Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara que investiga os atos antidemocráticos, o distrital Chico Vigilante decidiu nesta quinta-feira, 17, requerer a sua prorrogação por mais 90 dias.
Chico Vigilante explica que tomou a medida “com o intuito de garantir a oitiva de todos os envolvidos e identificar os responsáveis pelos atos”.
A propósito, em depoimento à CPI ainda nesta quinta, o diretor do departamento de combate à corrupção e ao crime organizado da Polícia Civil, Leonardo de Castro Cardoso, revelou que os golpistas presos pela corporação no dia 8 de janeiro foram autuados pelo crime de tentativa de golpe de estado.
A declaração do policial contradiz a narrativa defendida por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro de que os manifestantes apenas faziam um protesto pacífico. Foram 206 os detidos pela Polícia Civil.
Fica o registro de que a CPI da Câmara conseguiu muita repercussão. Costuma até ser citada com frequência pela badalada CPMI do Golpe que reúne deputados e senadores no Congresso.
Tinha de tudo
Questionado por Chico Vigilante se as pessoas presas se resumiam a senhoras de idade que estariam apenas rezando durante a invasão dos palácios da República, o diretor da Polícia Civil foi claro.
“Avaliamos a conduta daquelas pessoas e de acordo com os depoimentos dos policiais militares, os interrogatórios, as imagens veiculadas e o contexto; assim, nossa convicção foi de que essas pessoas tiveram participação no crime de tentativa de golpe de estado e por isso foram autuadas. Havia jovens, idosos, pessoas de baixa renda, de alta renda, de vários estados. Mas nós avaliamos os fatos, e não as pessoas”, explicou Leonardo de Castro.