim, ou, quando a pressão voltar, voltam a apertar o bolso de quem assina?

O consumidor está de olho. E desta vez, ele sabe exatamente o que acontece quando decide cancelar.

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