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Poço sem fundo

No futebol do DF, o amadorismo por parte das diretorias e a presença de times de outros estados afasta o torcedor da arquibancada e a capital das demais unidades da federação

Foto: André Gomes/SE Ceilandense

Sempre tento abordar o futebol do Distrito Federal neste espaço. Afinal, foi através dele que dei os primeiros passos em minha carreira como jornalista esportivo. Naquela época, os clubes estavam em seu auge: o Brasiliense na Série A, o Gama na Série B e o Ceilândia e o Paranoá brigando pelo acesso na Série C. No entanto, desde então, testemunhamos uma decadência implacável. A capital do Brasil não conta com um time nas três primeiras divisões do país desde 2013, algo inimaginável nas principais ligas ao redor do mundo. Para se ter uma ideia, entre todas as nações membros da Conmebol, apenas o Brasil não possui um representante da sua capital na primeira divisão.

Atualmente, 12 equipes da capital estão ativas no cenário do futebol local, competindo na Segunda Divisão. No entanto, a falta de competitividade é evidente, resultando em placares históricos e controversos. É surpreendente o número de goleadas após 26 partidas disputadas até o momento, com o Botafogo-DF e o Sobradinho liderando essa desagradável estatística.

Diferentemente de seu homônimo no Rio de Janeiro, que lidera o Brasileirão da Série A, o Botafogo-DF sofreu duas derrotas por goleada em cinco jogos: 5 a 0 para o Legião e um incrível 7 a 0 para o Ceilandense. A situação do Sobradinho, que já foi campeão do Distrito Federal em anos anteriores, é ainda mais sombria. Em duas das cinco partidas disputadas, o time sofreu dez ou mais gols em um único jogo: 10 a 2 para o Luziânia e um inacreditável 12 a 0 para o Ceilandense. Além disso, enfrentou uma derrota por 4 a 0 para o Botafogo-DF. Seu “melhor” resultado foi uma derrota por 1 a 0 para o Canaã, na estreia. A goleada de 12 a 0 igualou a maior da história do futebol candango, que era a vitória do extinto Rabello sobre o mesmo Sobradinho em 1961.

Resultados com números astronômicos de gols não são novidade na Série B do DF. Nos últimos anos, tem sido comum ver essas goleadas desproporcionais. Em 2021, a Aruc e o Paranoá venceram o Bolamense (hoje Riacho City) por 10 a 0 na mesma edição. No ano passado, o Legião perdeu por 7 a 0 para o Samambaia, o mesmo resultado do Brazlândia contra o Riacho City. De acordo com um levantamento feito pelo site Distrito do Esporte, houve 28 goleadas com mais de seis gols de diferença em toda a história da competição, sendo nove delas nos últimos três anos.

Ainda assim, muitos dirigentes do futebol local reclamam da falta de interesse da população pelos times da cidade. No entanto, isso parece ser uma questão óbvia. São poucos os clubes registrados como profissionais que mantêm um trabalho consistente. Podemos contar nos dedos da mão aqueles que realmente se dedicam ao futebol local: Gama, Brasiliense, Real Brasília e Capital. Os demais praticam o esporte por hobby, paixão ou por motivos desconhecidos, já que raramente obtêm lucro ao final da temporada. Sem uma equipe nas principais divisões nacionais, é difícil atrair público. Estamos no Brasil, onde a maioria dos torcedores vai aos estádios apenas quando o time está em boa fase.

Outra peculiaridade em relação ao restante do país é o elevado número de times de outras regiões que participam da competição no Distrito Federal, como Unaí (que já foi Paracatu), Luziânia (líder de seu grupo na Série B Candanga) e o Grêmio Valparaíso (GO), que retornou à competição no ano passado. O mais recente membro da Federação de Futebol do Distrito Federal (FFDF) é o Canaã, um clube originado na Bahia e que se juntou à competição este ano. Apesar de ter sede na Fercal, manda seus jogos em Planaltina de Goiás. Essa situação desvaloriza o futebol local. No entanto, como estamos em uma região que atrai muitos interesses, todos querem fazer parte do cenário. Vale destacar que a FFDF é a única no país que permite a participação de clubes de outras regiões em suas competições.

A situação do futebol do DF é realmente complicada. Por mais que tentemos acompanhá-lo e valorizá-lo, a maioria dos clubes não permite que levemos a competição a sério.

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