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Do Alto da Torre
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Michelle amplia espaço no PL, mas também desperta rivais

senadora eleita amplia influência no partido em meio a incômodos internos, críticas à saída de Flávio e apelos de Damares por união

Eduardo Brito

29/10/2026 19h37

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Michelle Bolsonaro – Foto: ASCOM/PL

Embora tenha se empenhado com toda a força na campanha do enteado Flávio, mesmo após se tornar a senadora campeã de votos no Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (foto) já está despertando ciumeira entre os militantes-raiz, inclusive em futuros companheiros de bancada parlamentar.

Para isso, pesou principalmente o movimento de Michelle para ampliar sua influência dentro do PL, ao ser recebida pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, para discutir o futuro do comando partidário. Os militantes registraram a frase de Valdemar, na terça-feira, em nota que acompanhou uma foto dos dois.

“Recebi hoje a senadora eleita Michelle Bolsonaro para uma conversa sobre o futuro do nosso partido e os desafios que temos pela frente”, escreveu o presidente. Valdemar falou, claro, de união e diálogo, mas não fez qualquer referência a Flávio, que, mesmo fora do País, declarou-se líder da oposição ao governo Lula.

A viagem de Flávio já causara incômodo ao comando partidário, o que só aumentou com a movimentação de Michelle. O problema é que tudo isso ocorre no momento em que a direita se vê forçada a uma reorganização, e não apenas no Congresso.

Valdemar visita Jair e critica texto de Flávio

Também contribuiu para as intrigas a visita feita por Valdemar nesta quinta-feira, 29, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em sua casa no Jardim Botânico do DF, após autorização judicial.

Depois do encontro, Valdemar declarou que nem o ex-presidente nem a cúpula da legenda sabiam do plano de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. “Nem o Bolsonaro sabia, ninguém sabia, eu também não sabia”, disse Valdemar após visitar o ex-presidente nesta manhã.

Valdemar também criticou a carta divulgada por Flávio, na qual o senador se apresentava como líder do país, pontuando que a manifestação não foi aprovada pelo partido. Quando lhe perguntaram sobre a carta em que Flávio explica a viagem e se declara líder do Brasil, Valdemar disse, ao chegar, que “não gostei”. À saída, corrigiu a frase para “ninguém aprovou”.

Para irritar ainda mais os bolsonaristas-raiz, o presidente do PL resumiu seu pensamento. O objetivo agora é “tocar o partido para frente”.

Damares tenta recolocar alianças

Aliada histórica de Michelle, a também senadora brasiliense Damares Alves alarmou-se com a difusão de intrigas. Achou melhor apelar ao apaziguamento e calar os que estão criticando a parceira.

“Tenho visto algumas coisas sendo ditas sobre mim nas redes sociais e acho que preciso esclarecer uma situação”, avisou. “Peço cuidado com aquilo que circula nas redes. Antes de acreditar numa acusação ou compartilhar um vídeo, procure saber o que realmente aconteceu, pois há muita informação distorcida sendo espalhada, e isso só aumenta as divisões”.

Sem citar o nome de Michelle, Damares lembra que trabalhou pela eleição de Flávio Bolsonaro. “A derrota me deixou muito triste, e não vou fingir que foi diferente”, acrescentou.

Por isso mesmo, acha que não se pode abalar a relação com a família Bolsonaro. “Tenho um carinho enorme pelo presidente Jair Bolsonaro, nosso capitão, e uma história de amizade, respeito e lealdade que não começou numa eleição e não vai terminar por causa de ataques na internet”, disparou a senadora contra os que se preocupam com o posicionamento de Michelle.

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