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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Marco político de Brasília está à venda

mansão onde Joaquim Roriz viveu e comandou articulações políticas é anunciada por R$ 20 milhões

Eduardo Brito

12/10/2026 18h05

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Mansão Roriz. Crédito Chico Sant’Anna

Uma mansão onde se discutiu o destino político de Brasília desde antes da autonomia do Distrito Federal (foto) está desocupada e à venda. O endereço é SMPW, Quadra 8, Conjunto 1, Lote 13. Nele morou durante décadas o deputado goiano Joaquim Roriz, que seria, por quatro vezes, governador do DF.

Quem descobriu a situação do imóvel foi o jornalista Chico Sant’Anna, ex-candidato ao Senado e morador da região. A mansão foi historicamente palco de grandes reuniões políticas, atos e celebrações que marcaram a história do Distrito Federal, principalmente após o fim da ditadura militar.

De fora, vê-se uma grande imagem de Nossa Senhora de Fátima estampada em um outdoor. A imagem revela a devoção de dona Weslian Roriz, viúva do ex-governador Joaquim Roriz, e demarca a residência principal do clã. A seu lado, uma imensa placa de “vende-se”.

Desde o falecimento de Joaquim Roriz, em setembro de 2018, o imóvel vem sendo paulatinamente desativado. Dona Weslian teria se mudado há cinco anos para a Fazenda Palma, de propriedade da família, em Luziânia, no Entorno goiano. O imóvel foi então alugado, em 2019, por um valor de locação anunciado, à época, de R$ 49,5 mil mensais.

Posteriormente, há cerca de dois anos, a Mansão Roriz foi vendida a terceiros, que agora novamente põem à venda a tradicional residência. O valor pedido é de R$ 20 milhões.

O terraço e o gabinete

A mansão já não apresenta o mesmo cuidado externo e interno de quando era morada da família Roriz. Mesmo assim, é um imóvel que guarda superlativos. Segundo os corretores, o lote conta com 20 mil metros quadrados, cinco residências — incluindo uma de caseiro — e um total de 3.200 metros quadrados de área construída.

Na residência principal, um enorme salão se abre para um terraço com vista para a região. Era nele que se reuniam os próximos de Roriz para discutir estratégias, identificar adversários e tomar decisões. Roriz sempre ouvia todos, fingia acolher ideias, mas dava a palavra final. Aí, distribuía as missões.

O “pessoal da varanda” era famoso pela influência e, principalmente, por deter informações que ninguém mais tinha. O outro espaço de decisões era bem menor, junto à antiquada sala de jantar. Era um gabinete com uma mesa, atrás da qual se sentava Roriz. À sua esquerda, uma estante. À frente, três ou quatro cadeiras para os interlocutores.

À sua direita, o principal: um grande quadro com os resultados de todas as eleições disputadas — e ganhas — por Roriz.

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