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Seedorf imitou Flávio Bolsonaro e se autoproclamou “técnico de futebol”

Era assunto para o Corinthians resolver antes da contratação e da apresentação. Agora é tarde

Marcondes Brito

04/11/2026 5h38

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Seedorf chegou ao Corinthians, comandou o time, ganhou, perdeu e agora corre o risco de ter o trabalho interrompido por falta de documentação. A Conmebol não reconheceu sua licença de treinador por não atender à exigência de três anos de experiência e descartou uma autorização especial. O clube busca na CBF uma saída para mantê-lo ao menos nas competições nacionais.

Convenhamos: era assunto para resolver antes da contratação e da apresentação. O currículo de Seedorf como jogador impressiona, mas os títulos conquistados de chuteiras não substituem os documentos exigidos para trabalhar à beira do campo.

Pelo jeito, o Corinthians achou que bastava o holandês chegar e se declarar técnico. Lembra o gesto de Flávio Bolsonaro ao se autoproclamar “presidente eleito”. Cada um à sua maneira, faltou combinar com quem valida a pretensão: num caso, a entidade que reconhece a licença; no outro, o eleitorado que votou no segundo turno.

E uma notícia de Santa Catarina mostra que a papelada dos treinadores está longe de ser um detalhe. O técnico do Joinville, Diego Souza, foi suspenso por 360 dias pelo Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina e multado em R$ 20 mil no caso da licença falsa obtida junto a Mancuso. A decisão desta terça-feira (3/11) foi unânime: três votos a zero.

É preciso distinguir as situações: o caso de Seedorf envolve o reconhecimento de uma licença; o de Diego Souza, uma punição por licença falsa. Não se pode atribuir ao holandês a irregularidade imputada ao treinador do Joinville. Mas os dois episódios expõem a importância de conferir a habilitação antes de entregar a prancheta. A fama de ex-jogador não pode funcionar como salvo-conduto.

O Corinthians tem todo o direito de buscar uma alternativa regulamentar, inclusive examinar o precedente de Davide Ancelotti. Precedente, porém, precisa ser comparado com o caso concreto. Não é um documento que se pega emprestado para liberar a entrada.

Essa mania de achar que a declaração resolve tudo precisa encontrar algum limite. Caso contrário, o próximo passo será o Corinthians se autoproclamar campeão. Economiza noventa minutos e resolve tudo numa nota oficial.

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