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Ainda pode piorar

Tudo que está ruim pode piorar, ainda mais se tratando de Flamengo

Foto: Gilvan de Souza/ CR Flamengo

Os torcedores do Flamengo não veem a hora de 2024 começar. Após uma temporada marcada por fracassos, a expectativa do adepto é que, na próxima jornada, o time possa ter um desempenho melhor do que o atual. Contudo, é sempre bom lembrar que o ano que vem será o último ano de Rodolfo Landim na presidência do clube. E se mantida a gestão amadora, desorganizada, a tendência é que o próprio presidente sofra a duras penas. Algo comum dentro da instituição Flamengo.

A história poderia ser bem diferente. No começo da gestão Landim, em 2019, o clube conquistou o título da Libertadores de forma emblemática. Também levantou o troféu do Brasileirão. Fora dele, entretanto, não soube administrar uma das maiores crises institucionais que o Flamengo viveu em sua história, na tragédia do Ninho do Urubu, que matou dez jovens das categorias de base durante um incêndio. Foram dias após dias minimizando o assunto e, quando falou, jogou a responsabilidade sobre a diretoria anterior – algo comum em nosso país, pois a responsabilidade é sempre do outro.

Nos anos que se passaram, o Flamengo voltou a levantar troféus importantes, como Copa do Brasil, outro Campeonato Brasileiro, em 2020 e a Libertadores da temporada anterior, além de chegar à final da mesma competição internacional em 2021. Desportivamente falando, o período sob o comando de Landim na presidência é o mais vitorioso do rubro-negro. Equipare-se ao período entre 1981 a 1983, com Antônio Augusto Dunshee de Abranches no cargo — Abranches renunciou no seu último ano de mandato por “cansar de ser xingado”, sendo acusado pelo ex-deputado federal e também ex-presidente do clube Márcio Braga de que a venda de Zico foi feita apenas “para cobrir uma diferença de caixa”. Apenas como fato curioso, Antônio Dunshee é pai do atual diretor-jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee.

Fora de campo, a gestão de Landim não é das melhores. Assim como boa parte dos dirigentes brasileiros, não soma boas escolhas e não consegue ter uma boa relação com os treinadores. Desde que Jorge Jesus saiu do clube, foram sete técnicos, todos com perfis totalmente diferentes. A demissão de Dorival Júnior, no ano passado, foi uma das suas piores decisões. Além disso, junto ao Conselho Deliberativo do clube – na qual possui maioria – praticamente dizimou os torcedores off-Rio. O plano de sócio-torcedor é um dos piores do país, com praticamente nenhum benefício decente ao flamenguista. Sem contar a falta de pulso para demitir Marcos Braz, que recentemente se envolveu em uma briga com um torcedor em um shopping no Rio de Janeiro. Além de inúmeras tentativas de ‘golpe’ institucional, visando se perpetuar à frente do clube através de mudanças regimentais – que não conseguiram ser aprovadas.

Nem mesmo o título da Copa do Brasil no próximo domingo (24) poderia diminuir o ano de fracassos do Flamengo. A queda para o Olímpia nas oitavas de final da Libertadores, a perda do Carioca, Supercopa e Recopa, além do fracasso no Mundial de Clubes e da campanha vergonhosa no Brasileirão ofusca a possível taça. Claro, o torcedor, mesmo com ódio, iria comemorar tal feito, ainda que veja Landim batendo no peito dizendo que o futebol do rubro-negro é vitorioso em sua gestão, apesar de todas a polêmicas extracampo. Mas o mais sensato adepto sabe que, se conseguir superar o São Paulo, no Morumbi, no domingo, será mais por mérito dos jogadores do que do presidente – ainda que tenha sido ele quem assinou o cheque das contratações destes nomes.

Não se engane, rubro-negro. Por mais que o ano de 2023 esteja ruim, nada indica que no próximo que virá será diferente. Landim continuará à frente do clube, mantendo uma gestão amadora e sem qualquer preparação técnica, que despreza o emocional, não fazendo questão de ter um psicólogo para o elenco. Até porque tudo que está ruim pode piorar, ainda mais se tratando de Flamengo.

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