Na semana da Copa do Mundo, o Brasil chega cercado por dúvidas. Não sabemos qual será o desempenho da equipe de Carlo Ancelotti. Não sabemos se Vinícius Júnior finalmente assumirá o protagonismo absoluto que dele se espera com a camisa amarela. Não sabemos se Neymar ainda conseguirá manter-se de pé. Não sabemos. E também não sabemos se o tão sonhado hexacampeonato está próximo ou continuará sendo uma obsessão adiada.
Na verdade, quando se procura alguma certeza em relação à Seleção Brasileira de 2026, encontra-se muito pouco.
Há quem procure respostas nos números. O supercomputador da Opta realizou milhares de simulações do torneio e colocou o Brasil apenas na sexta colocação entre os favoritos, com 6,6% de probabilidade de conquistar o título. A Espanha aparece no topo da lista.
Há quem procure respostas nos profetas modernos do futebol. O economista alemão Joachim Klement, que ganhou fama por acertar previsões de campeões mundiais de 2014 a 2022, aposta que o Brasil terminará em primeiro lugar no grupo, mas acabará eliminado pelo Japão em uma zebra histórica. Para ele, a final será entre Portugal e Holanda, com título holandês.
É claro que computadores erram. Gurus também tropeçam. O futebol continua sendo uma das poucas atividades humanas capazes de desafiar estatísticas, algoritmos e especialistas. Ainda assim, chama atenção o fato de que, desta vez, o Brasil não chega ao Mundial cercado pela aura de favoritismo que acompanhou tantas gerações anteriores.
Mas existe uma certeza.
Um levantamento publicado pela jornalista Tatiana Moura, da revista Veja, mostra que a esmagadora maioria dos convocados por Ancelotti se declara evangélica. Nomes como Alisson, Ederson, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá, Endrick, Neymar, Raphinha e Vinícius Júnior, entre vários outros da lista de convocados.
Segundo a apuração da repórter da Veja, apenas Marquinhos se declara católico. Casemiro prefere definir-se simplesmente como cristão. Danilo não costuma abordar publicamente o tema religioso. O próprio Ancelotti, por sua vez, é católico e conhecido por sua devoção a Padre Pio.
Nunca a religiosidade esteve tão presente na identidade pública da Seleção Brasileira. As rodas de oração antes das partidas, os agradecimentos a Deus após os gols e as manifestações de fé nas redes sociais tornaram-se elementos permanentes da rotina do grupo.
Naturalmente, fé não ganha jogo. Tampouco substitui talento, organização tática ou preparação física. Nenhuma seleção conquista uma Copa apenas pela intensidade de suas crenças.
Mas talvez esse seja justamente o retrato mais fiel do Brasil que desembarca neste Mundial. Um time que não chega como favorito absoluto, que ainda busca uma identidade dentro de campo, mas que exibe convicções muito claras fora dele.
Em uma Copa cercada de incertezas, esta talvez seja a única definição sobre a qual ninguém parece ter dúvida: a Seleção Brasileira de 2026 é, antes de tudo, uma seleção terrivelmente evangélica.
