O Flamengo saiu de La Plata com um resultado melhor do que o futebol que apresentou. O empate por 0 a 0 com o Estudiantes, nesta quinta-feira (15), pela ida da semifinal da Libertadores, manteve a classificação ao alcance no Maracanã, mas expôs novamente um time acuado em território argentino. Foram 90 minutos sem acertar uma finalização no gol adversário. Para quem produziu tão pouco, o empate foi um grande lucro.
Já são sete partidas consecutivas sem vencer na Argentina, com cinco empates e duas derrotas, considerando Libertadores e Recopa Sul-Americana. A última vitória foi a goleada por 4 a 0 sobre o Vélez Sarsfield, na semifinal de 2022. Desde então, o Flamengo enfrentou Racing duas vezes, Estudiantes três, Central Córdoba e Lanús. A sequência atravessa temporadas e comandos técnicos e torna inevitável a pergunta: por que um time com tantos recursos parece diminuir de tamanho quando atravessa a fronteira?
Em La Plata, a frieza rubro-negra apareceu na falta de iniciativa. Mesmo com mais posse de bola, o Flamengo não transformou circulação em perigo e deixou Muslera sem trabalho. Ter a bola, nesse caso, serviu pouco para controlar o adversário. Faltaram agressividade, criatividade e disposição para assumir o protagonismo. A impressão foi de uma equipe mais preocupada em sobreviver à partida do que em tentar vencê-la.
Vencer um argentino fora de casa exige competência, mas está longe de ser uma façanha impossível. Nesta mesma semana, o Vasco foi à Bombonera e derrotou o Boca Juniors por 1 a 0 pela Sul-Americana. Cada confronto tem suas particularidades, evidentemente, mas o exemplo desmonta qualquer tentativa de transformar a atmosfera dos estádios argentinos em justificativa automática para tanta retração. Respeitar o adversário é necessário; jogar intimidado é outra coisa.
Na próxima quinta-feira (22), o Maracanã dará ao Flamengo o ambiente favorável para decidir a vaga. Uma vitória garante a classificação; outro empate leva a disputa aos pênaltis. O cenário será diferente, mas o time também precisará ser. O resultado em La Plata permite respirar. A atuação, porém, cobra explicações: um candidato ao título não pode depender de voltar para casa para apresentar coragem.